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14 Set 2018 - 10:15

Alunas da UFMT relatam assédio sexual dentro da universidade e reclamam da falta de segurança

Estudantes relatam que além do assédio, são perseguidas e ameaçadas.

G1/MT

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Alunas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Cuiabá, relatam que estão sofrendo assédio sexual dentro da universidade e que, apesar do local possuir vigias, se sentem inseguras.

Durante uma reunião realizada nessa quarta-feira (12) com representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE), diretores de unidades acadêmicas e a Coordenação de Segurança da UFMT, a universidade apresentou propostas para aumentar a iluminação e o número de vigias, além do retorno das rondas policiais dentro do campus e campanhas para que os alunos saibam como lidar com essas situações.

Ao G1 uma estudante de Saúde Coletiva, 29 anos, que pediu para não ser identificada, contou que há duas semanas ela e outras duas colegas que cursam Biologia foram assediadas e perseguidas por um homem próximo ao bloco de Direito.

“Encontrei as meninas correndo e chorando. Quando perguntei o que tinha acontecido, elas me disseram que um homem mostrou o órgão genital e cuspiu nelas. Fomos caminhando até o guarda para contar o que houve e o homem veio atrás de nós fazendo ameaças”, contou.

Segundo a estudante, na semana passada o mesmo homem entrou no banheiro feminino do bloco de Saúde Coletiva e assediou outras meninas. Na mesma semana, ela encontrou o homem com a mão nos órgãos genitais e tentou despistar ele.

“Ele é jovem e é facilmente confundido com outros estudantes. Já avisamos os vigias, mas eles disseram que não podem fazer nada, pois são guardas de patrimônio”, disse.

Outra estudante, de 19 anos, disse que está sendo perseguida há mais de uma semana por dois homens em um carro, dentro da universidade. Segundo ela, o caso se repetiu nessa quarta-feira (13).

“Isso acontece de manhã, quando estou sozinha. Um deles fica me encarando e dando um sorriso irônico. Ontem chegou perto de mim e disse alguma coisa, mas eu estava de fone e não ouvi e saí de perto o mais rápido possível. Tenho muito medo”, relatou.

De acordo com as estudantes entrevistadas pelo G1, ainda não houve registro de boletim de ocorrência, pois têm vergonha. No entanto, a universidade já foi informada sobre os acontecimentos.

Repercussão
Nas redes sociais, uma página publicou nesta semana, através dos chamados 'stories', relatos de alunas que sofrem ou já sofreram assédio sexual dentro da universidade. Mais de 20 relatos já foram publicados.

“Meninas, cuidado quando forem andar pela UFMT sozinhas. Hoje, 17h, fui seguida por um cara dentro do campus Cuiabá e ele só não fez nada porque apareceram outras pessoas no meio do caminho. Então tomem muito cuidado”.

Já em outra publicação, uma outra aluna disse que na terça-feira (11) foi perseguida desde o bloco de Administração até o banheiro.

“...percebi que tinha um cara me seguindo. Eu fui ao banheiro, me acalmar sobre a situação porque podia ser coisa da minha cabeça e então olhei no espelho e ele estava próximo do banheiro feminino me encarando. Eu saí de lá e comecei a dar passos mais rápidos em direção ao Instituto de Linguagens (IL) e, por ser escura essa região, eu fiquei mais assustada”, relatou.

Caso antigo

Uma ex-aluna de Educação Física da UFMT contou que os casos de assédio sexual dentro da universidade acontecem há muito tempo e que ela também já foi vítima.

De acordo com a educadora física que preferiu se identificar apenas como Karla, ela sofreu assédio dentro do salão de ginástica da universidade em 2012.

“Estava esperando alguns amigos para ensaiar e deixei a porta apenas encostada. De repente apareceu um cara e disse que era aluno novo e estava conhecendo o lugar. Ele perguntou se eu estava sozinha e se meus amigos já estavam chegando e, de repente, ele segurou o meu braço com força e colocou uma mão dentro da calça”, contou.

Segundo Karla, ela ficou assustado e hesitou em gritar, pois ao lado do ginásio estavam pessoas acompanhando um jogo.

“Acredito que ele tenha se assustado, em seguida me soltou, pediu perdão e saiu correndo. Se eu o encontrasse hoje, iria reconhecê-lo”, disse.

A ex-aluna disse que não teve reação no momento e que, logo depois, chegaram alguns amigos dela e deram apoio emocional.

Segundo ela, à época recebeu o apoio do coordenador e foi informada que a segurança do campus era falha. Ela disse que se sentiu insegura até o fim do curso.

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