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19 Ago 2019 - 10:40

Barbudo diz não ter intenção, mas se for candidato é para ganhar

Deputado federal espera que o partido encontre um nome que possa disputar ao Alencastro em 2020

Mídia News

Alair Ribeiro/MidiaNews

 (Crédito: Alair Ribeiro/MidiaNews)

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Presidente do PSL em Mato Grosso, o deputado federal Nelson Barbudo admite que o partido o tem como uma espécie de “carta na manga” para uma disputa à Prefeitura de Cuiabá nas eleições do próximo ano. Muito disso em função de seu desempenho no último pleito, quando foi eleito como o federal mais bem votado de Mato Grosso.

 

Em entrevista ao MidiaNews, Barbudo, de 59 anos, afirmou que, ao menos por ora, não está em seus planos concorrer ao Alencastro. Ele defende que a sigla trabalhe um nome até outubro de 2020 e que, de preferência, tenha maior penetração na Capital, já que ele é da região Sul do Estado.

 

De todo modo, o deputado se coloca como um “guerreiro” do PSL e diz que, se for necessário, pode disputar o cargo.

 

“Não é demagogia, não estou jogando confete, eu não tenho essa pretensão de Executivo. Vamos avaliar, vamos fazer pesquisas. Jamais serei um candidato por ser candidato, sem ter condições reais. Não entro em política para perder. Não que eu seja o ‘dono da cocada preta’”, disse.

 “Mas precisa ser feito todo um levantamento, montada a estratégia. Dentro deste planejamento estratégico, se eu estiver bem na pesquisa e analisando os outros candidatos, tiver chance real, tem essa possibilidade”, acrescentou ele.

 

Ainda durante a entrevista, o deputado falou de alguns posicionamentos e declarações polêmicas dadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), de quem ele é vice-líder na Câmara.

 

“O povo votou a favor do Bolsonaro porque realmente estava cansado do politicamente correto. Em tese, se eu fosse conselheiro do presidente, eu ia pedir pra ele maneirar em 10% do que ele fala. Mas os 90% restante está certo”, opinou.

 

Barbudo também dá suas impressões sobre o governo Mauro Mendes (DEM) que, para ele, tomou algumas decisões “unilaterais” no primeiro semestre deste ano. Especialmente no trato com o setor do agronegócio, onde o deputado observou “ausência de diálogo”.

 

Leia os principais trechos da entrevista:  


MidiaNews – Recentemente, o senhor foi aventado – inclusive pela Revista Época – como um nome forte para ser candidato a prefeito de Cuiabá em 2020. Há essa pretensão?

 

Nelson Barbudo – Essa história começou realmente com a reportagem da Revista Época, onde nosso presidente nacional [Luciano Bivar] fez um trabalho buscando informações sobre os possíveis candidatos nas capitais. E, em eu tendo 8,5% dos votos do Estado, cogitou-se meu nome. Mas, até então, não tenho essa predisposição. Eles entraram em contato comigo e eu estou aguardando, pois ainda teremos uma reunião quanto a essa demanda. Mas, a princípio - não é demagogia, não estou jogando confete -, não tenho essa pretensão de Executivo.

 

Mas sou um guerreiro do PSL. Eu já havia me pronunciado no sentido de que não teria intenção de ser candidato e continuo não querendo. A não ser que não tenha outra opção. Agora, nós estamos trabalhando para que eu fique no Legislativo e para que tenhamos um nome a altura aqui em Cuiabá. Se aparecer um nome, estou fora.

 

MidiaNews –  Mas, não aparecendo esse nome e havendo um pedido do presidente do PSL e do presidente da República Jair Bolsonaro, o senhor vai para o jogo?

 

Nelson Barbudo – Nós vamos avaliar, vamos fazer pesquisas. Jamais serei um candidato por ser candidato, sem ter condições reais. Não entro em política para perder. Não que eu seja o “dono da cocada preta”. Mas precisa ser feito todo um levantamento, montada a estratégia, vista a equipe de apoio, a equipe que vai estar junto com a gente. Dentro deste planejamento estratégico, se eu estiver bem na pesquisa e analisando os outros candidatos, se eu tiver chance real... Vou frisar novamente: estamos procurando um nome forte para o PSL. Se não acontecer nada e eu estiver bem, tem a possibilidade.


