A orientação da Receita Federal do Brasil é clara: senhas são pessoais e o acesso aos sistemas deve ser protegido. No entanto, na prática, a rotina dos profissionais da contabilidade revela uma realidade diferente.
No dia a dia, são os contadores que assumem a linha de frente na resolução de demandas dos contribuintes, desde o envio de declarações até a regularização de pendências e desbloqueios de sistemas. Essa atuação se intensifica diante das dificuldades enfrentadas por muitos usuários no ambiente digital.
Plataformas como o gov.br e o e-CAC ainda apresentam barreiras de acesso para parte da população, especialmente para pessoas com menor familiaridade tecnológica. Entre os principais desafios estão a verificação em duas etapas, a navegação em sistemas complexos e a instabilidade das plataformas.
Outro ponto recorrente é a dificuldade de idosos em utilizar os serviços digitais, o que amplia a dependência do contador como intermediador entre o cidadão e os órgãos públicos.
Especialistas destacam que o cenário evidencia a necessidade de evolução nos sistemas governamentais, com foco em maior simplicidade, estabilidade e mecanismos eficientes de delegação de acesso, como procurações digitais mais acessíveis.
Enquanto essas melhorias não avançam, o contador segue desempenhando um papel essencial não apenas técnico, mas também operacional, garantindo que obrigações fiscais sejam cumpridas e que os contribuintes consigam acessar seus direitos.
O debate levanta uma reflexão importante: até que ponto a digitalização está, de fato, acompanhando a realidade da população brasileira?