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Notícias / Geral

26 Jan 2019 - 09:43

Lama da Vale invade Brumadinho: ao menos 9 mortos e até 300 desaparecidos

Presidente da Vale diz que espera tragédia humana muito maior do que foi a de Mariana; acidente de 2015 deixou 19 mortos

Da redação, com AFP

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Uma barragem de contenção de resíduos da mineradora Vale se rompeu nesta sexta-feira (25) na região de Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte, deixando ao menos nove mortos, pouco mais de três anos depois do rompimento de outra represa no mesmo estado provocar a pior tragédia ambiental do Brasil.

“Segundo dados confirmados pelo Corpo de Bombeiros neste sábado, 26,, já foram encontrados nove corpos de vítimas” e “até 300 pessoas podem estar desaparecidas” após a ruptura da barragem, informou o Governo de Minas Gerais.

Mais cedo na sexta-feira, a mineradora Vale, responsável pela barragem, informou que havia 300 funcionários trabalhando no local e cerca de 100 já haviam sido localizados. “Havia funcionários na área administrativa, que foi atingida por resíduos”, reportou a companhia.

A mineradora acrescentou que “a prioridade total neste momento é preservar e proteger a vida de empregados e de integrantes da comunidade”. “Ainda não sabemos a magnitude dos danos pessoais e ambientais, mas seremos muito rigorosos”, declarou à AFP o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que está a caminho de Belo Horizonte.

Segundo o ministério do Meio Ambiente, no início da tarde de sexta-feira três represas se romperam na mina Córrego do Feijão, situada em um afluente do rio Paraopeba, na bacia do São Francisco”.

“Como dizer que aprendemos?”
Pouco depois, no fim da tarde de ontem, o presidente da Vale, Fábio Schvartsman, declarou que “uma única barragem” se rompeu e outra “transbordou”. Em entrevista coletiva a jornalistas, o executivo lamentou o corrido, se dizendo “dilacerado”, e alertou que espera uma tragédia humana muito maior do que foi a de Mariana: “Estamos falando de uma quantidade grande de vítimas, mas possivelmente o dano ambiental será menor”, disse ele.

Mais cedo, quando foi abordado por jornalistas na sede da Vale, Schvartsman já havia lamentado o acidente:

“Como vou dizer que a gente aprendeu (após o acidente de Mariana) se acaba de acontecer um acidente desses? O que posso dizer foi o que a gente fez depois do acidente. Viramos todas as barragens do avesso e contratamos as melhores auditorias do mundo para verificar o estado de todas elas. Fizemos tudo que a gente entende que era possível para garantir a segurança e a estabilidade. O fato é que não sabemos o que aconteceu e o que ocasionou, mas certamente vamos descobrir”, afirmou.

Rompimento da barragem
A companhia Vale reportou, em um comunicado, que o rompimento de uma barragem na Mina Feijão, em Brumadinho, ocorreu no começo da tarde e que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco, sem confirmar feridos no local.

Imagens aéreas divulgadas pelos bombeiros mostram impressionantes rios de lama avançando sobre grandes superfícies de vegetação, e vídeos exibem casas destruídas e carros revirados.

Pelo Twitter, o presidente Jair Bolsonaro lamentou o ocorrido e informou ter enviado ao local os ministros de Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e o secretário nacional de Defesa Civil, Alexandre Lucas Alves.

“A represa se rompeu e destruiu tudo, não restou nada”, diz uma testemunha, em um vídeo que circula nas redes sociais, mostrando uma zona devastada.

Gabinete de crise
Bolsonaro anunciou a formação de um “gabinete de crise” com ministros e autoridades de Minas Gerais.

O presidente, que chegou ao Brasil pela manhã de sexta-feira após participar do Fórum Econômico Mundial de Davos, informou que viajará nas primeiras horas do próximo domingo à Minas, para sobrevoar a região e avaliar “todas as medidas pertinentes e possíveis destinadas a paliar o sofrimento dos familiares e de possíveis vítimas”.

Autoridades locais enviaram para o local cinco helicópteros para os trabalhos de resgate.

A Bolsa de São Paulo estava fechada na sexta-feira devido ao feriado pelo aniversário da cidade, mas as ações da Vale em Nova York caíam 10% no meio da tarde.

O município de Brumadinho, com 39 mil habitantes, pediu pelas redes sociais que a população se afaste do rio Paraopeba, sobre o qual estava construída a barragem.

A localidade fica a 16 km do museu a céu aberto de Inhotim, que foi evacuado preventivamente, informaram as autoridades locais.

Em 2015, o rompimento de uma barragem de rejeitos de minério da companhia Samarco (controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP-Billiton) no município de Mariana, a 125 km de Brumarinho, deixou 19 mortos.

A enxurrada de lama chegou ao rio Doce e atravessou os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, onde chegou ao mar, com consequências desastrosas para a vida de milhares de habitantes.

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