A realização de mutirões de cirurgias tem transformado a realidade de milhares de moradores da região Norte-Araguaia de Mato Grosso. Em municípios onde há carência de especialistas e longas filas de espera, essas ações representam a oportunidade de acesso mais fácil e rápido à saúde. Mas, se por um lado, os mutirões são vistos como um serviço necessário de regionalização da saúde, por outro, médicos particulares tentam questionar a qualidade dos atendimentos públicos e acusam as ações de ameaça à sua “clientela”.
Os mutirões realizados por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) cumprem justamente o papel de reduzir desigualdades históricas no acesso aos serviços de saúde. São iniciativas que levam atendimento especializado a uma população vulnerável, composta por trabalhadores rurais, aposentados, indígenas, pequenos comerciantes e famílias de baixa renda que não dispõem dos recursos necessários para custear consultas, exames e procedimentos particulares.[01]Pacientes aptos para o atendimento pelos médicos especialistas.
Apesar da relevância social dessas ações, alguns médicos proprietários de clínicas particulares da região têm manifestado incômodo com a ampliação dos atendimentos públicos. Em vez de reconhecerem a importância dos mutirões para suprir uma demanda reprimida há décadas, alguns profissionais tentam lançar dúvidas sobre a qualidade dos serviços oferecidos e alegam que as ações tiram o seu “ganha-pão”.
Mutirões do SUS incomodam clínicas particulares e transformam a vida de milhares no Araguaia
A crítica chama atenção porque ignora uma realidade evidente: a maioria dos pacientes atendidos pelos mutirões não representa perda financeira para as clínicas privadas. Trata-se, em grande parte, de pessoas que simplesmente não possuem condições de pagar cerca de R$ 400 por uma consulta especializada ou valores muito mais elevados por exames e procedimentos cirúrgicos.[02]Estrutura montada para cadastramento e encaminhamento dos pacientes muito bem organizada.
Ao questionarem iniciativas que ampliam o acesso à saúde, esses profissionais acabam direcionando críticas não apenas aos gestores públicos, mas também aos próprios colegas médicos que participam dos mutirões e dedicam seu trabalho ao atendimento da população mais necessitada. São justamente esses profissionais que ajudam a reduzir filas, prevenir agravamentos de doenças e devolver qualidade de vida a milhares de pessoas.
É importante lembrar que o SUS não foi criado para competir com a iniciativa privada. Sua missão é garantir um direito constitucional: o acesso universal à saúde.
Mais do que consultas e cirurgias, essas ações levam esperança a quem aguardou anos por um diagnóstico, a quem sofria limitações por problemas de visão, a quem precisava de um procedimento para voltar a trabalhar ou simplesmente para viver com mais qualidade. Para essas pessoas, o atendimento gratuito não é uma ameaça a ninguém. É a concretização de um direito básico que não pode ser condicionado à capacidade de pagamento.[01]Prefeitos de Santa Terezinha e de Vila Rica, com representante da empresa credenciada e o secretário de saúde de Vila Rica.
O centro do debate deve ser o paciente e suas necessidades, e não a preservação de interesses econômicos. Em uma região marcada por desigualdades sociais e dificuldades de acesso aos serviços especializados, ampliar o atendimento público não deveria ser motivo de contestação, mas de reconhecimento e apoio.
Entre as conceituadas empresas credenciadas junto ao governo federal pra esse tipo de prestação de serviço em saúde pública, está o Instituto dos Olhos da cidade de Ribeirão Preto -SP, que atende serviços médicos através de parceria firmadas entre consórcios regionais de saúde e Prefeituras da região Norte Araguaia, que através dos seus médicos oftalmologistas tem prestado serviço de alta qualidade para a população dos municípios.
Destacando que a empresa está devidamente munida de todas as documentações necessárias para prestar esse tipo de atendimento, entre eles a licença sanitária, um dos principais documentos importantes que é expedido pelo sistema estadual de vigilância sanitária.[02]Equipe de assistentes trabalhando para oferecer atendimento de qualidade para todos os municípios.
O último mutirão aconteceu em duas etapas na cidade de Confresa-MT, sendo o primeiro de 19 a 24 de janeiro e o segundo de 18 a 25 de maio 2026 e atendeu 3.351 pessoas, com 1.128 exames, 1.180 cirurgias, 1183 guias de atendimento e 346 consultas.
O evento de saúde pública foi idealizado pelo Cisax (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Araguaia e Xingu) em parceria com os municípios consorciados. A Cisax é uma associação pública voltada para a gestão e prestação de serviços de saúde ambulatoriais e hospitalares, sendo filiados a entidade os seguintes municípios: Confresa, Canabrava do Norte, Porto Alegre do Norte, Santa Cruz do Xingu, São José do Xingu e Santa Terezinha.