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3 Dez 2021 - 15:19

Análise do mercado do milho

As cotações do milho em Chicago, por sua vez, recuaram, porém, em ritmo bem menor do que o da soja e trigo

Da Redação Agência Da Notícia com Agrolínk

Foto: Repórter Agro

 (Crédito: Foto: Repórter Agro)
As cotações do milho em Chicago, por sua vez, recuaram, porém, em ritmo bem menor do que o da soja e trigo. O primeiro mês cotado fechou a semana em US$ 5,77/bushel, contra US$ 5,79 uma semana antes. A média de novembro fechou em US$ 5,70, ficando 6,3% acima da média de outubro. Por outro lado, a média de novembro de 2020 havia sido de apenas US$ 4,15/bushel. A colheita de milho nos EUA também está encerrada e o mercado espera o relatório do USDA para conferir o volume final da mesma. Este relatório sairá dia 09/12. 

Na Argentina, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, 30% da área de milho, de um total esperado de 7,1 milhões de hectares, havia sido semeado até o final de novembro. Muitas regiões do vizinho país sofrem com a falta de chuvas, o que está atrasando o plantio do cereal. Mesmo assim, do que foi plantado 81% das lavouras estão entre boas a excelentes, 18% estão em nível médio e 1% ruins. Em uma semana, o nível de boas a excelentes caiu 10 pontos percentuais. Já no Brasil os preços do milho se mantiveram relativamente estáveis, com variações dependendo da região. A média gaúcha fechou a semana em R$ 81,28/saco, contra R$ 81,59 uma semana antes. Nas demais praças nacionais o milho oscilou entre R$ 66,00 e R$ 84,00/saco, com o CIF Campinas (SP) permanecendo em R$ 83,00.

Por outro lado, na B3 os contratos de milho iniciaram a quinta-feira (02/12) com os seguintes valores: janeiro/22 à R$ 90,96/saco; março/22 à R$ 91,09; maio/22 à R$ 87,10; e julho/22 à R$ 82,90/saco.  Em algumas praças, após quedas constantes, os preços do cereal voltaram a subir, porém, de forma bastante lenta. O menor volume de chuvas em novembro, com tendência a assim continuar em dezembro, vem causando preocupações aos produtores e ao mercado em geral. Isso faz com que aqueles que possuem milho em estoque o conservem, na expectativa de novas altas de preços logo adiante. Com isso, o ritmo de comercialização se mantém lento. No Rio Grande do Sul, mais uma vez, o problema de falta de umidade é sério, com muitas regiões já perdendo entre 40% e 50% da safra de milho (caso do Noroeste), enquanto as perdas médias estaduais giram ao redor de 30%.(cf. Emater).

Dito isso, a área de milho da safra de verão, no país, deverá mesmo subir 4% sobre o ano anterior, se estabelecendo em 4,6 milhões de hectares. No Centro-Sul serão 3,13 milhões de hectares, com 5% acima do ano anterior, enquanto no Norte/Nordeste a mesma atingiria 1,47 milhão de hectares, com aumento de 4%. Considerando-se uma normalidade climática, o que já não é o caso no Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina, esperava-se que a safra de verão pudesse chegar a 28,9 milhões de toneladas. Hoje, o número total gira entre 25 e 26 milhões de toneladas. Quanto ao milho safrinha, a área deverá chegar a 6% acima da registrada no ano anterior, sendo 16,6 milhões de hectares no Centro-Sul e 2,4 milhões no Norte/Nordeste. Em clima normal espera-se uma produção ao redor de 92 milhões de toneladas, ou seja, 50% acima do produzido na frustrada safra passada. Do total produzido, a região Centro-Sul responderia por 85,08 milhões de toneladas e o Norte/Nordeste por 6,95 milhões. Assim, no total das duas safras, para 2021/22, o Brasil teria uma área semeada de 21,2 milhões de hectares, 6% acima do registrado no ano anterior, e uma produção de 120,9 milhões de toneladas, ou seja, 40% sobre o ano anterior, cujo total teria ficado em 86,3 milhões de toneladas. (cf. Datagro).

Este quadro, somado aos estoques mais importantes do que o previsto, para o final do corrente ano comercial, tende a puxar para baixo os preços do milho em 2022. Enquanto isso, a Anec reduziu sua estimativa de exportação de milho brasileiro para novembro, ficando agora com 2,9 milhões de toneladas. Este volume é 2 milhões de toneladas menor do que o realizado em novembro de 2020. No acumulado dos 11 primeiros meses do ano as exportações brasileiras de milho, segundo a Anec, atingiram a 17,4 milhões de toneladas, contra 33,4 milhões em todo o ano de 2020. Já a Secex indica um volume exportado em 2,4 milhões de toneladas, com o mesmo ficando 50,7% abaixo do volume exportado em novembro/2020, faltando dois dias úteis para fechar os cálculos do mês de novembro. Assim, a média diária atual é 46,6% menor do que a registrada em novembro do ano passado. Já o preço da tonelada se elevou em 20,6%, passando de US$ 178,40 no ano passado para US$ 215,10 neste mês de novembro. Assim, de janeiro a novembro de 2021 (faltando os últimos dois dias úteis de novembro para serem contabilizados) a Secex informa exportações brasileiras de milho em 17,02 milhões de toneladas.

Por outro lado, em novembro o Brasil importou 621.376 toneladas de milho, também segundo a Secex, volume 197% acima do registrado em todo novembro de 2020. A média diária, agora, é 212,4% superior à média de novembro do ano passado. Ao mesmo tempo, o preço da tonelada importada saltou 70,8% na comparação entre os dois meses, passando de US$ 142,80 para US$ 244,00. Assim, faltando igualmente dois dias úteis de novembro, o total importado pelo Brasil, em milho, neste ano de 2021, atinge próximo de 2,8 milhões de toneladas, ou seja, mais de 130% acima do
registrado no mesmo período do ano anterior.

Em termos estaduais, no Rio Grande do Sul, às voltas com mais uma estiagem sobre o milho, o plantio do cereal atingia a 86% da área até o dia 25/11, contra a média histórica de 88% para esta data, segundo a Emater. Por sua vez, no Mato Grosso, segundo o Imea, os preços locais vêm apresentando preços negativos em relação a Chicago. No final de novembro as cotações do milho no Mato Grosso estavam R$ 10,58/saco menor do que os preços na Bolsa de Chicago, ou seja, uma diferença R$ 16,11/saco menor do que o registrado no mesmo período do ano passado.

Enfim, no Paraná, segundo o Deral, o plantio da safra de milho verão estando concluído, no final de novembro tinha-se que 26% das lavouras estavam em frutificação, não havendo ainda problemas climáticos já que 95% das lavouras apresentavam bom estado. Com isso, a produção de milho de verão naquele Estado continua projetada em 4,1 milhões de toneladas, com produtividade média de 166 sacos/hectare.

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