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Levantamento:

Real está entre as 10 moedas que mais perderam valor frente ao dólar neste ano; veja ranking

Agência da Notícia com G1

12/06/2024 - 07:53 | Atualizada em 12/06/2024 - 08:04

Real está entre as 10 moedas que mais perderam valor frente ao dólar neste ano; veja ranking

Foto: Reprodução

O real está entre as dez moedas que mais perderam valor frente ao dólar em 2024. É o que mostra um levantamento feito pela agência classificadora de risco Austin Rating, com base em dados do Banco Central do Brasil (BC).

A moeda brasileira subiu duas posições em um ranking de 118 países e passou à 7ª colocação entre as que mais se desvalorizaram, após acumular uma queda de 9,5% no ano até o fechamento dos mercados nesta terça-feira (11).

No dia, o dólar comercial subiu a R$ 5,36, atingindo o maior valor desde novembro de 2022. Para a elaboração do ranking, entretanto, a Austin Rating considerou as taxas de câmbio de referência Ptax, divulgadas diariamente pelo BC. Nessa modalidade, o dólar encerrou a terça-feira cotado a R$ 5,35.

Segundo o levantamento, a moeda nigeriana é a que mais se desvalorizou frente à moeda norte-americana em 2024, com perdas de 42,8%. Na sequência, estão as moedas do Egito e do Sudão do Sul, com quedas de 35% e 29,9%, respectivamente.

Ocupa a outra ponta a moeda do Quênia, que se valorizou 21,2% no ano, seguida pelas moedas do Sri Lanka e da Armênia, que avançaram 6,8% e 4,3%, respectivamente. Veja o ranking abaixo:

"Entre os países que piores do que o Brasil, temos a Argentina, que vive uma crise econômica, e nações que enfrentam algum problema de confronto civil, como Nigéria, Egito, Sudão do Sul e Gana. Já o Japão tinha tido um bom desempenho, mas agora se desvalorizou por ter uma base fraca", explica o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

Por que o dólar está em alta?

Política monetária dos EUA

As mudanças de sinalizações do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) sobre a condução dos juros nos Estados Unidos ajudam a explicar a força do dólar ao longo de 2024.

Nos últimos meses, sinais de um mercado de trabalho aquecido e de uma atividade ainda forte trouxeram preocupações ao BC norte-americano sobre a trajetória de inflação na maior economia do mundo – o que acabou postergando o início do ciclo de cortes de juros pela instituição.

A queda dos juros nos Estados Unidos ajuda a valorizar o real frente ao dólar. Quando os juros estão elevados por lá, a rentabilidade das Treasuries (títulos públicos norte-americanos), os mais seguros do mundo, é maior. Assim, quem busca segurança e boa remuneração prioriza o investimento no país.

Em relação a moedas emergentes, como o real, o movimento de valorização do dólar fica ainda mais evidente, porque investidores deixam as aplicações mais arriscadas para destinar recursos aos EUA. Quanto menos dólar entra no mercado brasileiro, mais a moeda norte-americana se valoriza.

"Quando há uma uma certa preocupação em relação ao cenário internacional, é natural que os investidores realoquem seus capitais, refaçam suas carteiras e retirem investimentos de países emergentes", explica Alex Agostini, da Austin Rating.

A balança comercial brasileira

Conforme mostrou o g1 no início deste mês, a piora da balança comercial brasileira também entra na conta. No ano passado, a balança comercial brasileira ultrapassou os US$ 98 bilhões, no maior valor da série histórica. Assim, também é normal que haja uma eventual correção de mercado.

A balança comercial do país é a diferença entre o que o país exporta ou importa. Essa variação influencia no dólar da seguinte maneira:

Quando as exportações estão melhores que as importações, o Brasil vende mais produtos para fora e recebe dólares por isso. Com muita moeda na praça, o preço cai.
E quando as importações estão melhores, o país compra mais itens lá fora e paga com os dólares. Então, mais moedas saem do país e o preço sobe.

Segundo especialistas, o movimento ocorre porque há uma menor demanda internacional, que também está relacionada às movimentações de juros observadas nos Estados Unidos. Na prática, ocorre um movimento de reprecificação, o que gera redução na liquidez internacional.

O quadro fiscal do Brasil

O quadro fiscal brasileiro também tem sido contabilizado pelos economistas e visto como um dos fatores que ajudou a desvalorizar o real nos últimos meses.

Em abril desse ano, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou uma mudança na projeção fiscal do Brasil. A nova previsão passou a ser de déficit zero para 2025 — e não mais de superávit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), como previsto até o ano passado.

Na leitura do mercado, a mudança na meta significa abrir mais espaço para gastos – mesmo em um cenário de dificuldade do governo em aumentar as receitas e apenas no segundo ano de existência do novo arcabouço fiscal.

Escalada de conflitos

Conforme o g1 mostrou em abril, houve ainda capítulos como a escalada de conflitos internacionais. Naquele mês, o Irã lançou um ataque de mísseis e drones contra Israel, após um suposto ataque israelense contra a embaixada iraniana na Síria.

O cenário também elevou os receios de que os conflitos pudessem se agravar no Oriente Médio — região que já tem sido paco dos embates sangrentos entre Israel e o grupo terrorista Hamas.

O aumento dos conflitos também significa uma fuga para o dólar, que é considerado um investimento mais seguro. Esse processo valoriza a moeda norte-americana e, por consequência, desvaloriza as moedas emergentes.

Moedas que mais perderam valor frente ao dólar em 2024

Brasil ocupa a 7ª posição, com desvalorização de 9,5%

 

NIGÉRIA

NAIRA/NIGERIA

-42.80

EGITO

LIBRA/EGITO

-35.00

SUDÃO DO SUL

LIBRA SUL SUDANESA

-29.90

GANA

CEDI GANA

-20.10

ARGENTINA

PESO ARGENTINO

-10.50

JAPÃO

IENE

-10.10

BRASIL

REAL BRASIL

-9.50

TURQUIA

LIRA TURCA

-8.70

MÉXICO

PESO/MEXICO

-8.10

10º

SUIÇA

FRANCO SUICO

-6.80

11º

BANGLADESH

TACA/BANGLADESH

-6.80

12º

TAILÂNDIA

BATH/TAILANDIA

-6.60

13º

GEÓRGIA

LARI GEORGIA

-6.20

14º

UCRÂNIA

HRYVNIA UCRANIA

-6.10

15º

HUNGRIA

FORINT/HUNGRIA

-6.10

16º

COREIA

WON COREIA SUL

-5.70

17º

FILIPINAS

PESO/FILIPINAS

-5.50

18º

INDONÉSIA

RUPIA/INDONESIA

-5.50

19º

TAIWAN

NOVO DOLAR/TAIWAN

-5.40

20º

MAURÍCIO

RUPIA/MAURICIO

-5.40

21º

NORUEGA

COROA NORUEGUESA

-5.20

22º

CHILE

PESO CHILE

-4.70

23º

VIETNÃ

DONGUE/VIETNAN

-4.60

24º

SUÉCIA

COROA SUECA

-4.50

25º

TANZÂNIA

XELIM/TANZANIA

-4.00

26º

CANADÁ

DOLAR CANADENSE

-3.70

27º

MACEDÔNIA

DINAR/MACEDONIA

-3.00

28º

BULGÁRIA

LEV/BULGARIA, REP

-3.00

29º

DINAMARCA

COROA DINAMARQUESA

-3.00

30º

POLÔNIA

ZLOTY/POLONIA

-3.00
 
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