Agência da Notícia

Informação é Aqui!

Agência da Notícia, Quinta-feira 20 de Fevereiro de 2020

0 9
:
0 8
:
0 0

Últimas Noticias

Campanha Publicitária
publicidade

Notícias / Agronegócio

13 Jan 2020 - 09:34

‘Brasil, maior exportador de milho do mundo, vai ter falta do grão em 2020’

Incerteza sobre clima na segunda safra, quadro de oferta e demanda apertado, exportações aquecidas e procura por etanol de milho criam um cenário difícil para criadores, diz Faesc

Canal Rural

Reprodução

 (Crédito: Reprodução)

Publicidade

O Brasil se tornou em 2019 o maior exportador de milho do mundo, superando inclusive os Estados Unidos, com embarques de 44,9 milhões de toneladas, um crescimento de 88% em relação ao ano anterior. Para a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), o marco pode ser visto de duas maneiras distintas: a primeira se trata da boa remuneração aos produtores de grãos; a outra, é o encarecimento dos custos para os criadores de aves e de suínos.

“É uma situação que tem dois lados, enquanto beneficia o plantador de milho, ameaça acarretar sérios prejuízos para as cadeias produtivas da proteína animal e para o parque agroindustrial”, analisa o vice-presidente da Faesc Enori Barbieri.

A entidade faz um alerta para os criadores do estado, já que acredita que pode faltar milho no estado. Segundo a Faesc, a cotação do grão na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BMF) já ultrapassa R$ 50 por saca.

Para a federação, a insuficiência de milho acontecerá em decorrência de fatores naturais, como seca, queimadas, atraso no plantio e redução de área cultivada, e econômicos, por conta do aumento das exportações do grão em face da situação cambial favorável. 

“A tendência é de quadro de oferta apertado em relação à demanda. Por isso, o mercado brasileiro de milho inicia 2020 com perspectiva de preços firmes pelo menos para este primeiro semestre”, diz a Faesc em comunicado. 

Barbieri expõe que a situação cambial estimula a venda externa e a exportação, enxuga o mercado interno e, portanto, o milho fica mais escasso e mais caro. “Ficou difícil segurar o produto no país com a cotação internacional e, por isso, a fuga de grãos continua”. 

Neste ano, a produção brasileira de milho está estimada em 104,135 milhões de toneladas, com queda de 3% em relação ao resultado de 2019, de 107,375 milhões de toneladas.

Com isso, Barbieri assinala que a situação será difícil em 2020. “Já deve faltar milho no primeiro semestre. O cenário é preocupante porque, da demanda total, 96% destinam-se à nutrição animal, principalmente dos plantéis de aves e suínos”, comenta

Possíveis soluções
A saída, destaca a entidade, será ampliar as importações de milho da Argentina – que produz 50 milhões de toneladas e tem baixo consumo interno. O entrave fica por conta do presidente da Argentina, Alberto Fernández, que decidiu tributar as exportações agrícolas, fato que encarecerá o preço final do grão.

Além disso, deve prosperar a chamada Rota do Milho, que ligará o oeste de Santa Catarina, grande produtor de aves e suínos, com a região produtora de milho Paraguai. O país produz 5,5 milhões de toneladas, mas pode chegar a 15 milhões com o estímulo das importações brasileiras, acredita a Faesc.

Dependência perigosa
O mercado interno ficará dependente da segunda safra, a ser colhida em julho, que responde por 70% da produção total de milho. A safra dependerá totalmente do clima e, se as chuvas não forem suficientes, o quadro de oferta e demanda ficará extremamente desequilibrado. A agroindústria espera que a segunda safra de milho garanta o abastecimento no segundo semestre, regularizando o cenário de oferta.

Em resumo, explica Barbieri, o Brasil ficará dependente de três variáveis incontroláveis: o clima para a safrinha, o clima para a safra norte-americana e o fluxo de exportações no segundo semestre. 

Em face da estiagem, produtores de milho do Rio Grande do Sul já registram perdas de até 15%. Por outro lado, a seca que atinge o Paraná atrasará em 30 dias a colheita e a segunda safra somente será colhida em julho. 

“Para agravar, 5 milhões de toneladas serão transformados em etanol de milho no centro-oeste do Brasil, o que reduzirá ainda mais a disponibilidade do grão neste ano”, afirma o comunicado.

Comentários no Facebook

Comentários no Site

0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião da Agência da Notícia. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Agência da Notícia poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.
Comentários com mais de 1300 caracteres serão cortados no limite.

Notícias Relacionadas

 
Sitevip Internet