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Agência da Notícia, Terça-feira 22 de Junho de 2021

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7 Jun 2021 - 08:30

Com 84% da população do Xingu vacinada, Distrito Sanitário encontra dificuldade com 'fake news' para imunizar todos

Olhar Direto

De acordo com o Instituto Socioambiental, 84% da população do Território Indígena do Xingu (TIX), em Mato Grosso, já foi vacinada com duas doses de imunizantes contra a Covid-19. Ao todo na região vivem 16 etnias, e todas elas seguem sendo atendidas por equipes de saúde para que a vacinação ocorra. Até o momento, o local com maior cobertura é o Alto Xingu, com 89% da população com mais de 18 anos vacinada com as duas doses. 

Na região do Diauarum, no baixo Xingu, esse número é de 74%. No Pavuru, médio Xingu, 86,49% acima dos 18 anos vacinados. E no leste, 81,13%. Um dado, no entanto, é preocupante: 9,14% dos xinguanos recusaram a primeira dose. Apesar do avanço na vacinação, o número de indígenas contaminados ainda preocupa. 

Dados do último boletim epidemiológico indicam 115 infectados com a Covid-19. Desde o início da pandemia, foram 1.311 casos confirmados em todo o território e 18 mortes. Os casos dos municípios no entorno do TIX também acendem o alerta. A Secretaria Estadual de Saúde do Mato Grosso voltou a alertar que 18 municípios estão em alto risco para a Covid-19, entre eles estão Canarana, Marcelândia e São José do Xingu. A maior circulação dos indígenas na cidade é ponto de preocupação e provável responsável pelo aumento dos casos no TIX. 

O Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena (DSEI-Xingu) declarou também preocupação com a realização de festas, principalmente com o ritual do Kwarup, que recebe muitos convidados e pode provocar novos contágios nas aldeias. "Na minha aldeia todos com mais de 18 estão vacinados. Diminuiu os casos, mas mesmo assim mantemos o isolamento social", afirma Oreme Ikpeng, da aldeia Moygu. 

Outro ponto de atenção são as notícias falsas que circulam pela região e dificultam a aceitação da vacina.  "O grande desafio é levar conhecimento e segurança para as comunidades que ainda temem a vacina", conta Evelin Plácido, coordenadora da área técnica de imunização do Programa Xingu, da Unifesp. 

Segundo ela, o diálogo direto é o que mais funciona nessa hora. Winti Kisedje conta sua experiência: após ser vacinado com as duas doses, contraiu Covid-19. Mas seu caso não se agravou, muito provavelmente por causa da imunização. "A vacina ajudou muito, por isso acho que aqui na aldeia não tem ninguém com caso grave e preocupante até agora. Até mesmo pessoas que nem sentem que está com vírus e só quando testa dá positivo. Quem sente mais sintomas de febre são só os mais velhos, mas nada grave. Até agora tudo tranqüilo", relata.

Nesse momento, a equipe do Dsei Xingu e do Projeto Xingu da Unifesp, com o apoio do ISA e ATIX, realizam uma nova expedição de repescagem. Estão rodando o território para conversar com os indígenas que recusaram a vacina na primeira visita. Nessa nova etapa, os profissionais de saúde estão realizando também a campanha de vacinação contra a gripe (Influenza) e também a rotina de imunização das crianças (difteria, tétano, coqueluche, meningite e febre amarela).

Logística e apoio do ISA

A tradição e experiência do Projeto Xingu com a vacinação no território auxiliou na logística para a campanha contra a Covid-19. As vacinas saem dos laboratórios nacionais em São Paulo (Instituto Butantan) e no Rio de Janeiro (Fiocruz) para os centros de distribuição estaduais. De lá, seguem para os centros regionais. O mais próximo do Xingu fica em Água Boa (MT). As vacinas viajam então para Canarana (MT) e, de lá, vão para o Território Indígena do Xingu de carro ou avião.

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