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Notícias / Geral

7 Nov 2018 - 08:51

Funai estuda capturar e remover onças que ameaçam comunidades indígenas no Parque Xingu

Essas ocorrências levaram o ICMBio e a Funai a estudar ações conjuntas para coibir ataques a pessoas.

Redação

Reprodução/Ilustrativa

 (Crédito: Reprodução/Ilustrativa)

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A morte do pajé Kuanap Kamayurá, uma senhora de 56 anos, por causa do ataque de uma onça pintada (dia 09 de maio) causou tristeza e preocupação em quatro comunidades indígenas do Alto Xingu, em Mato Grosso. Nos últimos meses aumentou o número de onças vistas perto das aldeias, o que é raro de acontecer. Essas ocorrências levaram o ICMBio e a Funai a estudar ações conjuntas para coibir ataques a pessoas nas comunidades. 

Para planejar a captura e remoção de uma das onças, a que mais vezes foi vista perto das aldeias, o presidente substituto da Fundação Nacional do Índio e diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável, Rodrigo Faleiro, recebeu o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Paulo Carneiro, na última quarta-feira (30). Estiveram presentes na reunião Rosana Subirá, coordenadora-geral do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio) e servidores do Instituto e da Fundação.
 
Rodrigo Faleiro falou sobre a importâncias dessas parcerias entre o ICMBio e a Funai. "Ambos os órgãos estão trabalhando juntos no planejamento da captura e remoção daquelas onças, e também no estudo das condições que possam causar prejuízos à biodiversidade e à proteção das comunidades indígenas. Realizamos a cooperação por meio de operações diretas em áreas cujas atuações governamentais se interpõem, como é o caso das Terras Indígenas e Unidades de Conservação", disse o presidente substituto.

"Não têm acontecido muitos casos de ataque fatal de onça a indígenas. As pessoas nas aldeias dizem que isso não acontece em nenhum lugar. É raríssimo. A morte da senhora Kuanap Kamayurá trouxe um medo muito grande", disse Rogério Cunha de Paula, analista ambiental do ICMBio. Depois dos recentes ataques, os indígenas começaram a perceber que estão vulneráveis, conta o analista ambiental. Ele integrou a equipe que fez a identificação das onças nas aldeias Yawalapiti, Ipawu, Piyulaga e no Posto de Serviços Médicos Leonardo Villas-Bôas, lugar onde ocorreu o acidente com a pajé. 

Por que os ataques?

A partir da informação dos ataques feita pelo Instituto Socioambiental (ISA), a equipe do ICMBio buscou o contato com a Funai e começou a investigar as ocorrências envolvendo pessoas e animais domésticos nas aldeias Waurá e Kamayura. O propósito é tentar desvendar por que essas onças estão chegando tão próximas às aldeias e o quanto isso representa de risco para as comunidades indígenas.

Acompanhada por técnicos da Funai, A equipe do ICMBio avaliou as questões ecológicas e ambientais que pudessem ter influência sobre os ataques, o que não é normal no contexto da relações entre indígenas e animais silvestres. "Para muitos indígenas, a onça representa um elemento sagrado. Para outros, essa parte do sagrado se perdeu e eles passaram a considerar a onça como um problema a ser eliminado. Assim, nós trabalhamos tentando ver toda relação da onça com os povos do Alto Xingu. E também mapeamos o quanto que existia de relação negativa, da onça representando o medo", relata Rogério Cunha.
 
Na expedição de identificação das onças, a equipe instalou as armadilhas fotográficas em 20 locais diferentes. A medida serviu para avaliar a frequência com que esses bichos aparecia nas áreas ao redor e entre uma aldeia e outra. Essas câmeras registraram duas fêmeas de onça pintada e um macho considerado animal-problema, além de ser o suposto responsável pelo ataque à pajé Kamayurá. Ele foi o animal mais registrado pelas câmeras rondando o perímetro das aldeias. As câmeras foram instaladas nos seguintes locais:

Também foram feitas 29 entrevistas com indígenas da região onde aconteceram os acidentes envolvendo pessoas e animais domésticos, como os cães.

As equipes consideraram quatro aspectos para o risco de ataques: 
 
1. rotina diária dos indígenas: se elas saem para as roças juntas ou sozinhas, se elas vão acompanhadas ou não para o banho na lagoa, ou se passam por muitos locais de mata fechada, por exemplo;

2. ocorrências de onças: frequência com que estes animais rondavam as aldeias;

3. distância da aproximação das onças em relação às aldeias;

4. número de cães atacados pelas onças.


Manejo da onça-problema

No curto prazo, o analista ambiental do ICMBio afirma que a providência a ser tomada é identificar, capturar e remover o animal-problema: a onça macho [da imagem em preto e branco na capa] responsável pelos ataques e cuja presença tem sido frequente nas aldeias. Com data prevista para o dia 26 de novembro deste ano, a remoção desse animal será realizada para um criadouro de onças próximo a Brasília-DF. Na operação deverá haver a participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

A médio e longo prazos, deve-se buscar o manejo dos fatores que estão levando as onças a chegarem perto das aldeias. Entre esses fatores estão o aumento do desmatamento e das queimadas nos limites do Parque Indígena do Xingu. Rogério também recomendou que se realizem atividades de educação com os indígenas para reduzir o medo dessas pessoas a respeito das onças.

Em três meses de operação de identificação, não houve nenhum ataque de onças aos cachorros das aldeias. Esse é um dos motivos por que o especialista defende a observação do comportamento das outras onças, principalmente em relação aos cães. O ICMBio vai definir ainda quais as onças que também devam ser capturas e quais outras devam ser monitoradas.

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