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Filha de pais surdos, ela sofreu bullying: 'Me viam como criança esquisita'

Agência da Notícia com Uol e Wikipédia

08/01/2023 - 09:02

Filha de pais surdos, ela sofreu bullying: 'Me viam como criança esquisita'

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Foto: Arquivo Pessoal

Desde pequena, a criadora de conteúdo Tainá Moser, 22, convive com pessoas que têm deficiência auditiva. Por causa dos pais, que são surdos, ela precisou ser alfabetizada aprendendo português e libras ao mesmo tempo. Ao longo dos anos, viveu momentos desafiadores e delicados, devido ao preconceito.

Mesmo diante dessas situações, não se intimidou. Na faculdade, iniciou o curso de libras e, por meio das redes sociais, hoje desmistifica o dia a dia de pessoas surdas e mostra que, mesmo com limitações, é possível ter uma vida normal. Abaixo, ela conta sua história: "Tenho uma irmã que ouve e depois de dez anos, meus pais resolveram me ter. Eles são surdos profundos e, aos dois anos, fui aprendendo libras (língua brasileira de sinais).

Sofrimento na escola

Como meus pais eram surdos profundos, não tive referência de fala e conversação em casa, e por isso tive bastante atraso na fala, escrita e dificuldade para aprender a ler. Minha irmã que me ajudava um pouco e lembro que meus primeiros dias de aula foram terríveis. A professora mostrou uma imagem de abacate e como minha mãe tentava falar um pouco e pronunciava o abacate como 'cabra', acabei soltando que aquilo era uma vitamina de cabra. Todos riram.

As pessoas me viam como uma criança esquisita, diferente, sofria bullying, meus professores viam e tentavam evitar. Minha adolescência também foi muito difícil. Passava nos corredores e ouvia coisas como 'filha de mudinho'.
Virada de chave

Quando fiquei mais velha, fui fazer faculdade de libras na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e conheci muitas pessoas. Foi lá que descobri o evento para coda [em inglês, ser uma criança coda é children of deaf adults, filhos de adultos surdos], que é para filhos de pais surdos.

E desde aquele dia foi a virada de chave e pensei: 'Caraca, sou filha de pais surdos'. Existem muitas pessoas iguais a mim e isso é muito incrível. Vivo na mundo das pessoas ouvintes e das surdas e os pensamentos são completamente diferentes. Até as piadas são diferentes.

Atualmente, trabalho como professora e intérprete de crianças surdas. Também comecei a produzir conteúdo nas redes sociais e hoje tenho 104 mil seguidores no Instagram. Lancei curso, ensino as pessoas e sempre compartilho aulas de como falar com surdos e conteúdos em libras."

Origem:

Bullying (inglês), também chamado de intimidação sistemática, intimidação vexatória, violência escolar e bulimento, é o uso de força física, ameaça ou coerção para abusar, intimidar ou dominar agressivamente outras pessoas de forma frequente e habitual. Um pré-requisito é a percepção, pelo intimidador ou por outros, de um desequilíbrio de poder social, político ou físico, o que distingue o bullying do conflito.[1] Os comportamentos usados para afirmar dominação podem incluir assédio verbal ou ameaça, abuso físico ou coerção, e tais atos podem ser direcionados repetidamente contra alvos específicos. As justificativas para tal comportamento às vezes incluem diferenças de classe social, raça, religião, gênero, orientação sexual, aparência, comportamento, linguagem corporal, personalidade, reputação, linhagem, força, tamanho ou habilidade.[2][3][4] O bullying feito por um grupo de pessoas, é chamado assédio moral.[5]

Uma cultura de bullying pode se desenvolver em qualquer contexto em que humanos interajam uns com os outros. Isso inclui a escola, a família, o local de trabalho etc.[6] Os websites de redes ou mídias sociais costumam ser uma plataforma para o bullying, assim dando início ao chamado cyberbullying.
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