MidiaNews – O fato de o senhor não ser da Capital lhe traria dificuldades em uma eventual disputa? Acredita que “perde pontos” por isso?

 

Nelson Barbudo – Não vejo desvantagem, porque o povo brasileiro está procurando pessoas que tenham um perfil para o cargo. Evidentemente que tem um peso o “bairrismo”, a paixão, vamos dizer assim. O “peixe com maxixe” pode até ter uma influência. Mas, na visão ampla e geral da política moderna, as pessoas enxergando isso no político, tem a possibilidade. Hoje em dia, busca-se um gestor patriota, um gestor correto, que não seja contaminado com processos políticos de corrupção, de lavagem de dinheiro. E, nesses quesitos, eu, modéstia à parte, estou muito bem. Sou um político ficha-limpa. Então, tem os dois lados da balança para serem avaliados.

 

MidiaNews – Pelo discurso, nota-se que o senhor ainda está pisando em ovos, mas dá a impressão de que quer disputar. É isso mesmo?

 Nelson Barbudo – Eu vou ser sincero: se despontar qualquer outro nome, não estou querendo. No meu coração, posso até ir para a luta, mas gostaria que o PSL tivesse uma pessoa mais arraigada aqui na cidade, um empresário bem sucedido, honesto, que tenha sua filosofia pautada na ideologia do PSL. Preferia apoiar outra pessoa a disputar. Meu coração, no momento, ainda não está apaixonado por isso, não.

 

MidiaNews – Hoje o partido já teria esse nome de peso para disputa na Capital ou vocês apostam em novas filiações que possam vir a ocorrer?

 

Nelson Barbudo – Tenho recebido muitos telefonemas, várias pessoas me ligando querendo se filiar. Acho que essas novas filiações são o ‘start’. Vamos começar a estruturar um nome. Mas, por enquanto, vou ver sincero, não despontou um nome ainda no PSL.

 

MidiaNews – Um nome que tinha certa evidência era o do ex-deputado federal Victório Galli, que acabou deixando o partido. Não há chances de ele ter o apoio de vocês?

 

Nelson Barbudo – Não sei por que ele deixou o partido. Não tenho nada, nunca tive nada contra o Galli. Ele saiu espontaneamente, procurou o caminho dele e eu não tenho nada a falar sobre ele. Se ele tivesse ficado, eu sempre disse em entrevistas, que se o nome dele pautasse entre os candidatos, o PSL o apoiaria. Eu, enquanto presidente do partido aqui no Estado, sempre disse que não havia resistência ao nome do Victório Galli.

 

MidiaNews – Independente de quem seja o nome, o partido não abrirá mão de lançar candidatura própria na Capital? Há alguma orientação ou determinação da executiva nacional?

 

Nelson Barbudo – Eu tinha um tio com muitos mandatos de político - daí a minha veia política. Desde pequeno eu o ouvia falar que política é igual o céu: cada vez que você olha, as nuvens estão de um jeito. Então, não quero dizer que o PSL vai ter [candidato] porque isso é muito incisivo. Nós vamos batalhar. Agora, nada impede de haver uma composição.

 Vamos batalhar para a candidatura própria. Mas se, de repente, tivermos uma formação que pode ser vitoriosa tendo o PSL de vice, vamos colocar isso na executiva e avaliar. A vontade é 100% ter nosso candidato. Mas como eu disse, política muda muito. Há possibilidade de ser vice também. Não vou ser radical. Falar que não. Mas isso tudo depende de um acordo na executiva estadual. Não decido nada sozinho.

 

MidiaNews – Nessa possibilidade de coligar, qual seria o candidato “cabeça de chapa” ideal na avaliação do senhor?

 

Nelson Barbudo – O ideal é o PSL ter candidato. Aí não sei. Vamos supor que outro partido tenha um nome que está despontando e nós não conseguimos um candidato que dê combate a ele. Desde que não seja PT, Psol, PCdoB, os partidos esquerda ou de oposição ao Bolsonaro, nós podemos tentar compor.

 

MidiaNews – Existe alguma possibilidade de o PSL estar no arco de alianças de uma eventual candidatura à reeleição do atual prefeito Emanuel Pinheiro?

