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Dois destinos em um só coração: Ednaldo conta sua luta na fila por um transplante e a chance de renascer

Conheça a história de um guarda noturno morador de Sorriso que vive hoje com o coração de um jovem de 19 anos

Agência da Notícia com Redação

26/04/2014 - 11:54 | Atualizada em 26/04/2014 - 12:28

Dois destinos em um só coração: Ednaldo conta sua luta na fila por um transplante e a chance de renascer

O Guarda Noturno de Sorriso Ednaldo Mendes teve a sua vida transformada depois de receber um coração de doação

Foto: Agência da Notícia

Um trágico acidente de moto na tarde do dia 25 de outubro de 2009 em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, uniu dois destinos, do jovem Felipe Ramos de Lima, 19 anos, e do guarda noturno Ednaldo Mendes, 42 anos, morador de Sorriso.

Felipe chegou a ser socorrido com vida, mas aproximadamente 24 horas depois do acidente, a família foi comunicada sobre sua morte cerebral, alguns dias antes, por obra do acaso, ele teria comentado com sua mãe que gostaria de ser doador de órgãos, foi então que a família autorizou a doação, ao todo sete órgãos foram transplantados, um deles, o coração, foi o “presente” para Ednaldo, morador de Sorriso, que há um ano e três meses aguardava na fila.


“Eu estava em casa com minha esposa, quando recebi a ligação do hospital, e o médico disse que eu tinha ganhado um presente, um coração para que eu continuasse a viver, nessa hora eu não conseguia fazer nada, nem chorar, nem rir, nem caminhar, fiquei travado”, declarou.

O drama de Ednaldo e sua luta pela vida tinha começado a dois anos, quando sofreu três paradas cardíacas durante uma noite de trabalho, a quarta parada aconteceu quando ele recebia o atendimento no Hospital Regional.

No outro dia, com Ednaldo na UTI, a família recebia a noticia que ele teria poucas chances de sobreviver, e para esse milagre acontecer, ele precisava de um transplante de coração.

Por seis meses ele percorreu hospitais do Brasil fazendo exames e intervenções, até entrar na fila de transplantes, um ano e três meses depois, o chamado para a cirurgia.

“Foram oito horas na sala de cirurgia, quando acordei, senti que tinha nascido de novo, foi um momento de muita emoção, sentimento de vitória, de vida, alguns dias depois, quando já estava em casa, recebi de surpresa a visita da família do doador, sua irmã e seus pais, fiquei sem palavras, mas nossos olhares mostravam nossa gratidão”, confidencia.

Ednaldo conta que tem uma relação como de familiares com os pais de Felipe, a cada dois meses ele precisa ir até São José do Rio Preto para uma bateria de exames e saber se esta tudo bem com o novo coração, e ele sempre tem onde ficar.

Ednaldo é o único transplantado em todo o nortão de Mato Grosso, hoje tenta retomar sua vida, sem aposentadoria do INSS, sobrevive com o auxilio doença do governo federal, no coração, uma eterna gratidão a Felipe, afinal o coração era dele.

“Vejo que o Felipe era um grande homem, mesmo jovem, foi tão grande que mesmo na sua morte, ele pensou em salvar outras pessoas, e eu tive a graça de Deus de cruzar meu destino com o dele, e hoje tudo o que posso fazer por ele, é orar para que Deus ilumine seus caminhos e proteja sua família”.
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