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12 Abr 2021 - 08:08

PC, Câmara e AL já investigam denúncias de maus tratos e negligência em hospital de Cuiabá

Até agora, quatro suspeitas já se tornaram públicas após denúncia de técnica de enfermagem

WELINGTON SABINO

Reprodução

 (Crédito: Reprodução)
Além da Polícia Civil que já abriu investigação contra o Hospital São Judas Tadeu para averiguar denúncias de negligência e maus-tratos contra pacientes, a Câmara Municipal de Cuiabá também vai apurar a situação diante da gravidade dos relatos feitos pela técnica de enfermagem, Amanda Delmondes Benício. Até o momento, os casos de quatro pacientes já são de conhecimento público.

Na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Elizeu Nascimento (PSL) apresentou requerimento, na sessão do dia 5 de abril, para que a técnica de enfermagem compareça ao Legislativo Estadual para esclarecer as graves denúncias feitas por ela num boletim de ocorrência na Polícia Civil e também em entrevistas para a imprensa. Depois que a profissional de saúde, que trabalhou durante 50 dias no hospital particular, denunciou o caso na Polícia Civil e na imprensa, familiares de alguns pacientes também estão registrando ocorrências policiais e buscando veículos de comunicação para relatar situações semelhantes. 

A delegada Luciani Barros Pereira de Lima conduz a investigação preliminar instaurada pela Delegacia da Capital, situada no bairro Planalto. Ela ouviu a técnica de enfermagem no dia 7 de abril e garante que todas as denúncias feitas pela profissional serão apuradas.

Segundo informações, a Polícia Civil já teria conhecimento de pelo menos sete boletins de ocorrência registrados por familiares de pacientes vítimas de maus-tratos no Hospital São Judas Tadeu. Dentre os pacientes que passaram pelo hospital no período em que Amanda Delmontes ainda trabalhava no local, e que segundo ela, sofreram maus-tratos e foram negligenciados, estão o major da Polícia Militar, Thiago Martins de Souza, de 34 anos, que morreu em decorrência de complicações da Covid-19, na madrugada do dia 3 e o professor Toshio Doi, de 68 anos, que faleceu na madrugada do dia 10. 

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A técnica de enfermagem Amanda Delmondes afirmou que o professor Toshio Doi foi outra vítima de maus-tratos até ela intervir na situação. "No caso do senhor Toshio, tem a câmera, eu deixei a porta aberta e falei: vocês não vão deixar ele morrer não. Ele caiu da cama, eu fiz uma conchinha nele com lençol, a moça que recolhe sangue falou que vocês não podem fazer isso, ele não tem uma gase, mas eu vou tirar a gaze dele. Ela foi na sala do médico que só mandou levar. Pegou uma maca sem colchão, sem nada, eu ainda coloquei um travesseiro para que a cabeça dele não batesse. Ele estava roxo desfalecendo. O fisio falou que ele estava com a nova bactéria e nada poderia ser feito. Eu falei: pode sim", contou ela.

Em nota, o presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Juca do Guaraná Filho (MDB), confirmou que a Casa vai apurar as denúncias. Ele solicitou ao presidente da Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social, o vereador Dr. Luiz Fernando (Republicanos), para apurar denúncia de suposto maus-tratos que o servidor Toshio Doi e outros pacientes teriam sofrido bem como as demais denúncias feitas contra o hospital. PROFESSORA SUJA DE FEZES

A lista inclui ainda a professora Iracilda Lima, de 51 anos, que morreu no dia 8 de abril. Sua sobrinha, vendedora Lucineide Vilalva de Souza, 36 anos, afirmou que a tia também foi negligenciada enquanto esteve internada no hospital particular, situado no bairro Jardim Califórnia, em Cuiabá.

As revelações foram feitas numa entrevista no final de semana ao site Hipernotícias.  “Ela falava para mim por mensagem que estava suja, que eles não limpavam ela”, relatou a vendedora confirmando ainda que a tia foi intubada sem que a família fosse comunicada.

Iracilda foi transferida para o Hospital São Benedito no dia 29 de março e na unidade pública as enfermeiras disseram que a professora estava com assaduras graves provocadas por fezes que estavam em contato com a pele há vários dias.

CASO DE MAJOR

No caso do major da Polícia Militar, a técnica de enfermagem afirma que ele ficou duas semanas no hospital "jogado" sem tomar banho até que ela decidiu dar banho no paciente.  O policial contraiu o coronavírus e estava internado desde o dia 12 de março no Hospital São Judas Tadeu.

Trecho de uma mensagem trocada pelo próprio policial com outra pessoa num aplicativo de conversas mostra ele reclamando do atendimento ruim e uma equipe reduzida. "Muita gente e poucos profissionais. A mulher veio fazer o tem cedo e me esqueceu com o aparelho. Dormi com o trem na cara e soltou parte. Quase afoguei. Soltei sozinho e até agora nada do socorro", escreveu Thiago.

Com o agravamento da doença, ele precisou ser transferido para a UTI do Hospital São Benedito, mas não resistiu e morreu no dia 3 de abril. Após a morte do militar, o deputado Elizeu Nascimento apresentou requerimento para a profissional ser ouvida e prestar informações sobre supostos maus-tratos que o major Thiago Souza teria sido submetido antes de morrer. 

DIÁRIAS DE ATÉ R$ 10 MIL 

Em entrevista à TV Cidade Verde, uma mulher que tinha familiar internado do no Hospital São Judas Tadeu, relatou que além de pagar R$ 10 mil na diária, ainda era preciso pagar medicamentos à parte se houvesse necessidade de inclusão no tratamento. Além, disso segundo ela, era cobrado mais R$ 150 por dia somente para alimentação do paciente. 

Além da PC, Assembleia e Câmara de Cuiabá, o Conselho Regional de Medicina e também de Enfermagem apuram as denúncias. O hospital segue funcionando normalmente.

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