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3 Mai 2014 - 09:53

Um sonho no Norte, morador de rua caminha do Paraná ao Mato Grosso em busca de uma vida melhor

Rogério Oliveira tem 31 anos, nossa intenção com ele era contar como é a vida de um morador de rua, suas dificuldades, a insegurança, a sensação de ser invisível para a maioria das pessoas,

Agência da Notícia com Redação

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Considerada a capital nacional do agronegócio e uma das 100 melhores cidades para se viver no Brasil, Sorriso, a aproximadamente 500 km de Cuiabá, tem suas ruas repletas de carros importados, mansões e lojas de utensílios luxuosos, é neste cenário que encontramos uma história que constata com essa realidade.

Rogério Oliveira tem 31 anos, nossa intenção com ele era contar como é a vida de um morador de rua, suas dificuldades, a insegurança, a sensação de ser invisível para a maioria das pessoas, mas nos surpreendemos quando ele contou que chegou a cidade, após caminhar do Paraná ao Mato Grosso.

Desde então trabalha recolhendo materiais recicláveis durante a manhã e com um carinho de picolé a tarde, o que lhe rende aproximadamente R$ 15,00 (quinze reais) por dia, suficiente apenas para sua alimentação, sendo assim ele passa as noite, literalmente, dentro de um arbusto ao lado da Igreja Matriz.

Sua higiene pessoal é feita no banheiro publico, e tudo o que ele tem são duas pesas de roupa e um papelão, que serve como cama, ele não sabe o que é dormir em colchão a mais de 10 anos, mas este não é o ponto mais surpreendente de nossa conversa, Rogério, que nasceu no Paraná, veio até Sorriso caminhando.

O percurso de 1.667 km entre Cascavel (PR) e Sorriso (MT) foi feito em um ano e quatro meses de caminhada, onde Rogério perdeu mais de 10 quilos, e por muitas vezes recebeu a ajuda solidária, principalmente dos motoristas de caminhão. “Fiz todo o percurso a pé, não recebi nenhuma carona, as pessoas me ajudavam com comida, outras com dinheiro, eu sai de casa com R$ 10 no bolso, o suficiente apenas para o primeiro lanche, e meu sonho era chegar em Sorriso”, declara.

Rogério diz que ouvia falar que a cidade ao norte de Mato Grosso era uma terra de oportunidades, e como a vida estava difícil no sul, resolveu enfrentar a estrada em busca de uma vida melhor. “Depois que separei de minha esposa, fiquei sem rumo, e com muitas dificuldades financeiras, foi ai que resolvi vir para Sorriso, com o sonho de conseguir algo melhor”.

No caminha ele conta que por muitas vezes comeu comida azeda, chegou a ficar mais de uma semana sem tomar banho e dormia em paradas de ônibus, sofreu violência apenas uma vez, logo que chegou em Cuiabá, quando dois menores levaram dele os pertences que trazia consigo, o deixando apenas com as roupas do corpo e os documentos pessoais.

Na polícia, nenhuma passagem, mesmo morando na rua a dois anos, convivendo com a fome, ele confessa que não gosta de pedir, tenta ao máximo trabalhar para conseguir a sua alimentação do dia, mas que muitas vezes, principalmente no período de chuvas, teve de procurar comida no lixo, mas tomar o que não é seu, ele diz que nunca passou por sua cabeça. “Nos momentos que maior desespero, nunca pensei em roubar ninguém, nessas horas procuro comida no lixo”.

Questiono se ele se arrepende de ter vindo a Sorriso, e imediatamente responde negativo, Rogério ainda acredita que vai conseguir construir uma vida digna, com direito a uma casa. “Só tenho um sonho, e vou construir ele aqui, vou ter ainda uma casa onde morar e vou ser feliz em Sorriso”.

Agora, como seria conviver com tanto luxo, tanta riqueza e ter tão pouco, Rogério polemiza na resposta. “Não tenho inveja nenhuma quando passou por uma mansão por quando vejo alguém com um carro bonito, muitas dessas pessoas são mais tristes do que eu, aprendi que a felicidade não depende das coisas que eu tenho, e a maioria das pessoas não tiveram o privilegio de aprender isso”. concluiu.

 
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