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1 Ago 2016 - 17:10

Nós e a guerra estratégica – final

Agência da Notícia com Onofre Ribeiro

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 Encerro esta serie de três artigos sobre a ferrovia bioceânica chinesa que está em fase de projetos ligando o litoral do Atlântico no Rio de Janeiro ao litoral do Pacífico no Peru. Estaremos diante de uma profunda revolução no Brasil, especialmente do Centro-Oeste pm o que vai acontecer. Abaixo vão algumas considerações sobre as futuras relações entre a China e Mato Grosso.

Neste ano a empresa Hunan Dakang e sua controladora Pengxing adquiriram 57% da participação na trade Fiagril, com sede em Lucas do Rio Verde e um importante player no setor. Proposta: aumentar a industrialização, agregar valor à soja e ao milho na região, antes de transportá-lo futuramente para o porto de Shangai. Agregar valor à produção é o próximo e maior desafio estadual. Aqui entra um dos pontos mais sensíveis da engenharia geopolítica chinesa. Na medida em que começa a fazer joint-ventures (parcerias empresariais) na região, os chineses vão comprando terras assim que o projeto for aprovado no Congresso Nacional, e estabelecendo um território econômico ao longo do trecho da ferrovia, num raio bastante grande. A idéia é criar uma bolha de renda, de negócios e de empregos. Farão financiamentos empresariais em outros moldes...

Levando 57 milhões de toneladas de alimentos por ano, no começo, a ferrovia vai trazer na volta produtos chineses. Isso, porque criando uma zona rica no interior do Brasil e do Peru através da industrialização de produtos agropecuários, abre-se junto um mercado importador de objetos chineses: máquinas, tratores, químicos, automóveis, tratores, eletroeletrônicos, medicamentos, etc. Isso representará uma confusão entre a lógica do comércio mundial para o Brasil hoje e o do futuro. Sem contar a atual logística de transportes que mudará completamente. Tempos novos!

De outro lado, a presença chinesa por aqui será inevitável. Na Fiagril já tem executivos e funcionários vindos da China para participar da administração da trade. Na construção da ferrovia, engenheiros, técnicos e administrativos. Não voltarão pra lá. Aos poucos uma colônia chinesa por essas bandas.

O tema ficará em aberto. Como ação gera reação, certamente muitas coisas mudarão a partir daí nos próximos anos, com poderosos efeitos na logística, na economia, na política, na sociedade, no ambiente de negócios e na nossa vida.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br

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