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31 Mai 2021 - 08:23

Corredores ecológicos restauram ecossistemas no Xingu Araguaia

Região que historicamente sofre pressão por desmatamento tem a oportunidade de recuperar sua rica biodiversidade formada pelo Cerrado e floresta Amazônica

Redação

Na região do Xingu Araguaia, no Leste do Estado, o Governo de Mato Grosso, por meio do Programa REM MT, financia o “Conectividade ecológica e econômica no Xingu Araguaia. O projeto é coordenado pelo Instituto  Socioambiental (ISA), e promove a restauração de Áreas de Preservação Permanente (APP) e de reserva legal para a formação de “corredores ecológicos” que conectam fragmentos vegetais e práticas agropecuárias sustentáveis. 

O projeto Conectividade ecológica e econômica no Xingu Araguaia promove a restauração de ecossistemas, tema da Semana do Meio Ambiente deste ano em Mato Grosso - comemorada na primeira semana do mês de junho -, alinhada com a década da restauração de ecossistemas instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), no período de 2021 a 2030. 

O evento é organizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e contará com uma série de ações e palestras sobre a importância de restaurar ecossistemas para sobrevivência do planeta. Para participar CLIQUE AQUI.

Conectividade ecológica

O projeto envolve agricultores familiares dos municípios de Canarana, Nova Xavantina, Querência e Serra Nova Dourada. A ideia é tanto restaurar o riquíssimo ecossistema e biodiversidade da região, que envolve a transição entre Cerrado e Amazônia, quanto aumentar a produção dos pequenos e médios produtores, de maneira sustentável, além de promover a segurança alimentar, bem como a geração de renda de forma participativa e inclusiva. 

Uma das estratégias para viabilizar o projeto é o procedimento denominado de “Muvuca”, que tecnicamente é chamado de “semeadura direta”. O ISA desenvolve a técnica com sucesso há 14 anos. O método – eficiente e mais barato que o plantio de mudas – consiste em misturar diversas sementes de espécies nativas e de adubação verde, e semeá-las ao solo. A prática, além de prover a restauração do ecossistema, contribui efetivamente para reestabelecer o equilíbrio dessas áreas na região do Xingu Araguaia, que desde 1970 sofrem constantes pressões por desmatamento.

“Isso [semeadura direta] propicia a germinação simultânea de plantas com comportamentos diferentes, criando uma diversidade de ambientes que atrai animais, que, por sua vez, trazem outras espécies vegetais. Com isso, há enriquecimento das florestas que serão formadas, e contribuição para o equilíbrio do ecossistema”, detalha o ISA em seu projeto encaminhado ao Programa REM Mato Grosso. 

O método, além de recuperar o passivo ambiental dos produtores com um custo mais baixo, lhes garante o aumento da renda e o sustento das famílias. Além disso, há uma série de co-benefícios, como: “a melhoria da qualidade ambiental, com a qualidade e a quantidade da água, formação de corredores ecológicos, restabelecimento dos serviços ambientais, fortalecimento dos benefícios sociais e econômicos de comunidades locais e também do produtor rural”. 

O ISA destaca que, as sementes, que visam a restauração do ecossistema,  serão adquiridas da Rede de Sementes do Xingu, que atua há 13 anos no território. Atualmente a organização beneficia 568 coletores, em 21 municípios, 14 assentamentos rurais, uma reserva extrativista, sete povos indígenas distribuídos em 17 aldeias em quatro terras indígenas.

Ao longo de mais de uma década, a Rede de Sementes do Xingu conseguiu alcançar uma produção de 249 toneladas de sementes que gerou uma renda de 4 milhões de reais, que fomentou 6.800 ha (seis mil e seiscentos hectares) de áreas em processo de restauração em diversas regiões do país.  

Entre as famílias da agricultura familiar beneficiadas com o projeto está a Associação dos Pequenos Produtores Rurais do P.A. Guatapará.  A associação, explica o ISA, está localizada em Canarana e o assentamento conta com 120 famílias que possuem a agropecuária como atividade principal.

