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Notícias / Agronegócio

10 Out 2019 - 07:58

Fraude em fertilizantes já causou mais de R$ 2 milhões em prejuízos a produtores de Água Boa

A suspeita é de que a fraude tenha sido feita durante o transporte, deixando os produtos com deficiência de nitrogênio, fósforo e enxofre

Pedro Silvestre | Canal Rural

Reprodução

 (Crédito: Reprodução)

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Em Mato Grosso, a adulteração de fertilizantes tem assombrado os produtores de Água Boa, no interior do estado. A fraude já gerou prejuízo de mais de R$ 2 milhões milhões e a suspeita é de que o crime foi praticado durante o transporte. 
 
“Eles dilataram o lacre para fazer a remoção. O que chega pra gente está esbranquiçado, sendo que o original vem perfeito, o que demonstra que houve adulteração. De sete caminhões, apenas um parece estar normal”, lamenta o produtor rural Antônio Sadi Baldo.

A desconfiança veio do filho mais velho, Vinícius Baldo, diante da compra de 620 toneladas de adubo. Segundo a família, mais da metade chegou adulterada, com prejuízo de aproximadamente R$ 800 mil. “As empresas envolvidas são de uma credibilidade enorme, só que no meio dessa credibilidade toda existem bandidos e ninguém está livre dessa bandidagem. A empresa multinacional dona do fertilizante veio até aqui e coletou lote por lote, onde constataram que nove dos 16 lotes estavam com problemas logo de bater o olho. Aí foi mandado para o laboratório para confirmar”, disse Vinícius.

No laudo técnico, emitido pelo laboratório, veio a comprovação da adulteração. Todas as amostras adulteradas apresentaram deficiência de nitrogênio, fósforo e enxofre. Com isso, os agricultores vizinhos foram avisados e novas vítimas foram encontradas.

Na fazenda de Euclásio Garruti Júnior, o prejuízo é de R$ 700 mil em um montante de fertilizantes que seria utilizado em 5,7 mil hectares de soja. “É uma sensação péssima, onde vemos que os malandros não têm limites e estão prontos para ‘sacanear’ de todas as formas. Ficamos com uma sensação péssima, mas fica um alerta para que possamos cuidar melhor”, falou.

O agricultor diz que não costuma realizar as análises recomendadas na hora do recebimento dos fertilizantes, mas fez questão de fazer o teste para comprovar a fraude. “Fazemos um teste caseiro, onde adicionamos limão ou vinagre e deixamos por vinte minutos. Conseguimos ver a diferença entre eles, onde o produto correto mantém suas características, com exceção do óleo que vem inserido, mas os grãos ficam perfeitos. Já o adulterado tem oxidação e desintegra, virando uma pasta lá no fundo”, comenta.
  
Até o momento, quatro produtores se manifestaram de acordo com o sindicato rural do município, onde cerca de mil toneladas de adubos foram adulterada, gerando prejuízo de mais de R$ 2 milhões. 

“Estamos iniciando o plantio e se alguém não percebeu essa fraude, vai plantar com produto adulterado. Mas ainda dá tempo de fazer a análise e correr atrás para evitar o prejuízo”, contou o presidente do Sindicato Rural de Água Boa, Antônio Fernandes de Mello.
 
Outro lado

A Mosaic, empresa fabricante do adubo, disse que possui políticas e procedimentos para controle dos produtos e que qualquer suspeita de fraude é investigada. A empresa afirma ainda que realiza testes de amostragem de cada lote expedido de suas unidades e incentiva que todos os clientes que tiverem dúvidas ou identificarem alguma anomalia entre em contato imediatamente.

Procurada pela reportagem do Canal Rural, revendedora Pantanal Agropecuária informou que os clientes prejudicados foram ressarcidos. “Conseguimos juntar todos os produtores, fizemos uma reunião e definimos que a gente iria repor o fertilizante que foi adulterado (…) graças a Deus o produtor não colocou isso na terra”, disse o gestor regional da Pantanal Agropecuária, Paulo Henrique Silva Luiz.

A suspeita é que a fraude tenha acontecido durante o transporte da entrega. Sobre as investigações, Paulo afirma que a revenda vai elaborar o boletim de ocorrência para a abertura de inquérito. “Temos documentos das transportadoras e do fretista, que foi a pessoa que puxou esse fertilizante no caminhão. Também temos placa, documento e nomes, e a demora para abrir o inquérito foi justamente para juntar essa documentação, para que se possa achar o culpado”, completou.

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