Agência da Notícia

Há 14 anos no MT

Agência da Notícia, Sexta-feira 23 de Agosto de 2019

2 3
:
1 9
:
1 6

Notícias / Artigos e Opinão

20 Jul 2016 - 15:40

Prefeito? Risco total

Agência da Notícia com Onofre Ribeiro

Publicidade

 Hoje é a data a partir da qual já podem ser realizadas as convenções partidárias para a escolha e oficialização dos candidatos a prefeitos e vereadores em todo o país, com vistas à eleição de outubro. O clima em outras épocas era de efervescência imensa e as disputas a ferro e fogo. Agora, nem ferro e nem fogo. No máximo ambiente morno. Alguma coisa muito diferente está acontecendo nas eleições de 2016. Vale a pena raciocinar um pouco, embora o assunto seja muito maior do que o espaço deste artigo.

Ser gestor público no Brasil tornou-se tão arriscado quanto pular de avião sem paraquedas. A população politiza-se e se torna muito cobradora e exigente. Os recursos públicos diminuem gestão após gestão. Os mecanismos de controle se aprimoram e apertam cada vez mais os prefeitos e as prefeituras. Os prefeitos não se elegem pelos seus pobres partidos, mas por meio de coligações que os enforcam depois na luta pela sobrevivência dos vereadores e as quase inúteis câmaras de vereadores.

Sem contar as cobranças e as esperanças da população local, sobre a cabeça dos prefeitos pesam dois monstros muito poderosos e predadores: a gestão estadual e a gestão federal. O município é o elo mais pobre e o mais fraco na corrente do chamado pacto federativo. A Constituição de 1988 concebeu o sistema que fortalecia a União concentrando nela os principais poderes e a arrecadação dos impostos. Foi um romantismo criado depois do fim do regime militar. Mostrou-se péssimo ao longo do tempo. Hoje a União tem poderes de mais, os estado menos poderes, e o município poder nenhum. Porém, é nela que se concentram todas as expectativas dos cidadãos. É na Rua X do município que o cidadão vive. É do prefeito e dos vereadores que ele cobra suas demandas.

Porém, nesse ambiente de terror em que vivem os prefeitos, controlados, fiscalizados e vigiados pelos órgãos controladores e pelas demandas da sociedade, sem recursos e cheios de problemas que serão eleitos os 141 prefeitos de Mato Grosso. A maioria do que terminam o mandato saem muito mal. Dos que entrarão, a maioria sairá mal, serão cassados, quase apedrejados pela sociedade e pelos órgãos de controle. Gerenciar municípios é a “Geni” da política brasileira. Talvez essa percepção de terror, explique a falta de calor nas discussões eleitorais de 2016.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br

Inserir comentário

0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião da Agência da Notícia. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Agência da Notícia poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.
Comentários com mais de 1300 caracteres serão cortados no limite.

 
Sitevip Internet