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Notícias / Educação

8 Nov 2016 - 21:20

Alunos pedem doações para ajudar professores com salários parcelados

Servidores do Executivo, educadores convivem com parcelamento. Sem dinheiro, eles têm dificuldades para ir ao trabalho e comprar comida.

Do G1

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 Alunos de uma escola estadual de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, foram às ruas da cidade para pedir dinheiro para ajudar professores. A realidade dos educadores do Colégio Estadual Doutor Wolfram Metzler é semelhante a de outros servidores do Executivo do Rio Grande do Sul, que já tiveram os salários parcelados em nove dos 11 meses de 2016.

Por conta dos parcelamentos, muitos deles estão com dívidas. Sem dinheiro, os professores têm dificuldade para comprar comida e também para se deslocar para o trabalho. Por isso, os estudantes se organizaram em um ato de solidariedade aos mestres, como mostrou a reportagem exibida nesta terça-feira (8) pelo Jornal do Almoço, da RBS TV.

“A nossa turma tem 30 alunos e muitos deixam de vir pelo fato de não ter professor. Hoje, a situação da escola está bem complicada. A gente entende eles, mas por outro lado a gente vê que está sendo prejudicado. O conteúdo fica pra trás, né”, lamenta o estudante Claiton Djeimes Matos, que está no segundo ano do ensino médio.

Ao pedir dinheiro nas ruas da cidade, os estudantes encontraram uma maneira de ajudar os professores e de fazer um alerta para a crise que afeta a educação.

Além da ajuda para o transporte, os alunos também decidiram fazer uma campanha para arrecadar alimentos. Uma empresa de Novo Hamburgo se comprometeu a doar cestas básicas. Se não fossem essas doações, muitos professores teriam dificuldade em colocar comida na mesa neste mês.

“É um reconhecimento do nosso trabalho. É desmotivador a gente ter que implorar um direito. A gente está pedindo apenas que ele [governador José Ivo Sartori] arque com o dever dele. Ver o apoio deles é bacana, é ver que o nosso trabalho surte efeito e que eles olham pra gente como um referencial”, desabafa a professora de artes Thais Behrendsen.

A diretora da escola relata que o clima entre os 67 professores é de desmotivação e que o impacto na vida emocional dos professores é “muito grande”, porque eles estão com dificuldades para pagar aluguel, ir ao supermercado e honrar as contas. Por causa disso, o número de faltas entre os estudantes aumentou.

“A equipe toda está desmotivada. A vontade é de não vir mais, sabe. A gente precisa que o governo coloque os salários. O magistério não pode pagar essa conta, a gente precisa que isso seja resolvido”, conta a diretora Soedi Terezinha de Azeredo.

Quando a campanha terminar, o dinheiro arrecadado será dividido entre os professores que mais precisam. E os jovens prometem mobilizar alunos de outras escolas da cidade.

“A gente está mobilizando todas as escolas estaduais aqui da região para fazer um evento grande. A gente está do lado dos professores. A gente não quer greve. A gente quer ajudar eles pra gente não ser prejudicado. Tem vestibulares, vai ter muitas coisas pela frente, e a gente vai acabar perdendo por causa disso”, conclui um estudante do colégio Wolfram Metzler.

A Secretaria Estadual da Educação disse que lamenta a situação constrangedora enfrentada pelo governo gaúcho, de não ter condições para arcar com o pagamento integral de seus servidores. Disse ainda que o estado trabalha no corte de despesas e de outras medidas cabíveis para reverter a situação.

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