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Quarta-feira, 22 de julho de 2026
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Lançamento do Livro "Mê Pa Cakô Jahkrepej Xà do Povo KANELA do Araguaia" Marca Importante Conquista para a Educação Indígena

Lançamento do Livro

Foto: Agencia Da Noticia

No dia 5 de novembro de 2024, um momento significativo ocorreu na luta pela valorização da cultura e da língua indígena no Brasil: foi lançado o livro "Me Pa Cakôc Jahkrepej Xà do Povo KANELA do Araguaia", em um evento que reuniu diversas lideranças da etnia Kanela, professores e representantes de órgãos governamentais, como a FUNAI, CIMI e MEC. Na organização professor Edviges Albuquerque, Robbergson Andrade Duarte, Paulo Thugran Canela e Maria das Graças Medici, e coordenador da FUNAI, Marcus Vinicius Anizewski.

O evento foi prestigiado por inúmeras lideranças das aldeias Pukanu, Nova Pukanu, Tapiraka e Bom Jesus. A ex-diretora Neiva Coelho também esteve presente, demonstrando seu apoio à causa. Entre os nomes mencionados por Edviges durante seu discurso, destacou-se Claudio Nascimento  Brito Kanela, presidente da Associação APKAP, que tem sido um grande colaborador nesse projeto.

O professor Edviges expressou sua satisfação e alegria pela realização desse projeto, ressaltando que a língua do povo Kanela nunca esteve morta, mas apenas adormecida. Para ele, o entusiasmo das crianças em se comunicar na sua língua materna é uma forte evidência de que a cultura Kanela continua viva e pulsante. O jovem Eduardo Kanela, uma das lideranças da juventude Kanela, destacou a importância de não deixar morrer o legado de seu povo, incentivando os jovens a continuarem a lutar, a serem fortes e a se fortalecerem ainda mais. Na mesma ocasião, Ângelo, coordenador do CIMI (Conselho Indigenista Missionário), expressou sua alegria ao ver a presença de anciãos, adultos, jovens, crianças, lideranças e professores, ressaltando as especificidades de cada povo indígena. Ele enfatizou a necessidade de aprender a respeitar as particularidades de cada grupo, reconhecendo que isso é um processo que exige tempo e esforço.

Ângelo observou que o povo Kanela tem avançado significativamente e que ainda há muito a ser conquistado. Ele jubilou-se ao perceber a força e determinação dessa etnia, comparando-os ao povo hebreu, que lutou para retomar sua identidade e língua após séculos de opressão. Usando como exemplo a história dos hebreus, Ângelo mencionou como a recuperação de sua terra prometida também significou a recuperação de sua língua e cultura. Ele recordou que, ao escreverem o que se tornaria um livro sagrado, eles começaram suas narrativas em hebraico, ressaltando a importância da sua língua materna na expressão da identidade.

O professor Edviges também foi mencionado, recebendo reconhecimento por seu comprometimento com a educação da comunidade Kanela. A ex-diretora Neiva, que acompanhou a luta pela conquista de uma escola para a comunidade, expressou sua gratidão por ter feito parte desse processo. Ela recordou os esforços realizados para garantir a educação do povo Kanela e incentivou a busca pelo resgate da língua materna. Neiva parabenizou especialmente o professor Edviges e agradeceu a todos os envolvidos, incluindo o presidente da associação Claudio Nascimento Kanela.

Ao concluir, Neiva destacou que a ressignificação da língua é essencial para a identidade do povo Kanela, algo que vai além do físico e alimenta a alma. Ela também reafirmou a importância do apoio contínuo às causas indígenas e fez um apelo para que as crianças da comunidade tenham acesso à educação, enfatizando que todos têm o direito de aprender. A luta pela inclusão escolar foi um ponto central na fala da educadora, que deixou um pedido claro para a resolução das questões relacionadas à educação das crianças indígena


Robbergson Andrade Duarte, por sua vez, faz uma citação no livro  apontando as transformações na educação escolar indígena nas últimas décadas. A educação, que anteriormente era marcada por um modelo colonizador, com foco na assimilação dos indígenas à sociedade majoritária e no uso da língua portuguesa, está lentamente mudando. Desde a década de 1970, a adoção do bilingüismo passou a fazer parte das premissas da educação nas aldeias, promovendo o fortalecimento das práticas culturais e o acesso aos bens e serviços da sociedade não indígena.

Os Kanela Apanyekrá, habitantes da região central do Maranhão, próximos aos municípios de Barra do Corda e Fernando Falcão, expressaram a urgência por iniciativas na educação local. O livro "Me Pa Cakôc Jahkrepej xà" surge da vontade do povo Kanela de ver suas crianças e jovens alfabetizados em sua língua materna. A elaboração da obra envolveu a participação ativa de alunos, professores e outros membros da comunidade, que contribuíram com desenhos e ilustrações produzidos durante oficinas.

Além de destacar a importância da língua Kanela, o livro apresenta um alfabeto que permite uma apreensão intuitiva por parte dos alunos, com cada letra sendo contextualizada em seu uso prático na língua. Embora este material represente apenas os primeiros passos para uma educação escolar indígena de qualidade, a expectativa é que ele sirva de impulso para novas iniciativas que valorizem a cultura e a língua do povo Kanela.

O lançamento do livro é, portanto, mais do que uma conquista literária; trata-se de um simbolismo poderoso de resistência e renovação cultural, que reitera a importância da educação bilíngue e da preservação das tradições indígenas no Brasil contemporâneo. 
 
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