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23 Mai 2015 - 10:03

Entrevista da Semana: A multiplicação dos peixes. Veja como essa cultura pode ser rentável e sustentável

A lucratividade é entusiasmada e supera os lucros com a soja por exemplo, os produtores dizem que para produzir um hectare de lagoa são necessários 10 hectares de soja

Agência da Notícia com Redação

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A lucratividade é entusiasmada e supera os lucros com a soja por exemplo, os produtores dizem que para produzir um hectare de lagoa são necessários 10 hectares de soja (Crédito: Agência da Notícia)

A lucratividade é entusiasmada e supera os lucros com a soja por exemplo, os produtores dizem que para produzir um hectare de lagoa são necessários 10 hectares de soja

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A psicultura da os primeiros passos em Confresa e na região Norte Araguaia. Mostrando ser uma excelente fonte de renda para os pequenos agricultores. De três famílias catalogadas na criação há cinco anos atrás, hoje segundo a prefeitura, são mais de duzentos tanques. Já se fala até em montar um abatedouro no município. E por isso que o quadro "Entrevista da Semana" mostra hoje o bom exemplo vindo de Sorriso, da família Rossato,

Em terra de soja, quem tem peixe é rei. A adaptação do ditado popular revela fielmente o sentimento dos piscicultores de Sorriso, no médio norte de Mato Grosso. A Capital Nacional do Agronegócio é também o maior produtor de peixes do Brasil.

O feito foi divulgado pelo IBGE, Instituto Brasileiro e Geografia e Estatística, referente a 2013, quando mais de 21 milhões de toneladas foram despescadas no município, cerca de 5,6% de toda a produção nacional.

Luiz Eduardo Rossato é filho de produtor rural, e cresceu no meio das lavouras de soja. A família é uma das pioneiras no plantio da oleaginosa na região e na tentativa de intensificar a produção decidiu, há cerca de quatro anos, recuperar uma barragem da propriedade para montar um sistema de irrigação.

“Há muito tempo ela foi usada na pecuária, e depois ficou parada. Como queríamos irrigar parte da produção decidimos recuperá-la, foi então que um amigo nos apresentou a piscicultura”, contou Rossato, confessando que inicialmente não colocou muita fé no projeto.

Mas a multiplicação dos peixes dava ali seus primeiros passos. O amigo é o zootecnista Darci Farmari, que em 2006 aceitou o desafio de implantar na região uma cadeia de produção de peixes e começou a mapear as áreas aptas a criação. Com geografia e clima favoráveis, os primeiros testes apontaram o primeiro desafio, a genética. “A região é rica em água, são poucas as adaptações, o clima é quase perfeito, o problema era a genética, a população do estado foi criada com poucos casais, então houve o cruzamento familiar e isso prejudica o desenvolvimento do peixe”, contou o zootecnista, que foi pesquisar nos estados vizinhos a genética dos peixes e migrar famílias para a reprodução e o aperfeiçoamento genético.

“Quando se projeta uma criação de cinquenta, sessenta anos, isso é fundamental”, revela Farmari, que montou em uma fazenda um sistema de criação dividido em três etapas, cria, recria e engorda. Entre a entrega do peixe ao produtor até a despesca são de seis a sete meses, período em que precisa ser tratado diariamente com ração, saindo dos oitos centímetros para os três quilos. Antes é claro, a barragem precisou ser limpa, não pode haver madeira, e a quantidade de oxigênio é controlado. Segundo o zootecnista, um único funcionário consegue cuidar dos trabalhos até a despesca.

Na primeira, Luiz Eduardo “colheu” mais de vinte mil quilos, pouco diante dos números de hoje, mas o suficiente para empolgá-lo. Quem não poupou apoio foi o pai Dilceu Rossato. “O plantio de soja já está no seu auge, as fazendas contam com o que o mercado oferece de mais moderno quanto a maquinários, os resultados são de alta performance, existe uma grande dificuldade em incluir a geração de filhos neste ramo, justamente pela falta de desafios, e a piscicultura trouxe essa motivação que faltava, o desejo de fazer dar certo”, conta orgulhoso o pai, que acompanhou neste janeiro as últimas despescas da propriedade. Foram caminhões e mais caminhões de pintado rumo a São Paulo.

O preço do quilo, em torno de R$ 6,80. Os lucros surpreenderam tanto, que nem mesmo o mais otimista produtor de soja ousava calcular. “Hoje, o que conseguimos produzir em um hectare de lagoa, são necessário 10 de soja. Custo mínimo, excelente desempenho”, revelou Dilceu.

De um único investidor em 2006, a 12 piscicultores em 2013, e cerca de 30 este ano. Encontrar um insatisfeito é quase uma missão impossível, todos querem aumentar os negócios, a família Rossato já prepara outras três barragens para a piscicultura, triplicando, em dois anos, o que produz hoje.

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