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23 Out 2019 - 10:49

Bispo de Porto Alegre do Norte diz que ordenará mulheres ao diaconato se papa permitir

O bispo descreveu aos jornalistas um modelo de formação que ele usa na prelazia de São Félix do Araguaia.

Catholic News Agency

Reprodução

 (Crédito: Reprodução)

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Um bispo que participa do Sínodo Amazônico no Vaticano disse nesse sábado que ordenaria mulheres em suas comunidades como diáconas, se a ideia fosse recomendada pelo Sínodo e permitida pelo Papa Francisco.
 
Dom Adriano Ciocca Vasino, bispo da prelazia de São Félix do Araguaia (que reside em Porto Alegre do Norte), no Brasil, disse no dia 12 de outubro que há mulheres em sua comunidade que já são formadas em teologia e “elas sabem que, se esse Sínodo, com a permissão do papa, abrir para a possibilidade do diaconato para as mulheres (...) eu as ordeno”.
 
Ciocca falou em uma coletiva de imprensa realizada durante o Sínodo dos Bispos sobre a Região Pan-Amazônica, um encontro entre os dias 6 e 27 de outubro no Vaticano sobre a vida e o ministério da Igreja nessa região.
 
O bispo descreveu aos jornalistas um modelo de formação que ele usa na prelazia de São Félix, com uma escola de teologia aberta a homens e a mulheres.
 
Após a conclusão do curso de quatro anos, pede-se aos homens que desejam se tornar padres que passem vários anos vivendo e trabalhando na comunidade local. Depois disso, eles são avaliados para a ordenação como diáconos ou padres, com base parcialmente na recomendação da comunidade em que vivem.
 
A ideia de que as mulheres podem ser ordenadas ou encarregadas de alguma maneira como diáconas na Igreja está em discussão desde que o Papa Francisco nomeou uma comissão para estudar o assunto em 2016. A Igreja ensina definitivamente que apenas homens podem ser ordenados como padres ou bispos, mas alguns teólogos sugerem que mulheres foram ordenadas como diáconas nos primeiros séculos da Igreja.
 
Outros teólogos sugerem que a ordenação é um sacramento reservado aos homens, e que, embora as mulheres possam ser encarregadas em alguma forma de “diaconato”, uma palavra grega que significa “serviço”, seu ofício não seria sacramental.
 
Em maio, o Papa Francisco disse aos repórteres que alguns membros da comissão vaticana concluíram que o histórico “diaconato feminino” era diferente do papel dos diáconos do sexo masculino, especialmente porque não incluía a ordenação sacramental.
 
“Por exemplo, as fórmulas de ordenação diaconal [feminina] encontradas até agora, segundo a comissão, não são as mesmas da ordenação diaconal masculina e se assemelham mais àquela que hoje seria a bênção de uma abadessa”, disse.
 
O papa acrescentou que outros membros da comissão sustentam que havia “uma fórmula diaconal para mulheres”, mas não está claro se era uma ordenação sacramental ou não.
 
Um diácono permanente do Brasil, Francisco Andrade de Lima, disse aos repórteres que não se opõe à ideia das diáconas, mas ele acha que a questão deve ser pensada nos termos da questão vocacional, e não simplesmente como uma potencial solução para um problema.
 
De acordo com os participantes do briefing do dia 12 de outubro, o tema da formação é importante para a Igreja na Amazônia.
 
A formação adequada de padres e leigos é um grande desafio na região, afirmou o bispo Rafael Cob García, do vicariato de Puyo, Equador.
 
Cob disse que a chave da evangelização na Amazônia é a inculturação e a compreensão da realidade vivida. Ele também apontou que a abordagem da evangelização nas cidades deve ser muito diferente da abordagem adotada em áreas mais remotas.
 
Para se ter “uma Igreja com rosto amazônico”, devem ser encontrados novos caminhos de formação e evangelização, disse ele. Para uma Igreja com rosto amazônico, observou, eles também precisam que as vocações provenham das comunidades locais, mas o grande desafio agora é a falta de formadores e de uma boa formação em nível local.
 
Questionado sobre a importância da evangelização em comparação com a importância de proteger as comunidades indígenas minoritárias de maus atores externos, Cob disse que ambas as coisas são importantes, mas que essas comunidades minoritárias, como todos, têm o direito de saber sobre a missão salvífica de Cristo.
 
Elas precisam ser evangelizadas de maneira direta, afirmou, apontando para o mandato missionário da Igreja de levar Cristo a todas as pessoas.
 
Cob também disse que é necessário proteger os indígenas das empresas multinacionais “gananciosas” que entram em um espaço sem a preocupação com os habitantes desse espaço. Suas vidas são ameaçadas por isso, afirmou.
 
A reportagem é de Hannah Brockhaus, publicada em Catholic News Agency, 12-10-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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  • por Higor, em 29 Out 2019 às 12:04

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