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Agência da Notícia, Sábado 27 de Fevereiro de 2021

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9 Fev 2021 - 08:18

“O projeto da travessia da Ilha do Bananal é plenamente viável e urgentemente necessário”

Prefeito de Formoso do Araguaia, o jovem Heno Rodrigues fala dos gargalos a serem enfrentados na sua gestão

Redação Agência da Notícia com Jornal Opção

Reprodução

 (Crédito: Reprodução)
Eleito, pelo PTB, prefeito do município de Formoso do Araguaia em 2020 com 38,16% dos votos, o jovem de 26 anos, Heno Rodrigues, é graduado em direito pela UNIRG, advogado e servidor público de carreira do Estado do Tocantins desde 2013. Foi vereador da cidade, pelo partido Cidadania (antigo PPS), entre 2017 e 2020 e se manteve na bancada de oposição.

Nesta entrevista exclusiva ao Jornal Opção/Tocantins ele relata como encontrou as contas do município, enfatiza os gargalos a serem enfrentados, como também, explica como pretende lidar com o parlamento e realinhar a gestão municipal, para retirar-lhe da condição caótica que atualmente se encontra.

Mesmo sendo uma candidatura oposicionista – a princípio com poucas chances – o Sr. conseguiu “virar o jogo” e se eleger prefeito de Formoso do Araguaia. A quais fatores atribui essa vitória?
Foi uma campanha que surgiu da vontade popular. Eu exercia o cargo de vereador e era candidato natural à reeleição, contudo, o clamor das ruas me convocou para a missão em 2020. O meu nome ganhou musculatura e a pré-candidatura tomou proporções inimagináveis. Conversei bastante com outros pré-candidatos, porque era importante criarmos uma “terceira via” forte e competitiva. 

Há muito anos a cidade ficava apenas nas mãos de poucos grupos, que dominavam a política. Creio que a população se cansou disso, principalmente pela má gestão dos recursos e pela situação caótica que o município se encontra no momento. A terceira via que propomos, foi a alternativa propositiva para um jeito novo de fazer política. Houve identificação do eleitorado com a candidatura, porque ela representava – de fato – a mudança. 

Por ter exercido o cargo de vereador anteriormente, como pretende conduzir a relação institucional com o parlamento municipal?
Creio que por ter experiência como legislador, essa relação vai ser facilitada, articulada e amistosa. Sei como funciona a Câmara de Vereadores, suas dificuldades, gargalos e problemas. Também sei como esses representantes do povo enfrentam as carências dos cidadãos. Sempre defendi a independência e harmonia dos poderes, visando o bem-estar da população. Estamos alinhados e acredito que executivo e legislativo farão um bom trabalho.

Quantos vereadores estão na sua base de sustentação?
Dentre os 11 vereadores, 06 estão dispostos a ficar na base e fechados com a gestão. É uma questão de entendimento e diálogo que acabou por formar uma base sólida. Não é hora de oposição radical, mas sim de compor e tentar fazer o melhor para nossa cidade. Apesar disso, respeito os movimentos oposicionistas – pois já estive lá – e considero a pluralidade de posicionamentos muito saudável para o processo democrático. 

A propósito, reitero que respeitei a independência do legislativo e não interferi na eleição da Mesa Diretora da Câmara, pois acredito que esse seja um assunto que diz respeito unicamente a eles. 

O Sr. é natural da cidade de Formoso e, exercendo o cargo de vereador no município, naturalmente conhece bem os problemas da cidade e se propôs solucioná-los na condição de prefeito. Quais são as prioridades?
Eu tinha noção que encontraria muitos absurdos e problemas. Contudo, os gargalos são bem maiores que eu pensava. Quando tomei posse e me deparei com os relatórios situacionais, percebi que os problemas tinham dimensões muito maiores. 

