Lava Jato não processa nem condena por opiniões políticas, diz Moro em NY
Em palestra, juiz também disse que operação não representa criminalização da política; ele reconheceu, porém, que há 'inevitável' impacto no mundo político com avanço dos processos.
O juiz Sérgio Moro, responsável pela maior parte dos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, negou nesta segunda-feira (6) qualquer tipo de perseguição política na condução do caso.
Em Nova York, onde participou de palestra e debate sobre o esquema de corrupção que atuava na Petrobras, o juiz também negou uma tentativa de criminalizar a política com as ações.
"Ninguém está sendo processado ou condenado com base em suas opiniões políticas. São casos envolvendo propinas. Então, não é similar ao macarthismo, é complemente diferente", disse, ao responder a uma das perguntas da plateia.
Em sua fala, ele ponderou que, como o caso envolve propina a políticos, "inevitavelmente" haverá consequências políticas. "Mas isso acontece fora do tribunal e o juiz não tem controle sobre isso", ressalvou Moro.
"Alguns políticos também dizem que a Operação Lava Jato representa a criminalização da política. Mas para sermos honestos, a culpa não pode ser apontada para o processo judicial, mas para os políticos que cometeram os crimes. O processo judicial é somente uma consequência. O Judiciário não pode ficar cego diante desses crimes", completou em seguida.
Moro também disse que os juízes estão "apenas fazendo seu trabalho", "processando os casos baseados em provas" e que as ações estão sendo conduzidas conforme o "devido processo legal", com respeito aos direitos da defesa.
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