 

Nelson Barbudo – Vai depender da decisão da nossa executiva. Possibilidade tem. Falei desde o começo, não vou descartar nada. O Emanuel está no MDB. Pode ser. Agora, isso vai passar pela executiva, não sou eu que vou decidir. Não descarto nenhuma possibilidade. Só o tempo dirá.

 

MidiaNews – O senhor tem acompanhado a gestão dele? Acha que está fazendo um bom mandato?

 

Nelson Barbudo – Tenho acompanhado em partes. Não tenho muito tempo, fico pouco tempo aqui. Na gestão, tenho visto ele trabalhar bastante, tenho visto ele fazer várias inaugurações. Na gestão, não tenho nada contra o Emanuel. Não vou crucificar ninguém.

 

Sobre o problema dele [episódio do paletó] – antes que vocês perguntem –, ele não tem condenação. Enfim, a sociedade exige uma resposta. Mas como eu disse, tem a possibilidade, não estou dizendo que vai coligar. Eu, enquanto presidente do PSL, não tenho nada contra o Emanuel. Sempre me tratou muito bem, já me visitou em Brasília, enfim, sou das nuvens da paz. Não quero saber de rolo de vida pregressa de ninguém.

MidiaNews – É  inevitável que o prefeito saindo à reeleição, esse episódio do paletó – ainda que não haja condenação – será muito explorado pelos adversários. Não fica difícil uma coligação, já que o PSL diz fazer a "nova política"?

 

Nelson Barbudo – Mas você há de lembrar que eu falei que vai passar pelo crivo da executiva. E se ele não se encaixar dentro da ideologia política, não será feita a aliança. Não é por prazer, nem por gosto de algum membro da executiva que vai ocorrer. Se a conduta dele não estiver dentro do que prega o PSL, vai estar descartado.

 

MidiaNews – E, administrativamente, a cidade de um modo geral está caminhando bem?

 

Nelson Barbudo – Eu acho que Cuiabá precisava mesmo ter um administrador mais pujante. Temos que analisar a situação financeira do Estado, do País e do Município, consequentemente. É a mesma coisa quando me pedem para avaliar o governador Mauro Mendes. Eu tenho uma visão de que está indo bem. Agora, nós temos que admitir que o Mauro pegou um Estado quebrado. Idem, Bolsonaro. Idem, Emanuel Pinheiro. Não sei a fundo a arrecadação da Prefeitura, mas que Cuiabá poderia – se não houvesse esses problemas políticos – ser uma cidade muito mais bonita e muito mais organizada.

 

MidiaNews – A senadora Selma Arruda, sua colega de partido, teve o mandato cassado pelo TRE e agora o caso está no TSE. O senhor sempre foi colocado como possível candidato ao Senado caso ela perca o mandato definitivamente. Ainda há essa possibilidade?

 Nelson Barbudo – Sempre respondi que não sou candidato ao Senado. A Selma tem mandato. Não posso enterrar defunto vivo. Foi aventado. Se, por ventura, esses fatos se concretizarem - Deus me livre porque sou um amigo, irmão da Selma, desejo os oito anos de mandato a ela –, o PSL vai se reunir e, se a executiva achar que eu sirvo, coloco meu nome.

 

Mas veja bem: a Selma não foi cassada! Mas, na hipótese de ser, vou tentar sim ir para o embate, porque o PSL não pode ficar sem um senador.

 

MidiaNews – De uma maneira geral, qual avaliação o senhor faz da administração do governador Mauro Mendes? Como vê as medidas que ele tem adotado, como não conceder aumento salarial, tentar conter as despesas...?

 

Nelson Barbudo – Na minha visão, ele não deu aumento salarial porque é ilegal. Não estou contra os professores, mas até onde sei, juridicamente, não deu aumento porque aí a bronca cairia em cima dele e acho que nenhum gestor faria isso. Os professores têm razão? Tem porque havia uma lei. Mas ela extrapola outra lei. O Mauro Mendes não pode ficar acima da lei. Portanto, precisa ser esclarecido bem isso.