Para se ter uma ideia, o nosso instituto de previdência não tem reservas financeiras e acumula uma dívida de R$ 27 milhões. Em 2017, através de Projeto de Lei, forçamos o prefeito da época a reparcelar a dívida que, na época, girava em torno de R$ 19 milhões. Seriam 200 parcelas de R$ 115 mil, descontados diretamente da parcela do FPM. Entretanto, mesmo diante da lei municipal, o parcelamento não foi feito. Acumulados os juros e mais as inadimplências de 2018, 2019 e 2020, hoje nos deparamos com uma dívida impagável. Se parcelássemos agora, o comprometimento dos créditos do município seriam em torno de R$ 700 mil por mês. Neste caso, as outras obrigações não seriam quitadas. 

E o pior: o CNPJ está incluso no CAUC e, por isso, sequer temos condições de obter recursos junto ao governo federal, devido a essas inadimplências. 

Além disso, há precatórios não quitados na ordem de R$ 7 milhões. Determinei que seja realizado o levantamento completo junto ao INSS e FGTS, mas infelizmente já sei que existem débitos. Enfim, o município está sucateado e nem mesmo o maquinário – que utilizamos para manutenção de estradas vicinais – está funcionando. 

Em relação à grande população indígena do município e, considerando que ela faz parte do grupo prioritário da vacinação contra a covid-19, como foi tratada essa questão?
Recebemos na primeira remessa, 953 doses da vacina, justamente em razão do grupo prioritário, composto por 724 indígenas. Deste total, vacinamos 149 índios da etnia Javaé, que residem em nove aldeias dentro da ilha do bananal. Além do acesso difícil, a equipe é reduzida. 

É importante frisar, no entanto, que o município apenas auxilia nos atendimentos aos indígenas, obedecendo o cronograma da Secretaria Estadual de Saúde. O Distrito Sanitário Especial Indígena do Tocantins (DSEI/TO) é que responde sobre tais demandas. O DSEI/TO é um órgão subordinado à Secretaria Especial de Saúde Indígena ligado diretamente ao Ministério da Saúde (MS). Ele é o responsável pela atenção a Saúde dos Indígenas, não apenas em Formoso do Araguaia, mas também em todo território tocantinense.

E no que se refere ao Projeto da Travessia da Ilha do Bananal, qual o seu posicionamento?
Vai transformar a cidade no Portal de entrada do “Pantanal Tocantinense”, incluindo a ilha e as comunidades indígenas na rota do turismo nacional e internacional, gerando mais oportunidades, trabalho e renda. 

Além disso, o projeto da travessia é magnífico, plenamente viável e urgentemente necessário para a economia de Formoso, da região sul e do Tocantins como um todo. A travessia do Araguaia, da maneira como foi projetada, vai se transformar num corredor de exportação, uma vez que toda produção agrícola e pecuária do Estado do Mato Grosso chegará ao pátio multimodal da ferrovia norte-sul em Gurupi e, de lá, seguirá para o porto de Itaqui no Maranhão. Ser essa “linha de passagem” vai fortalecer o município de Formoso, evidentemente, e trará riquezas para nossa cidade. 

O que ocorreu com o “Projeto Rio Formoso”, um grande pólo produtor de arroz?
Infelizmente caiu muito a capacidade de produção. As terras são férteis e já produziram em grande escala, trazendo muitas divisas e dividendos para a cidade. Mas hoje as condições estruturais são outras e precisam ser revitalizadas para que o Projeto volte a ser forte. 

Logo após ganhar as eleições para prefeito, fui à Brasília, em busca de soluções para os vários gargalos da nossa cidade e um dos temas tratados com nossa bancada foi esse. Tratei diretamente com o senador Eduardo Gomes da revitalização desse importante projeto. Falamos com o secretário Homero Barreto e recebemos seu apoio. 

Essa revitalização – tratada por muitos anos como discurso político e eleitoreiro – precisa sair do papel e voltar a produzir na sua capacidade máxima. Isso vai fortalecer o município, logicamente. Obtivemos a informação que há recursos na ordem de R$ 150 milhões para revitalizar o projeto, dos quais, cerca de R$ 30 milhões já estão liberados e serão encaminhados através do Estado do Tocantins, o responsável pela execução. Vou participar intensamente, enquanto gestor municipal, dessa retomada. Apresentaremos projetos sociais, além de outros que visem melhorar as condições de vida do nosso povo.

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