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4 Jun 2021 - 16:20

Deputado de MT aconselha Bolsonaro "fechar a boca e trabalhar"

Juarez Costa também criticou postura do presidente da República em promover aglomerações em manifestações

WELINGTON SABINO

Reprodução

 (Crédito: Reprodução)
“O sentimento em Brasília é um só: Bolsonaro tinha que fechar a boca e os filhos também. O grande problema é esse bate-boca, a falta de liturgia do cargo, isso compromete bastante”. A declaração é do deputado federal Juarez Costa (MDB), um dos oito parlamentares que compõem a bancada federal de Mato Grosso.

Embora faça parte da base de apoio do presidente, o emedebista faz duras críticas à postura inconsequente de Bolsonaro na condução do País, principalmente nas questões relacionadas à pandemia de Covid-19. Segundo o parlamentar, o momento é de corrigir os erros do Ministério da Saúde e avançar com agilidade na imunização para frear o avanço da pandemia.

Ao fazer uma análise da atual conjunta política do Brasil, qual está inserido como um dos agentes responsáveis por avalizar ou rechaçar projetos enviados pelo presidente que interferem na vida de toda a população brasileira, Juarez Costa observou que a crise sanitária e econômica causada pela pandemia só tende a se agravar à medida que o presidente não faz a sua parte. “Tanto o presidente, como os filhos, já passou do momento de colocar um cadeadinho na boca e seguir em frente, trabalhar pra que a gente possa dar a volta nessa pandemia e retomar com certeza o caminho da economia desse país”, disse Juarez em entrevista à Rádio Capital FM.

Em meio ao clima da manifestações que têm sido realizadas, a favor e contrárias ao presidente, o deputado Juarez, que já foi prefeito de Sinop por dois mandatos, avalia que o momento não é de ir para as ruas fazer atos com aglomeração de pessoas. “Eu lamento as movimentações, as manifestações num momento de pandemia, você vê que todo mundo fala numa terceira onda e tem gente ainda que não acredita na pandemia. Ela está matando gente, eu perdi um irmão, perdi uma cunhada, sei o que é isso, passei também pela Covid”.

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Nesse contexto, o deputado também reprovou a postura do presidente que sempre aparece em público sem utilizar máscaras, causa aglomeração nos locais que frequenta, a exemplo do dos “passeios” de motocicleta realizados por Bolsonaro, um deles em Brasília no dia 9 de maio e outro no Rio de Janeiro, no dia 23 de maio. “A gente não é favorável a isso (manifestações). Acho que não é o momento pra passear de motocicleta, não é momento de ir pras ruas, o momento é de ter todo cuidado possível, atender as exigências sanitárias pra que possamos passar definitivamente por essa pandemia e voltar a ter uma vida normal”, comentou Juarez Costa.

Como saída para superar a pandemia e os problemas mais urgentes, ele defendeu que o presidente invista na imunização da população de forma mais célere e deixe de fazer provocações a outros países como alguns discursos criticando a China, país fornecedor do insumo utilizado na vacina Coronavac. “Acho que o Ministério da Saúde errou muito na condução da pandemia, poderia ter vacinado mais, poderia ter comprado vacina antecipado, mas o erro já foi, é consertar agora, é vacinar a população, aguardar passar a pandemia”.

Agora, segundo deputado, o Governo Federal tem que levar com mais seriedade a questão da imunização. “Tem que vacinar a população, chegar a pelo menos 75% da população vacinada. Países que já vacinaram acima de 75% estão praticamente imunizados, a gente quer voltar a vida normal e se continuar nesse desrespeito”, observou.

LOCKDOWN NÃO

Apesar das críticas e cobranças o deputado federal mato-grossense afirmou ser contrário ao lockdown, medida que obriga o fechamento do comércio e demais atividades consideradas não essenciais por certos períodos para conter o avanço do coronavírus e dar fôlego à rede de saúde pública e privada que tem limite de atendimento, principalmente no tocante às vagas de UTIs.

“Não sou hoje a favor de lockdown, mas pelo menos distanciamento, uso de máscara, álcool em gel, essas recomendações devem ser respeitadas para que a gente possa voltar a ter uma vida normal, tocar a economia, poder rever os amigos, os parentes. É triste o momento que a gente passa e ele se torna mais demorado quando o desrespeito é aflorado, isso a gente está vendo”, observou Costa.

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