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Notícias / Agronegócio

2 Dez 2019 - 15:31

Aprenda a fazer adubação de pasto

O especialista construiu uma espécie de beabá da adubação de pasto para o produtor que quer começar a fazer em sua fazenda.

Repórter Agro

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“Há quantos anos você vem tirando do seu solo os nutrientes e nada repõe? Uma hora a casa cai, a mina seca”, alertou nesta quinta, 28, no quadro Pastagem de A a Z, o engenheiro agrônomo, pós-graduado em pastagens pela Esalq-USP e consultor do Circuito da Pecuária Wagner Pires.

O especialista construiu uma espécie de beabá da adubação de pasto para o produtor que quer começar a fazer em sua fazenda. Pires indicou que o primeiro passo é a análise de solo. Com R$ 40 a R$ 50 o produtor pode realizá-la e saber o quanto precisa aplicar de nutriente em determinado piquete. Para efeito de comparação, a tonelada de fertilizante custa entre R$ 1.200 a R$ 1.500.

O agrônomo disse que o produtor não precisa coletar amostras de todas as suas áreas, mas pode escolher as principais, como uma coleta de uma variedade e outra coleta com outra forrageira, por exemplo. Ciente desta informação, o produtor deve entender as necessidades das gramíneas que ele cultiva, pois variedades distintas têm exigências diferentes de adubação.

Pires falou da importância da calagem para equilibrar o pH do solo, o que permite que a planta acesse os nutrientes disponíveis. Esta calagem pode ser jogada em cobertura na área, sempre com pasto rebaixado para facilitar a distribuição no solo e também na entrada das chuvas porque a aplicação só terá efeito com umidade.

A fosfatagem também é etapa imprescindível da adubação do solo. Segundo o consultor, um boi abatido com 500 kg tem cerca de 5 kg de fósforo em sua carcaça que são retirados do solo, fora o que é consumido no cocho. “A saúde do seu boi, o peso do seu boi vai sair de onde? Do nutriente que está disponível lá no solo”, reforçou. Por isso a tomada de decisão na aplicação de fósforo é importante e o produtor tem algumas opções, como o fósforo de alta e baixa solubilização, ou ainda mista, que tem tempos diferentes de absorção total pela planta – em até dois anos ou em até cinco anos, respectivamente.

Com o fósforo de alta solubilização, a planta tem um pico de crescimento, mas o efeito é suspenso em até dois anos. Já na baixa solubilização, a planta absorve o fósforo em até cinco anos, o que Pires particularmente julga ser melhor para o perfil de grande parte da pecuária brasileira porque permite que o produtor vá adubando todas as suas áreas de pasto e, ao terminar o ciclo, volte para a primeira área perto do fim do efeito do fósforo de baixa solubilização.

O agrônomo avisou ainda sobre uma mudança importante que vem junto com a adubação de pasto. Com a produtividade crescente da forrageira, o pecuarista precisa estar atento para uma nova dinâmica da colheita deste pasto e aprender sobre isto até que esteja apto a partir para a adubação de uma área maior. “Se você nunca adubou, você não tem noção da força com que seu capim explode, cresce, então muda o manejo”, explicou. “Então não queira adubar grandes áreas da sua fazenda, comece aos poucos”, recomendou.

Pires deu ainda um “puxão de orelha” nos pecuaristas que afirmam que adubação de pastagens não se paga. “A pecuária não paga incompetência, produção pequena e subutilização do potencial da sua terra. Isso a pecuária não paga”, reforçou.

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