O Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá julga nesta terça-feira (4), às 9h, Junio Santos da Silva, acusado de assassinar a mulher trans conhecida pelo nome social Gisa (Gerardo Ribeiro Lima Junior). A sessão ocorre no Fórum de Cuiabá, com atuação do promotor de Justiça Vinícius Gahyva, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o réu responde por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de asfixia, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e pela qualificadora de menosprezo ou discriminação à condição de mulher, por se tratar de um crime praticado contra uma mulher trans em contexto de discriminação de gênero.
O crime ocorreu na madrugada de 7 de abril de 2024, em um terreno baldio localizado na Rua Professora Tereza Lobo, no bairro Consil, em Cuiabá. Segundo a investigação, Gisa foi agredida com diversos golpes na cabeça e, em seguida, asfixiada, sofrendo lesões que causaram sua morte.
A denúncia sustenta que o homicídio foi motivado pela condição de mulher trans da vítima. Conforme o Ministério Público, o acusado teria reagido de forma violenta ao descobrir que Gisa era uma mulher trans, circunstância que será analisada pelos jurados durante o julgamento.
A materialidade do crime foi comprovada por laudos periciais, imagens de câmeras de segurança e outros elementos reunidos durante a investigação. Na decisão de pronúncia, a Justiça entendeu haver indícios suficientes de autoria e determinou que o acusado fosse submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Junio Santos da Silva foi preso em novembro de 2024, no município de Matozinhos (MG), onde foi localizado após diligências policiais. Ele permanece custodiado desde então. Durante a investigação, conforme consta nos autos, o acusado admitiu a prática do crime em depoimento prestado à polícia, mas optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório judicial.