Em 1945, George Orwell escreveu “A Revolução dos Bichos”, uma fábula diatópica, que denunciava a corrupção do poder e a falência moral das revoluções que prometem liberdade, mas entregam opressão. A obra, quase 80 anos depois, parece ter sido escrita para retratar a nossa realidade tupiniquim.
No livro, quando os porcos assumem o comando da fazenda, não é o porco que vira rei, é o castelo que vira chiqueiro. Hoje, no Brasil, essa metáfora ecoa em cada decisão tomada por um Supremo Tribunal Federal que deixou de ser guardião da Constituição para se tornar protagonista de uma distopia.
O STF como a nova elite dos porcos
Nos últimos meses, manchetes se multiplicaram mostrando ministros com egos inflados e decisões que beiram o autoritarismo. Alexandre de Moraes, sozinho, responde por quase todos os mandados de prisão em aberto na Corte. A mesma Corte que solta criminosos com 86 passagens pela polícia em nome da “Justiça”, condena por 14 anos de prisão uma mulher que ousou pichar “perdeu, mané” numa estátua.
Na fazenda de Orwell, os porcos justificavam privilégios com frases como “alguns animais são mais iguais que os outros”. No Brasil, a frase parece tatuada no mármore do Supremo.
Censura, propaganda e a tentativa de calar a fazenda
O governo Lula, em sintonia com a Corte, avança sobre um projeto de regulação das redes. Não é coincidência. Como em Orwell, quando os mandamentos eram reescritos à noite para manipular a memória coletiva, aqui se reescrevem conceitos como “liberdade de expressão” para significar censura.
Enquanto isso, o ministro Barroso convida influenciadores para criar uma “imagem positiva” do STF. A propaganda, ensinava Orwell, é mais forte que a força física. A Corte entendeu isso muito bem.
A economia no abismo
Enquanto a toga brinca de poder, o país sangra. Decisões judiciais ligadas à Lei Magnitsky geraram um rombo de mais de R$ 41 bilhões nos bancos. Dino, em gesto de blindagem a Moraes, preferiu prejudicar famílias da tragédia de Mariana que buscavam reparação no exterior.
Lá fora, Lula provoca Donald Trump em vez de buscar negociação séria, aumentando a insegurança para empresários e investidores. O resultado? Manchetes que já falam em apagão da máquina estatal.
A distopia brasileira: entre 1984 e a Revolução dos Bichos
Quando Orwell escreveu também 1984, descreveu um mundo de vigilância, manipulação e perseguição a opositores. Hoje, o Brasil parece viver uma fusão entre as duas obras. Alguns Ministros do STF, usa ilegalmente postagens em redes sociais para manter presos manifestantes de 8 de janeiro, enquanto a PGR denuncia um casal por ter xingado Gilmar Mendes… em 2018!
Se não estivéssemos vivendo isso, poderíamos rir. Mas a realidade já ultrapassou a ficção.
O voto impresso: sinal de resistência
Nem tudo, porém, é derrota. A recente aprovação na CCJ do Senado do voto impresso mostra que a sociedade ainda tenta resistir à manipulação da narrativa. É como se alguns animais da fazenda começassem a perceber que as regras escritas no celeiro estão sendo alteradas, e resolvessem reagir.
Opinião: ou resistimos, ou o chiqueiro vence
O Brasil de hoje é uma fazenda em disputa. De um lado, um governo e um Judiciário que se comportam como os porcos de Orwell: censuram, manipulam, reescrevem a verdade, punem inocentes e protegem aliados. De outro, uma sociedade que, apesar de amedrontada, ainda carrega dentro de si, a centelha da liberdade.
O recado de Orwell nunca foi tão atual: o poder corrompe, e quando não é controlado, transforma libertadores em tiranos. A grande fazenda chamada Brasil precisa decidir se vai continuar sendo governada por porcos, ou se os animais, finalmente, vão acordar.