Uma movimentação nos bastidores do STF está redesenhando o clima interno da Corte e escancarando o que muitos já suspeitavam: o tribunal não funciona como um colegiado independente, mas como um campo de disputa por poder.
Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin passaram a atuar de forma coordenada em votações e articulações, formando um bloco com peso suficiente para influenciar decisões relevantes. O movimento ganha força justamente no momento em que Edson Fachin assume a presidência do tribunal e tenta imprimir sua própria agenda, gerando desconforto entre setores já consolidados no comando da Corte.
A aproximação entre os quatro não tem formalização, mas opera na prática como uma frente de resistência para conter avanços de pautas conduzidas pela nova presidência. Esse alinhamento ganhou tração após desgastes internos recentes e, principalmente, diante das repercussões das investigações envolvendo o Banco Master, que atingem interlocutores próximos ao grupo.
Fachin, por sua vez, sinalizou que ainda não há previsão para pautar delações relacionadas a uma ação do PT de 2020. O processo envolve a delimitação da delação de Vorcaro e pode ter desdobramentos diretos, inclusive no que diz respeito a eventuais questionamentos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.