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19 Out 2019 - 11:24

Bolsonaro tentou comprar deputados com cargos, diz delegado Waldir

Esquema de candidaturas laranjas deu início a atual crise na legenda

Mídia News

Ag/Câmara dos Deputados

 (Crédito: Ag/Câmara dos Deputados)

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O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), afirmou nesta sexta-feira (18) que o presidente Jair Bolsonaro tentou comprar deputados para assinarem lista favorável à colocação de seu filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) como novo líder da bancada.


"A questão [que eu estava falando] da implosão era o áudio que foi divulgado do presidente tentando comprar parlamentares ao oferecer cargos e o controle partidário para aqueles parlamentares que votassem no filho do presidente", afirmou nesta tarde ao deixar reunião do partido em Brasília.

 

Questionado depois pela Folha sobre se haveria margem para um processo contra o presidente, afirmou que isso "cabe à sociedade e aos partidos decidirem", mas que o PSL não tomará atitude nesse sentido.

 

Waldir foi gravado na quarta-feira (16) em reunião dos deputados da ala ligada ao presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), dizendo que iria implodir Bolsonaro e chamando o presidente de vagabundo.

 Na quinta (17), após a liberação do áudio, ele chegou a minimizar o episódio. "Isso já passou. Nós somos Bolsonaro. Somos que nem mulher traída, apanha, mas mesmo assim volta ao aconchego", disse.

 

Nesta sexta, porém, voltou a subir o tom contra o presidente. Afirmou que não retiraria nada do que falou e disse que foi traído.

 

"Nada do que eu falei [no áudio] é mentira. Se você for traído, como vai se sentir? Eu fui traído. O presidente pessoalmente está interferindo para me tirar da liderança. Isso não é traição?", disse ao chegar à reunião da Executiva.

 

"Se eu sou fiel a ele desde 2011. Se ele pessoalmente, junto com o líder do governo [deputado] Vitor Hugo [PSL-GO] e o senador [governador] Ronaldo Caiado [DEM] trabalham para me derrubar do diretório de Goiás. E assim está fazendo com outros parlamentares no país todo. Isso não é traição, isso não é vagabundagem? Então eu não retiro nada do que eu falei."

 

O esquema de candidaturas laranjas do PSL, caso revelado pela Folha de S.Paulo em uma série de publicações desde o início do ano, deu início a atual crise na legenda e tem sido um dos elementos de desgaste entre o grupo de Bivar e o de Bolsonaro, que ameaça deixar o partido.

 

O escândalo dos laranjas já derrubou o ministro Gustavo Bebianno, provocou o indiciamento e a denúncia do ministro Marcelo Álvaro Antônio (Turismo) e levou a uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal a endereços ligados a Bivar em Pernambuco.

 

Na semana passada, diante disso, Bolsonaro requereu a Bivar a realização de uma auditoria externa nas contas da legenda. A ideia tem sido a de usar eventuais irregularidades nos documentos como justa causa para uma desfiliação de deputados da sigla, o que evitaria perda de mandato. O episódio, no entanto, criou uma disputa interna na sigla, com a ameaça inclusive de expulsões.

 

A aliados Bolsonaro tem dito que só oficializará a saída do PSL caso consiga viabilizar a migração segura de cerca de 20 deputados do PSL (de uma bancada de 53) para outra sigla.

 

Nos bastidores, esses parlamentares já aceitam abrir mão do fundo partidário do PSL em troca de uma desfiliação sem a perda do mandato. A previsão é de que o PSL receba R$ 110 milhões de recursos públicos em 2019, a maior fatia entre todas as legendas.

 

A lei permite, em algumas situações, que o parlamentar mude de partido sem risco de perder o mandato -entre elas mudança substancial e desvio reiterado do programa partidário e grave discriminação política pessoal.

 

Os dois lados no racha no PSL

 

Bolsonaristas

 

Eduardo Bolsonaro (SP), deputado federal

 

Major Vitor Hugo (GO), líder do governo na Câmara

 

Helio Negão (RJ), deputado federal

 

Carlos Jordy (RJ), deputado federal

 

Bia Kicis (DF), deputada federal

 

Carla Zambelli (SP), deputada federal

 

Filipe Barros (PR), deputado federal

 

Bibo Nunes (RS), deputado federal

 

Alê Silva (MG), deputada federal (retirada da Comissão de Finanças e Tributação)

 

Daniel Silveira (RJ), deputado federal

 

Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP), deputado federal

 

Flávio Bolsonaro (RJ), senador (Senado)

 

Bivaristas


Delegado Waldir (GO), líder do partido na Câmara

 

Joice Hasselmann (SP), deputada federal e ex-líder do governo no Congresso

 

Junior Bozzella (SP), deputado federal

 

Felipe Francischini (PR), deputado federal (presidente da CCJ)

 

Sargento Gurgel (RJ) deputado federal (cotado para substituir Flávio Bolsonaro no diretório estadual do Rio de Janeiro)

 

Nelson Barbudo (MT), deputado federal

 

Professora Dayane Pimentel (BA), deputada federal

 

Delegado Antônio Furtado (RJ), deputado federal

 

Delegado Pablo (AM), deputado federal

 

Heitor Freire (CE), deputado federal

 

Major Olimpio (SP), senador

 

Raio-x do PSL

 

271.195 filiados (em ago.19)

 

3 governadores (SC, RO e RR), de um total de 27 estados

 

53 deputados federais, de 513; 2ª maior bancada, atrás da do PT (54)

 

3 senadores, de 81; a maior bancada, do MDB, tem 13

 

R$ 110 mi - repasses do fundo partidário em 2019 (estimativa)

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