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15 Jan 2021 - 08:00

MPE mantém compra de Iphones; ONG reage e lança "e-mailzaço" em MT

Procurador aponta que em 4 anos orgão economizará R$ 2 milhões

WELINGTON SABINO

Reprodução:

 (Crédito: Reprodução:)
O Observatório Social de Mato Grosso, espécie de Organização Não Governamental (ONG),  lançou nesta quarta-feira (13), uma campanha em busca de apoio e mobilização da população mato-grossense contra o Ministério Público Estadual (MPE) cobrando transparência e bom uso do dinheiro público. A estratégia é fazer pressão para que o órgão não efetue a compra de 400 aparelhos smartphones ao custo de R$ 2,2 milhões, dos quais 201 serão Iphones com preço individual de R$ 8,3 mil, totalizando R$ 1,6 milhão somente com os aparelhos da Apple, uma das maiores empresas de smartphones do mundo.

Após a imprensa noticiar sobre o pregão para registro de preços homologado pelo Ministério Público homologado em novembro do ano passado, a presidente do Observatório, Elda Mariza Valim Fim, enviou uma notificação extraoficial ao procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges Pereira, para que ele anulasse o pregão. Contudo, obteve como resposta um ofício do chefe do MPE confirmando que a instituição vai comprar os celulares justificando que os equipamentos serão utilizados por quatro anos, o que resultaria, segundo Borges, numa economia de R$ 1,4 milhão durante esse período.José Antônio Borges justificou ainda que a compra dos smartphones será feita porque o contrato existente desde 2015 com a operadora Claro ao custo anual de R$ 444 mil para fornecimento de celulares e suas substituições a cada 12 meses (mediante solicitação) está chegando ao fim. Argumentou que com o novo contrato a ser celebrado pelo Ministério Público somente para o fornecimento de serviço de telefonia móvel pessoal, o valor será em média R$ 87 mil, o que acarretaria uma economia aproximada de R$ 357 mil por ano.

Outra argumentação do chefe do Ministério Público à presidente do Observatório Social é de que os smartphones irão substituir os computadores portáteis. Além disso, o órgão fiscalizador que tem dentre suas funções, zelar pelo bom uso do dinheiro público e exigir que gestores e chefes dos Poderes façam o mesmo, justifica que  aquisição de novos notebooks com configuração semelhante ao já utilizado teria um custo médio, por unidade, de R$ 8.654,80, que é, inclusive, superior ao valor do Iphone 11 pro Max de 256gb objeto da notificação.   

“Assim, tendo em vista a economia gerada ao se optar pela aquisição de smartphones em vez de notebooks, bem como pela continuidade do contrato nº 51/2015, conclui-se pelo não acolhimento da solicitação contida na notificação extrajudicial encaminhada pelo Observatório Social de Mato Grosso, haja vista que a compra questionada está integralmente alinhada aos princípios norteadores da administração pública, em especial o da legalidade e eficiência”, diz trecho do documento assinado por José Antônio Borges Pereira. 

CAMPANHA E ASSINATURAS

Em entrevista ao FOLHAMAX, Elda Valim, representante do Observatório Social, explicou que a campanha lançada é na verdade uma sensibilização contra a compra dos iphones e outros smartphones de luxo pelo Ministério Público. Ressaltou que a campanha é necessária porque, em resposta à notificação extrajudicial expedida pelo Observatório, o procurador-geral de Justiça defendeu a compra e informou que será realizada “demonstrando descaso com as críticas ao desperdício de dinheiro público”.

A ideia é que todo e qualquer cidadão possa participar assinando o “e-mailzaço”, cujo link está disponível site do Observatório. “Além disso, é necessária a manifestação da sociedade porque a prática do MP se tornará um precedente de modo que qualquer prefeito, vereador ou outros servidores públicos vão se sentir no direito de também comprar celulares de luxo, o que pode trazer um prejuízo incalculável aos cofres públicos. Assim, convidamos a todos os cidadãos e cidadãs que não estão dispostos a sustentar esse esbanjamento com o erário a participarem do Emailzaço contra os celulares de luxo.

Também está tramitando na Vara Especializada de Ação Civil Pública e Ação Popular de Cuiabá, sob a juíza Célia Regina Vidotti, uma ação popular ajuizada pelo advogado Rubens Alberto Gatti Nunes, morador de São Paulo, contestando a licitação milionária do MPE para compra dos 400 celulares. O Observatório Social de Mato Grosso pretende ingressar como assistente na ação e promete recorrer ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

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