Agência da Notícia

Há 14 anos no MT

Agência da Notícia, Domingo 22 de Setembro de 2019

1 3
:
4 2
:
3 5

Últimas Noticias

Internauta AN

Notícias / Entrevista

12 Abr 2014 - 11:07 | Atualizado em 12 Abr 2014 - 11:29

Entrevista da Semana: “O hábito de consumo da carne de tartaruga exige ainda um trabalho árduo de conscientização no Norte Araguaia

“O hábito de consumo da carne de tartaruga exige ainda um trabalho árduo de conscientização, com palestras e oficinas que destacam a importância das tartarugas para o habitate local”

Agência da Notícia

Publicidade

Voluntários no berçário das tartarugas em LuciaraQuando adultas elas podem chegar um 1,5 metros de cumprimento, pesar mais de 200 quilos e vivem cerca de 50 anos. Mas nas mãos da população de Luciara, a 1,2 mil quilômetros de Cuiabá, as tartarugas do Araguaia ainda bebês, são frágeis e delicadas.

Em fevereiro deste ano, mais de nove mil filhotes foram soltos no rio Araguaia, como conclusão do projeto desenvolvido por ribeirinhos para salvar a espécie, que sofre com na região com a caça predatória. De acordo com a coordenadora, bióloga Tiara Shimano, esta foi a segunda criação em cativeiro que é devolvida a natureza. “Fizemos uma experiência em 2010 e agora voltamos com o projeto ano passado, recolhendo os ovos no final do ano e devolvendo os filhotes em fevereiro”, destacou Tiara.

A iniciativa foi tomada após pesquisas constatarem a queda da população de “tartarugas-amazônicas” na região, principalmente devido ao grande consumo de sua carne por parte de índios e moradores das cidades que margeiam o rio. “Uma tartaruga marinha pode ficar mais de cem anos, mas as de água doce, pouco mais da metade, principalmente pela destruição de seu habitat e a de predadores, como o homem”, explicou a bióloga.

O trabalho começa quando a fêmea deixa a água e vai até a área montar seu ninho. Na natureza, menos de 5% dos ovos que elas colocarem conseguirão ser gerados e os filhos chegaremm a fase adulta. “Após colocar os ovos a tartaruga camufla muito bem seu ninho e volta ao rio. Nosso trabalho então é rastrear as pegadas deixadas em bancos de areia e encontrar os locais de desova, recolhendo uma parte dos ovos” explicou Tiara.

Neste momento o material é encaminhado para chocadeiras, construídas na praia, com a proteção necessária contra predadores, onde ficam por cerca de dois meses, ainda enterrados. “Construímos covas artificiais e numeradas onde os ovos são colocados e permanecem até o nascimento das tartarugas, que podem ficar até oito dias soterrados até saírem, quando então são encaminhadas para o berçário”, ressaltou a coordenadora do projeto.
Após a eclosão, elas então são levadas para os tanques berçários onde permanecem por um período até que endureçam a carapaça e que seu “umbigo” seque. O umbigo, segundo Tiara, quando ainda está mole tem cheiro forte de ovo, pois era a ligação do embrião com o ovo, através do qual o embrião se nutria.

Quando mole o umbigo, os predadores identificam os filhotes com mais facilidade pelo odor exalado, por isso a necessidade de permanecerem com os filhotes no mínimo por duas semanas, diminuindo o índice de predação sobre os filhotes. Neste período elas são alimentadas por voluntários e ficam 24 horas sobre a vigilância de pesquisadores. “Além dos predadores naturais, não queremos que ninguém interfira no clico. Por isso a vigilância constante”, observou a bióloga.
Ovos das tartarugas sendo vigiados pelos voluntários
Depois de quase 90 dias após o recolhimento, finalmente os filhotes são soltos no rio, por onde viverão por quase meia década. Durante a soltura o prefeito de Luciara, Fausto Junior, destacou a dedicação da população. “Quando ouvimos falar em projetos ecológicos as pessoas envolvidas são biólogos, oceanógrafos, entre outros especialistas. Mas aqui quem teve a iniciativa e de fato realiza o trabalho é a população, que não olhou para as adversidades, mas resolveu entender a causa e desenvolve-la”, afirmou o prefeito.

Além do trabalho direto com os animais, o projeto visa conscientizar a população quanto à preservação da espécie. “O hábito de consumo da carne de tartaruga exige ainda um trabalho árduo de conscientização, com palestras e oficinas que destacam a importância das tartarugas para o habitate local”, reforçou Tiara, lembrando que o grupo cumprirá esse cronograma até o próximo período de reprodução das tartarugas, no final do ano.
A expectativa é que o número de filhotes devolvidos na próxima eclosão seja de até 12 mil.


Inserir comentário

0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião da Agência da Notícia. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Agência da Notícia poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.
Comentários com mais de 1300 caracteres serão cortados no limite.

Notícias Relacionadas

 
Sitevip Internet