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21 Jan 2020 - 09:44

Estudantes indígenas de Confresa escrevem carta de protesto contra interferência de evangélicos em sua cultura e religião

Redação

Reprodução/Ilustrativa

 (Crédito: Reprodução/Ilustrativa)

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Estudantes Apyãwa - Tapirapé do Aranowa'yao - Ensino Médio, da Escola Indígena Estadual "Tapi'itãwa" da Terra Indígena Urubu Branco em Confresa escreveram carta de protesto contra a ingerência de evangélicos sobre sua cultura e sua religião. Confira a carta na íntegra.

CARTA DOS ESTUDANTES APYÃWA-TAPIRAPE

Nós estudantes Apyãwa - Tapirapé, do Aranowa'yao - Ensino Médio, da Escola Indígena Estadual "Tapi'itãwa" da Terra Indígena Urubu Branco, protestamos contra a imposição e perseguição evangélica sobre a nossa cultura e a nossa religião. Somos o futuro do povo Apyãwa e por isso pedimos respeito pelo conhecimento que temos até agora, pois não aceitamos a religião de outros povos inclusive de Maira "branco". Nós já temos cultura e religião que vem passando de geração em geração até o tempo presente. A nossa cultura e a nossa religião é muito importante para nós. Ela representa a nossa vida e a vida do futur o de nos sos filhos e netos. Sem a cultura e sem religião não somos nada.

Sabemos que continuamos sofrendo a 520 anos, primeiro com os Católicos e agora com os Evangélicos a discriminação, perseguição, caças de indígenas para evangelizar e destruir a cultura e a religião dos povos indígenas do Brasil. Maira não sabem nada, só nós sabemos lidar com a nossa cultura e a nossa religião.

Para nós a Takãra é o centro cultural e religioso do povo Apyãwa, onde comunicamos com os espíritos das florestas, das águas, das montanhas, do céu "Ma'ema'exãra" de onde adquirimos os alimentos para os nossos rituais, onde comunicamos também com nossos espíritos ancestrais mortos "Xane'yga" realizando festas oferecendo alimentos para eles ficarem alegre. Nossos Xamãs são nossos verdadeiros guardiões espirituais, são eles que fazem interlocução com os espíritos mal e de bém que oferecem coisas boas para a nossa comunidade.

No ritual de Xepaanogãwa entramos em contato com os espíritos das florestas, das águas, das montanhas e do céu para viver com a gente, e através do ritual do Tataopãwa "grupo de comer" entramos em contato com os espíritos dos nossos encentrais oferecendo alimentos. É o momento especial e propício para contactar com os espíritos da família mortos. Acreditamos muito no Xaneramõja, quando pedimos alimentos, saúde e sempre nos dá para sem pedir nada de recompensa. Como dizia um grande líder tradicional Xakoiapari, "xerexarywa mi xireka xerepy'aaty ramo", ou seja, a nossa festa é a nossa saúde e alimentação.

Nós povo Apyãwa temos que manter viva a nossa cultura e a nossa religião para que as futuras gerações possam viver como estamos vivendo. Temos que manter a nossa cultura para os nossos filhos e nossos netos terem também oportunidade de viver a cultura e a região Apyãwa. Nós não podemos nos enfraquecer pela imposição e perseguição da religião de Maira que vem com intenção de destruir tudo que restou durante a colonização europeia.

As famílias que estão envolvidas, que caíram na armadilha da Igreja por causa da promessa da cura, estão sendo perseguido e proibido de participar das nossas festas tradicionais, das práticas religiosas do nosso povo desconsiderando tudo um conhecimento milenar e originário do nosso povo. Isso é muito triste para a nossa comunidade. Não queremos isso para o futuro do Apyãwa.

Nós estudantes sabemos que isso vem com de intenção de destruir o nosso conhecimento milenar, a nossa cultura e a religião que praticamos à séculos. Isso não podemos mais permitir.

Somos o futuro do nosso povo Apyãwa, por isso temos responsabilidade de lutar juntos com nossas lideranças sobre a imposição, perseguição e discriminação, para manter viva a vida, a cultura e a religião do nosso povo. E reafirmamos que nós estudantes jovens, somos totalmente contrários sobre a entrada das igrejas em nosso território.

Aldeia Tapi'itãwa, 13 de Janeiro de 2020.

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