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Notícias / Polícia

8 Mar 2019 - 09:18

Empresário estava negociando delação e sofreu ameaça

Wagner Florêncio Pimentel era investigado por envolvimento no desvio de R$ 140 milhões

Mídia News

Reprodução

A delegada Jannira Larenjeira, que está à frente do caso (Crédito: Reprodução)

A delegada Jannira Larenjeira, que está à frente do caso

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A Polícia Civil informou nesta quinta-feira (7) que o empresário Wagner Florêncio Pimentel, acusado de participar de um esquema de sonegação de R$ 140 milhões e que foi assassinado em janeiro em Cuiabá, havia sido ameaçado em outubro do ano passado.

 

Segundo a delegada Jannira Laranjeira, que investiga o caso, a ameaça também teria sido uma extorsão e partiu de uma pessoa que, como a vítima, fora investigada pela Operação Crédito Podre, deflagrada pela Delegacia Fazendária (Defaz) para investigar o esquema.

 

“O Wagner sofreu uma espécie de extorsão e ameaça por uma pessoa que foi monitorada pela Defaz. Então a investigação também está buscando [saber] se existe vínculo entre essa pessoa e os que praticaram o homicídio”, explicou.

 

A delegada também explicou que, de acordo com o depoimento da esposa da vítima, Wagner estava negociando uma delação premiada com o Ministério Público Estadual.

 

Jannira, no entanto, falou que não tem nenhuma informação oficial sobre se existe ou não esta delação.

 

“Não temos conhecimento oficialmente. Segundo ela [a esposa], Wagner estava em uma tratativa com o Ministério Público, mas não foi reportado nada nesse sentido nos autos do inquérito que investiga o homicídio”, disse a delegada.

 

Para a Polícia, de acordo com Jannira, é provável que o interesse pela morte do empresário esteja relacionado com a suposta delação negociada por ele.

 

Sigilo

 

De acordo com a delegada, o inquérito está sob sigilo, pois existe a “celeuma” de que o caso esteja vinculado a uma queima de arquivo, que, por sua vez, tem ligação com uma investigação, a da Operação Crédito Podre.

 

“Enquanto estivermos investigando e enquanto existir possibilidade de se ter mandantes vinculados a crimes de sonegação fiscal, que envolvem milhões, ainda vamos trabalhar nesse sentido [com o sigilo], principalmente nessa segunda fase”, afirmou a Janira.

 

A delegada explicou que espera concluir o caso em 30 dias ou prorrogar a prisão temporária dos quatro suspeitos detidos nesta quinta-feira (7).

 

“Estamos trabalhando as informações que chegam à delegacia de forma anônima. Com as apreensões e o desenrolar, esperamos concluir em 30 dias ou prorrogar a prisão temporária, se for o caso”, avaliou.

 

Operação Crédito Podre

 

Deflagrada no dia 7 de dezembro de 2017 pela Polícia Civil, a Operação Crédito Podre indiciou 18 integrantes do esquema de sonegação.

 

Todos responderam por crimes de organização criminosa, falsidade ideológica, falsificação de documentos, uso de documento falso, uso indevido de selo público e sonegação fiscal.

 

As investigações da Polícia Civil, desenvolvidas em conjunto com a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), levantaram que mais de R$ 1 bilhão de grãos saíram do Estado de Mato Grosso sem o devido recolhimento do ICMS, deixando prejuízo estimado em R$ 143 milhões, entre os anos de 2012 a 2017.

 

De acordo com a delegada, Wagner vendia notas fiscais para um grupo do setor do agronegócio, portanto, quando ele foi preso, essas pessoas tiveram que pagar pelos valores sonegados.

 

“Ele [Wagner] fazia a prática na atividade financeira do Estado. Ele fazia toda a forma de tramitação daquela empresa, que deixou de pagar os impostos [com o esquema]. Mas posteriormente teve que recolher os impostos sonegados”, explicou.

 

O montante de dinheiro que o Estado deixou de arrecadar, no esquema que envolveu 30 empresas de fachadas ou fantasmas, constituídas com o objetivo de promover a  sonegação de impostos, poderia ser investidos na aquisição de 753 leitos de UTI;  938 viaturas policiais; construção de 72 escolas; e 1.400 casas populares

 

Suspeitos

 

Mandados de prisão foram cumpridos nesta quinta-feira (7) contra Wellington Lemos Guedes Castro e Rosiele Fátima da Silva, que, segundo a Polícia Civil, teriam monitorado os passos da vítima no dia do crime.

 

Também foi alvo um homem acusado de pilotar a motocicleta usada no dia do crime. Este homem foi ouvido e liberado pela Polícia.

 

Ainda são acusados Adão Joasir Fontoura, suposto executor, e Dayane Pereira Fontoura, que teria sido vista em um veículo passando ao lado do carro da vítima já morta.

 

Segundo a Polícia, Adão preso em sua casa, no Bairro Santa Laura, em Cuiabá, com um revólver calibre 22. Ele está sendo autuado também em flagrante por posse irregular de arma de fogo.

 

O suspeito também já foi preso por homicídio do médico César dos Santos Brambila, em janeiro de 2002. Adão ostenta antecedentes criminais por outros crimes da mesma natureza (homicídio e lesão corporal).

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