 

Agora, uma crítica que faço é que, na minha visão, para estruturar o Estado, ele está judiando da galinha dos ovos de ouro. Eu acho que ele precisaria conversar mais com a classe do agronegócio porque impondo mais impostos, como é o plano fiscal dele, ele está judiando de uma classe que sustentou esse Estado. Então, precisaria de mais diálogo. Os produtores sempre foram parceiros do Governo. E algumas decisões do Mauro vejo que foram unilaterais, com poucas reuniões com a classe produtora. Portanto, acho que nessa parte ele precisaria melhorar um pouco.

 

Mas, como um todo, o Mauro pegou o Governo triturado, aos pedaços, no vermelho. E, em seis meses, não podemos dar uma nota para ele sem deixar um espaço para ele organizar e tentar reaver o fluxo de caixa para poder trabalhar. Ele pegou o Estado quebrado. Essa é a minha avaliação. Então, precisa ter muito diálogo e chegar numa determinada posição em que não afete tanto o agro, e o setor possa contribuir. Mas acho que o Governo Mauro Mendes está bem razoável.

MidiaNews – O senhor está iniciando agora o segundo semestre do mandato. Qual a avaliação desses primeiros seis meses como deputado? Decepcionou-se com Brasília?

 

Nelson Barbudo – Não me decepcionei. Eu conheço política, sempre militei nessa área, há 30 anos desde que vim para Mato Grosso. Sempre fui militante em questões de organizar campanha no meu Município [Alto Taquari]. Quando organizei minha primeira campanha [para vereador], fui o mais votado daquele pleito. Organizei da minha esposa e ela foi eleita. Enfim, de 10 eleições que participei, perdi uma e ganhei nove. Sou acostumado mexer com organização de campanha. Quando não era minha, era dos prefeitos.

 

Já tenho um trânsito em Brasília, ia muito pra lá com os prefeitos. Não me decepcionei. Sei que seria um trabalho de enfrentamento com a esquerda. Sou fiel ao presidente Bolsonaro, sou guerreiro do PSL, sou vice-líder do Governo, tenho defendido o Governo.

 

Os primeiros seis meses do meu mandato, na condição de vice-líder do Governo, o debate sobre a Reforma da Previdência me consumiu muito tempo. Nas reuniões de liderança, vice-liderança, a gente teve um trabalho de fazer o convencimento do chamado “Centrão” e eu participei – guardadas as devidas proporções. Isso consumiu grande parte do meu mandato, mas não me atrapalhou fazer visitas aos ministérios. Fizemos debates e pleitos em relação a rodovias aqui do Estado (MT-163, MT-158, MT-242 e outras), pautas da Saúde, enfim. Meu mandato ficará mais tranquilo a partir de agora – apesar de a reforma tributária, que será pautada logo. Mas acredito que essa será uma reforma mais tranquila. E agora vou poder trabalhar mais em função do Estado. Não estou dizendo que não trabalhei. Tenho registrados os atendimentos de prefeitos, vereadores, associações... De terça e quarta meu gabinete é uma romaria. Tenho muito prazer em atender os prefeitos. Adoro o que eu faço, continuo sendo uma pessoa simples, o mesmo Nelson Barbudo. Não tenho 'mimimi', não tenho frescura.

O meu jeito de falar é o mesmo. Evidente que na tribuna a gente usa um “portuguesinho” melhor. O português de bacharel de Direito que sou. Mas o poder não me fascina. Sempre costumo falar que farei meus quatro anos de mandato. Avaliem depois. Se é que vou para reeleição. Se me reelegerem é um favor; se não, são dois. Não nasci deputado. Gostaria de dar uma contribuição – vamos pensar em dois mandatos, ao lado do presidente Bolsonaro - e depois passa a bandeira para outros porque política não é profissão.

 

E até por conta disso abdiquei da minha aposentadoria política. Não uso carro oficial, por isso sou um dos mais econômicos do País. Bom, cada um faz do jeito que quer, mas não tenho planos de me aposentar com 90 anos na política. Quero dar minha contribuição para tirar o Brasil das mãos da esquerda e deixa um País mais tranquilo, com uma democracia de fato.   

 

MidiaNews – O senhor citou que é um dos deputados que menos gastam na Câmara. Dias atrás houve um colega seu que pediu reembolso de R$ 157 mil para pagar despesa com um dentista. Não acha que falta um pouco de sensibilidade da classe política diante da crise em que o Brasil vive?

