A era digital moldou novos hábitos e comportamentos, e com isso, o surgimento de profissões antes inimagináveis. Uma delas é a de influenciador digital, que, nos últimos anos, se consolidou como uma carreira promissora para muitos e como desejo para as novas gerações. Pesquisas do setor, no Brasil e no mundo, mostram que um número crescente de crianças, adolescentes e até adultos gostariam de trabalhar como influenciadores.
De acordo com um relatório da Morning Consult, em torno de 57% dos membros da Geração Z disseram que gostariam de se tornar influenciadores se tivessem a oportunidade. A pesquisa também mostrou que o número de pessoas das gerações Z e millennials que confiam nos influenciadores digitais cresceu de 51% em 2019 para 61% para 2023. Esse é um mercado em expansão e estamos sempre nas primeiras posições no ranking de países com maior número de influenciadores. PublicidadeMais do que divulgar produtos ou serviços, o influenciador digital se tornou um criador de conteúdo, um curador de informações e um elo de confiança entre marcas e consumidores. Através de seu perfil, seja no YouTube, Instagram, TikTok ou outras redes sociais, eles conquistam e engajam públicos específicos, exercendo influência sobre suas decisões de compra e comportamento.Hoje, contudo, ser um influenciador digital de sucesso requer ir além de ter um grande número de seguidores. É preciso definir um nicho de atuação, ter habilidades para criar conteúdo relevante e original, estudar marketing digital, dominar as ferramentas das redes sociais, se atualizar conforme as plataformas mudam seu funcionamento e, acima de tudo, ter a capacidade de se conectar com o público e construir um relacionamento sólido com seus seguidores. Ufa! A "vida de blogueira" não é simples como parece, né?Isso acontece porque a influência digital deixou de ser um hobby. Estamos testemunhando uma verdadeira profissionalização do setor. O YouTube foi pioneiro: a primeira rede social a oferecer ferramentas para monetização de conteúdo, como anúncios e parcerias com marcas. O Programa de Parcerias do YouTube (YPP) foi lançado em 2008, teve suas regras modificadas ao longo dos anos e atualmente é um dos modelos mais transparentes de monetização entre as redes sociais, ficando na frente do Instagram e do Tik Tok, por exemplo. Isso levou os vloggers, hoje mais conhecidos como youtubers, a buscar otimizar seus canais e aumentar sua relevância na internet.PublicidadeMas, quando menciono “profissionalização”, é importante destacar que vale para o que fazer e o que não fazer também. Produzir mais e mais conteúdo não significa que o canal será um sucesso e, mesmo que seja, como fica o tempo livre e a saúde mental? Saber dosar o tempo de trabalho, entendendo o quanto é suficiente para gerar renda e ter descanso, também é se profissionalizar.
Essa é uma dificuldade muito comum entre os influenciadores que crescem de forma meteórica após terem um vídeo viralizado. A pressão cresce não apenas para o volume de trabalho, mas também para fechar parcerias com empresas. É nesse momento que o criador de conteúdo deve aprender a gerenciar sua carreira. Já adianto: não vale tudo por dinheiro. Saber dizer “não” na hora certa pode evitar crises de imagem e ser muito mais frutífero a médio e longo prazo.
A marca do influenciador — não por acaso colocado no mercado de trabalho entre as profissões dos “criativos” — é o “eu”, independentemente do seu nicho de atuação. Vender a própria marca significa estudar o mercado, saber com quem e quais marcas se associar, respeitar os próprios limites e, especialmente, ser o mais autêntico que as câmeras permitirem.