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25 Jun 2019 - 10:00

Professores mantêm greve e cobram negociação com o Governo

Os profissionais da Educação de Mato Grosso votaram por manter, por tempo indeterminado, a greve iniciada no dia 27 de maio. A decisão foi tomada em uma assembleia geral no início da tarde desta segunda-feira (24), na Escola Estadual Presidente Médici, em Cuiabá.

 

Os servidores cobram o cumprimento da lei da dobra do poder de compra - aprovada em 2013, na gestão do ex-governador Silval Barbosa, e que dá direito a 7,69% a mais anualmente na remuneração durante 10 anos - e a Revisão Geral Anual (RGA). 


 

Além disso, o movimento grevista ainda exige o retorno dos salários que foram descontados durante a paralisação, mais concursos públicos para a Educação e melhoria na infraestrutura das escolas.

 O presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), Valdeir Pereira, afirmou que os servidores apresentaram alternativas para o cumprimento da lei da dobra. Entretanto, para ele o governador Mauro Mendes (DEM) "não tem interesse em fazer valer a lei".

“Nós estamos apontando os caminhos para que ele possa cumprir o que é estabelecido. O que não dá é uma lei estar em vigência e o Governo optar em não cumprir. Isso não tem ordenamento jurídico nacional”, afirmou.

 

"Pressão" do Governo

 

Questionado sobre a saída de mais da metade das escolas da greve, o sindicalista negou enfraquecimento do movimento e disse que os servidores que estão retornando às atividades continuam insatisfeitos com o Governo.

 

Levantamento do MidiaNews, divulgado nesta segunda-feira, mostra que 54,89% das 767 unidades escolares do Estado estão em atividades integral ou parcialmente. Já 45,11% das escolas estão, ainda, em greve.

 

“Muitos desistiram equivocadamente, porque entenderam que a pressão do Governo estava muito grande. As pessoas que retomaram as suas atividades não estão a favor do Governo. É porque tem um descontentamento com as ações do Governo em si”, disse.

 

“O Governo deveria estar preocupado em ler a constituição de Mato Grosso, que estabelece o artigo 245 [que destina 35% dos impostos recolhidos para a Educação], ao invés de ficar perdendo tempo contando quem é que está voltando [da greve]”, afirmou.

 A assembleia geral ainda aprovou a participação na audiência de conciliação com o governador a pedido da desembargadora Maria Erotides Kneip, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

 

“Ela [a desembargadora] remete para a questão de reconciliação e nós aprovamos que iremos aguardar essa agenda do Tribunal de Justiça, juntamente com as mobilizações para avançar nas negociações políticas com o Governo”, completou.

 

Sem nova proposta

 

Em conversa com a imprensa, nesta segunda, o governador Mauro Mendes afirmou que não irá apresentar uma proposta de pagamento das exigências dos profissionais.

 

Ele disse estar aberto ao diálogo, porém que o Estado enfrenta “uma dura realidade financeira”. Ele teme prometer o reajuste e não conseguir cumprir.

 

“Nós estamos, em qualquer diálogo que formos convidados, dispostos a conversar. Mas entendemos que poderemos fazer qualquer tipo de alteração na nossa conduta quando o Estado recuperar o limite de 49% em gasto com pessoal”.

 

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