 

Nelson Barbudo – Acho que falta vergonha na cara! Inclusive é um pastor evangélico, acho vergonhoso. Cada um cuida de si. Agora, fala uma coisa, prega uma coisa e faz outra!? Eu acho vergonhoso! Se eu quiser tratar do meu corpo, eu ganho meu dinheiro e pago. Agora, pegar dinheiro do contribuinte e gastar R$ 150 mil, isso é uma falta de vergonha. Falta de caráter, eu considero. E pode publicar que é o Pastor Feliciano. O Nelson Barbudo falou que ele não tem vergonha de pegar o dinheiro do contribuinte.

MidiaNews – Falando um pouco do presidente Jair Bolsonaro, de quem o senhor é aliado. Recentemente, o presidente do Inpe deixou o cargo por divergências com o Governo em relação à metodologia de divulgação dos dados de desmatamento. O senhor não acha que o Brasil corre risco de ser retaliado com relação a questões ambientais, inclusive, o agronegócio mais afetado ainda, já que os mercados mundiais estão muito atentos à proteção das florestas.

 

Nelson Barbudo – Eles estão muito atentos à questão ambiental desde que eles achem um presidente que tenha na estrutura de Governo uma vontade política de se não praticar o capitalismo. Por exemplo, nessa questão do Inpe, vi uma matéria onde um renomado doutor da USP achou pontos em que o ex-presidente do Inpe falhou: reposição de área e dados de anos anteriores em cima do levantamento atual.

 

Então, o Bolsonaro não quer tirar o cara do Inpe "por tirar" e colocar um desmatador. Nossa política florestal é igualzinha à do Mundo inteiro, desde que eles respeitem o Código Florestal. Por exemplo, o Código Florestal na Amazônia permite explorar 20% e deixar 80%. Nunca o governo Bolsonaro falou que quer desmatar 40% e deixar só 60%.

 

Agora, o que aconteceu é que eles não deixam nem o Brasil abrir os 20% e nós fomos sendo sufocados por uma política do governo anterior, por uma política da indústria da multa no Ibama, sendo que hoje o Estado de Mato Grosso, por exemplo, tem 7 mil propriedades embargadas. “Ah, então o senhor não quer que multe?” Quero que multe, mas não pode ser embargada. Tem que criar um mecanismo para que aquele homem do campo, aquele homem daquela propriedade continue vivendo ou sobrevivendo do que ele produz na terra.

 

Vou dar um exemplo. Hoje a pessoa tem mil hectares e ele está desmatando 10 hectares ilegalmente. O que acontece? O Estado vai e embarga os mil. E o gado dele? A soja? O leite? Se ele cometeu o crime aqui nos 10 hectares, embarga essa parte, multe equivalente a essa parte. Mas não pode proibir o produtor, porque estará jogando-o na informalidade. Não consegue mais vender a propriedade, não vende o leite, não vende a soja e vai criando um engodo enorme e o agronegócio fica inviável.

 

Nós somos favoráveis a que as leis ambientais sejam aplicadas. Ninguém está falando que o Brasil vai sair desmatando. Foram taxar o Bolsonaro de “rei da motosserra”. Que rei da motosserra? Ele não mandou ninguém desmatar, não. Agora, eles queriam fazer uma política de opressão em cima de uma coisa que é nossa. Ong estrangeira vir ditar o que tem que ser feito no Brasil? Não! Temos soberania. Temos apenas que aplicar as leis nacionais. Ponto. Sem o viés ideológico.

 

MidiaNews – E isso não estava acontecendo? 

Nelson Barbudo – É publico e notório que os presidentes de Funai anteriores eram de viés ideológico, do Incra também, do Ibama a mesma coisa. E aí vão transformar o Brasil numa imensa reserva indígena. Agora, sabemos que o pessoal já levou índio em determinada área que tem uma mineração fantástica, colocou índio lá, requereu e tampou. E o Brasil? E a nossa soberania?

 

Queremos sim que o Código Florestal seja respeitado, mas é nosso. Vamos respeitar as leis sem prejudicar o produtor brasileiro. Porque se matar o produtor brasileiro... O agronegócio responde por 41% da balança comercial. Se matar, quebrou o Brasil. E sobre o Inpe, já percebemos lá que nosso presidente tinha um “viesinho” lá também. Mas isso é coisa do governo.

