Na última semana, estive na área experimental da CTecno Araguaia, em Nova Nazaré, a convite da Aprosoja, para conhecer de perto os experimentos que vêm sendo desenvolvidos para auxiliar os produtores da região no manejo de solos rasos e siltosos. Representando a Secretaria de Agricultura de Querência, a visita teve um duplo propósito: absorver conhecimento técnico e buscar referências para a construção do I Simpósio Agropecuário, que será realizado durante a Expoquer.
Os desafios enfrentados pelos produtores da região foram o foco das discussões. Entre os principais gargalos da safra 2024/25, um ponto crítico abordado foi a plantabilidade, diretamente afetada por fatores como o excesso de palha, a dificuldade no estabelecimento das plantas e a necessidade de um melhor conhecimento do banco de sementes.
Outro tema de grande relevância discutido foi o impacto do terreno convergente, que direciona a água para os principais fluxos, intensificando problemas de erosão e compactação do solo. As estratégias de correção do perfil do solo são essenciais para mitigar esses efeitos e garantir maior produtividade e longevidade das áreas cultiváveis.
A questão do pé de galinha também ganhou destaque. A falta de um manejo eficiente facilita a disseminação da praga por toda a área, tornando seu controle um desafio de longo prazo. Foi reforçada a importância de identificar corretamente o estágio e a localização do problema, além de utilizar períodos de entressafra para aplicar estratégias de controle, como o manejo mecânico, químico e cultural.
Outro dado preocupante apresentado foi que 40% dos produtores erram na regulagem das plantadeiras, o que compromete diretamente a eficiência do plantio e o potencial produtivo da lavoura.
Além disso, as perdas por erosão chamam atenção. A estimativa é que, em áreas mal manejadas, as perdas cheguem a 400 kg de soja por hectare. No entanto, os números demonstram que o investimento em controle da erosão pode gerar uma economia de 29 sacas de soja por hectare ao ano. A erosão leva embora não só a camada fértil do solo, mas também insumos essenciais, resultando em perdas de 20 sacas devido à sedimentação e água, além de mais 9 sacas equivalentes aos nutrientes perdidos, como P₂O₅, K₂O, ureia e calcário.
Os estudos apontam que, com um investimento médio de R$ 1.070,00 por hectare em projetos hidrológicos, a economia a longo prazo justifica a adoção dessas práticas. Com uma vida útil estimada de 15 anos, esse valor diluído representaria um custo de apenas R$ 72,00 ao ano, demonstrando a viabilidade econômica de práticas conservacionistas.
A experiência foi extremamente enriquecedora e reforça a necessidade de ampliarmos o debate sobre manejo sustentável e boas práticas agrícolas. O I Simpósio Agropecuário da Expoquer surge justamente com essa missão: trazer conhecimento técnico de ponta para os produtores da região, fomentando inovação e fortalecendo o setor agropecuário de Querência e do Vale do Araguaia.