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1 Mar 2017 - 17:20

Mais do que aviões de carreira

Agência da Notícia com Redação

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 A frase aproveitada tem quase um século. É de autoria de um gaúcho, que pode ter nascido no Uruguai, mas foi registrado no Rio Grande do Sul, sem referência a sua cidade natal. Refiro-me a Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, também conhecido por Barão de Itararé. Ele insinuava que o céu estava mais pra crises do que pra comemorações. Tomo a sua frase emprestada pra aplicá-la neste momento da vida nacional. Tem no céu muito mais do que aviões de carreira e urubus.
Construimos no Brasil um sistema de poder político baseado no uso safado do Estado pra justificar a não-construção de um projeto de nação. Vamos explicar isso. Desde que foi descoberto, o Brasil foi administrado de casuísmo em casuísmo. Melhor dizendo: em nenhum momento dos 517 anos se construiu um projeto de nação. Melhor dizendo ainda: nunca nos preocupamos com o futuro do Brasil! Qualquer um serviria, desde que servisse aos sistemas políticos que nos governaram nas diversas épocas.
Aqui abro um parêntese pra fazer justiça. No período dos militares, entre 1964 e 1985, tentou se construir um projeto de nação. Mesmo assim não foi por bondade. Foi por uma ideologia muito antiga: o positivismo. Trazido ao Exército brasileiro pelo ministro da Guerra, Benjamin Constant em 1890, O positivismo está impresso na bandeira do Brasil como “Ordem e Progresso”, por influência do Marechal Floriano Peixoto. A filosofia do positivismo pregava em tese a ditadura. Para os militares do Brasil, a Ordem é necessária para que haja o Progresso. Melhor dizendo: o povo não é capaz de se auto-governar. Precisa ser governado com mão forte pra que o progresso aconteça.
O regime militar trouxe pra o governo brasileiro o pensamento positivista. A ordem através do sufocamento da política fisiológica, o progresso induzido através de um planejamento oficial centralizado no coração do poder. Os militares governaram o Brasil desse modo. O planejamento centralizado foi uma realidade visível. O defeito do regime foi a política que eles jogaram no segundo plano e tentaram governar pela força do seus planos de “Progresso”. Da “Ordem” eles cuidavam com suas baionetas e canhões. Bem ou mal, o planejamento funcionou e o Brasil entrou no mapa mundial como nação em desenvolvimento.
No próximo artigo, de amanhã, gostaria de discutir a questão das ideologias no Brasil. Mas por hoje, a idéia é trazer aqui a impressão de que o Brasil está de cabeça pra baixo, saindo dos trilhos da política dos casuísmos. Claro que não sairá do dia pra noite e, claro também, que não sairá fácil. O atoleiro é fundo e longo.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
onofreribeiro@onofreribeiro.com.br
www.onofreribeiro.com.br

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