 

MidiaNews – Ainda sobre o Bolsonaro. Ele vem dando algumas declarações considerdas polêmicas. Uma delas foi em relação à morte do pai do presidente da OAB. Em outra ocasião, chamou o coronel Brilhante Ustra, condenado por tortura, de herói do Brasil. Esse tipo de declaração não afasta o apoio da camada mais moderada da sociedade?

 

Nelson Barbudo – Você acha que a camada moderada da sociedade votou nele?

 

MidiaNews – Parte sim, que foi o chamado “voto contra o PT”...

 

Nelson Barbudo – Então, mas votou a favor do Bolsonaro porque realmente o povo estava cansado do politicamente correto. Em tese, se eu fosse conselheiro do presidente, eu ia pedir pra ele maneirar em 10% do que fala. Mas os 90% estão certos.

 

Por exemplo, o Ustra é um horror para os comunistas. Agora, para os brasileiros que pediram para o Exército tomar conta eu não vejo onde...Ele pode ter cometido excesso? Pode, mas estava em guerra. Em guerra vale tudo.

 

Agora, e o que a Dilma cometeu? O que os guerrilheiros cometeram? Esses não têm problema? É tudo normal? Eles assaltaram, mataram, roubaram e não tem problema? Era em nome da causa? Era expropriação? Não era roubo?

 

Agora, não precisa também ficar toda hora cutucando um presidente da República. É aqueles “10%” que falei que ele erra. Só que não se engane. Sou bolsonariano e todo aquele que votou no Bolsonaro aplaude. Quem fala mal são os socialistas, comunistas e petistas. Essa classe, se o Bolsonaro ri, eles falam mal. Se o presidente ficar sério, eles vão falar mal. Fica difícil. Mas de fato, ele poderia dar uma maneirada como presidente, porque a liturgia do cargo impõe. Mas só 10% eu ia corrigir, 90% eu concordo com ele.

 
MidiaNews – A reforma da Previdência já foi aprovada na Câmara. O senhor entende como um erro a não inclusão de estados e municípios?

 

Nelson Barbudo – Não fomos nós que excluímos, foram os próprios estados. A história é a seguinte. Vou contar porque presenciei o dia-a-dia: quando começamos a falar da reforma da Previdência, os governadores – para fazer populismo – começaram com a "lenga-lenga" de que não podia, porque iria prejudicar os mais pobres. Os [governadores] do Nordeste, nem se fala. O que já é normal. Mas alguns sulistas, alguns do Centro-Oeste, tiraram o corpo. Porque ia ter que falar: “Governadores se unem para aprovar”. Quando chamamos os governadores para se unirem e tocarmos o projeto, ninguém quis. Ficou assim: vocês [deputados] façam aí. Mas não é assim. Tem que dar o apoio, inclusive, cada governador fazendo pressão na bancada para nos ajudar. Ninguém quis. Sabe o que aconteceu? O Governo Federal faz a reforma separada. Porque se não, até estadual ia sobrar pro lombo do Bolsonaro e do [ministro da Economia] Paulo Guedes.

 

Aí começou a gritaria: “Pelo amor de Deus, não podem fazer isso com a gente”. Chamados foram, imploramos para que eles aderissem junto conosco ao plano integral da reforma federal e estadual, mas não quiseram. Depois que separou, que não tinha mais jeito, começaram a correr e já era tarde. Mas nós nunca fomos contra. Eu, por exemplo, sou a favor. Eles que tiraram o corpo fora por medo de se queimar com os eleitores de seus estados. Agora parece que no Senado estão tentando fazer uma PEC paralela. E vamos apoiar para não deixar Mato Grosso fora, porque já chega de problema que tem.   

 

MidiaNews – Então os governadores não quiseram “dar a cara a tapa” por medo de desgaste?

 

Nelson Barbudo – No começo foi isso que aconteceu. E isso, liderado pelos governadores do Nordeste.

 

MidiaNews – E qual foi a postura do governador Mauro Mendes?

 

Nelson Barbudo – No começo estava fora também. Depois ele foi um dos primeiros a acordar e pedir para que colocasse novamente os estados. Ele não foi arredio. Foi um dos primeiros a se manifestar, enxergou que não daria certo.

 

 

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