Agência da Notícia

14 anos no MT

Agência da Notícia, Quarta-feira 11 de Dezembro de 2019

1 8
:
5 0
:
0 6

Últimas Noticias

publicidade

Artigos

27 Out 2015 - 11:06

Recuperação judicial pelo segmento de transporte cresce em MT

Agência da Notícia com Redação

 O número de recuperações judiciais requeridas entre janeiro e setembro de 2015 em Mato Grosso cresceu de forma vertiginosa, pouco mais de 200%, se comparado com mesmo período do ano passado. Dados do Serasa Experian apontam que até setembro deste ano foram requeridos e concedidos 103 pedidos de recuperação judicial de Mato Grosso. Em 2014 apenas 32 empresas entraram com requerimento para Recuperação Judicial no Estado.



O segmento de transporte, que é afetado diretamente com aumento dos combustíveis e corte de financiamentos, é um dos mais atingidos no Estado e no Brasil. “Temos no nosso escritório 15 empresas que atuam no ramo de transportes e que entraram em Recuperação Judicial. Destas, 7 empresas pediram recuperação judicial no ano de 2015”, relata o advogado especialista em recuperação judicial Euclides Ribeiro Junior, do Grupo ERS Advocacia, uma das principais bancas do Estado.



Em geral o passivo destas empresas giram em torno de R$ 25 a R$ 35 milhões. Esse valor expressivo é resultado do atual cenário massacrante da economia.



Segundo Ribeiro o que provocou isso foi a liberação de crédito abundante feita por meio do BNDES para compra de caminhões com até 100 meses de prazo para pagar, um ano de carência e juros que chegaram 2,5% ao ano. A medida, tomada para ajudar a indústria automobilística, criou um ambiente de alta demanda de caminhões, que fez com que a maioria das transportadoras do país fossem ao mercado e comprassem caminhões além do que deveriam. Profissionais autônomos, pequenos empresários de outros ramos e profissionais liberais também foram conquistados pelas facilidades que o mercado ofereceu.



“O resultado dessa intervenção governamental em um mercado que estava razoavelmente equilibrado fez com que o Brasil tenha hoje quase 30% da sua frota de caminhões ociosos. Com isso, as grandes multinacionais e mesmo indústrias nacionais contratantes de transportes baixaram os preços ofertados no frete em mais de 30%, criando assim a maior crise que o setor de transportes já vivenciou na história do Brasil”, explicou.



Outro agravante a este cenário é a crise econômica 2014/2015, que fez com que a economia do Brasil entrasse em brutal recessão. A maioria dos clientes das transportadoras começou a aumentar o prazo de pagamento de 30 para 60, 90 e até 120 dias. Este período sem recurso, forçou as empresas a buscar mais dinheiro caro no mercado financeiro para operar.



Além de toda conjuntura desfavorável em 2015, o Governo Federal liberou pesados aumentos no óleo diesel, pedágio e aumento de carga tributária, em um momento que é impossível qualquer repasse de reajuste nas tarifas de frete devido ao excesso de oferta de caminhões.

De acordo com o advogado especialista, a crise do segmento de transporte não deve demorar a afetar o segmento de produção rural no Estado. “O transporte rodoviário representa uma larga parcela de gestão do setor produtivo, razão pela qual, considerando que as transportadoras vêm enfrentando o pior momento econômico da história. Sendo assim o setor produtivo deverá aumentar seu custo”, apontou.



Entre as empresas que pediram recuperação estão as transportadoras: Expresso Flecha de Prata, RDL Transportes, Grupo 3 Américas, Transportadora Novo Futuro, Transabino. Algumas atuam em Mato Grosso como a RDL e a Nova Futuro e outras tem filiais no Estado.



PRODUTORES RURAIS - Para Clovis Sguarezi, da Sguarezi & Vieria, advogado que também atua em Recuperação Judicial, a demanda de pedidos de recuperação por produtores rurais também deve aumentar, por conta do repasse dos custos de frete e ainda pela dificuldade de obtenção e pagamento dos créditos para safra deste 2015/2016. Este ano seu escritório registrou aumento de 70% nos pedidos de processos como RJ.



“O crédito deve ficar escasso e caro no próximo ano, e estamos notando em viagens pelo interior, que os produtores tem buscado acessar a recuperação judicial para manter suas fazendas e os empregos gerados”, contou.

Inserir comentário

0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião da Agência da Notícia. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Agência da Notícia poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.
Comentários com mais de 1300 caracteres serão cortados no limite.

 
Sitevip Internet