A restauração do ecossistema local também envolve as áreas de atuação das 45 famílias vinculadas à Associação dos Produtores Rurais Beira Rio, no município de Nova Xavantina. As famílias também possuem a pecuária como atividade principal. 

O projeto também conta com a parceria da Associação Agroecológica Caminho da Paz (ACAMPAZ), em Serra Nova Dourada; e da Rede de Sementes Portal da Amazônia. Conforme o ISA, trata-se de um movimento coordenado por grupos de agricultores familiares e organizações não governamentais no sentido de facilitar o acesso às sementes florestais para as ações de recuperação ambiental. 

“A rede [de Sementes Portal da Amazônia] está formalizada na forma de uma cooperativa, possibilitando a comercialização de sementes para todas as regiões do Brasil. A Rede está composta atualmente por 120 coletores de 08 municípios da região norte do Mato Grosso, conhecida como Portal da Amazônia”, detalha o instituto. 

A proposta faz parte das Chamadas de Projetos 03.2020 do Subprograma Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais (AFPCTs) do REM MT.

O Conectividade ecológica e econômica no Xingu Araguaia ainda está no início, com prazo de 24 meses para ser executado. Foi idealizada pelo ex-coordenador do ISA/Canarana (MT), Heber Queiroz Alves – importante ativista socioambiental no estado, que, infelizmente, faleceu em decorrência da Covid-19. Mas seus projetos, valores e ensinamentos seguem adiante.  A busca pela restauração de ecossistemas na região do Xingu Araguaia, inclusive, é um dos seus legados. 

Homenagem a Heber Queiroz

Ao divulgar o projeto Conectividade ecológica e econômica no Xingu Araguaia, inserido no contexto da Semana do Meio Ambiente, como exemplo de restauração de ecossistemas, o programa REM MT, rende homenagem ao Heber, que foi um grande parceiro do programa e restaurador de ecossistemas no Xingu Araguaia.
Ele faleceu em decorrência da Covid-19 no último dia 10 de maio em Barra do Garças (MT), onde estava internado. 

Foi Heber quem fez os mapas das primeiras agroflorestas plantadas com muvucas - justamente o método que ele pretendia desenvolver no projeto em parceria com o Programa REM MT. Os mapas desenvolvidos por Heber ocorreram durante a campanha Y Ikatu Xingu, ou Salve a Água Boa do Xingu.  Conforme o ISA, a campanha mostrou ao mundo “a importância da recuperação e proteção das nascentes do Rio Xingu. 

Ele coordenava o componente Adequação Socioambiental do ISA em Canarana, com projetos focados em restauração florestal.  Entendia que um dos grandes ganhos em “plantar florestas” era unir pessoas com pensamentos diferentes em torno de um bem comum. 

“Heber ajudou a plantar mais de 6 mil hectares de florestas, ou pelo menos 18 milhões de árvores. Acreditava em um futuro melhor para seus filhos, Lívia e Breno. E, para nossa sorte, acreditava em um futuro melhor para os filhos de todos nós”, destaca a coordenação do ISA.

Sobre o Programa REM MT

O Programa REM MT (do inglês, REDD para Pioneiros) é uma premiação ao Estado do Mato Grosso pelos resultados na redução do desmatamento nos últimos 10 anos. A cooperação internacional dos governos do Reino Unido e da Alemanha doam recursos por meio do BEIS e do Banco de Desenvolvimento Alemão (KfW) para o Programa que aplica em ações de conservação da floresta a fim de reduzir emissões de CO2 no planeta. Para isso, beneficia diretamente iniciativas que contribuem para reduzir o desmatamento, estimular a agricultura de baixo carbono e apoiar povos indígenas e comunidades tradicionais.

É coordenado pelo Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), e gerenciado financeiramente pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO). Saiba mais sobre o Programa REM MT em: www.remmt.com.br.

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