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11 Abr 2014 - 16:25

Muitas vezes ignorado, ajuste de suspensão melhora uso das motos

Ao contrário dos carros, alterações são fáceis de fazer nas motos

Auto Esporte

 Modificações em motos podem ser feitas para adequá-las às preferências específicas de cada um. Na maioria das vezes tais alterações visam aspectos estéticos, especialmente no caso das motos médias ou grandes. São as chamadas “customizações”, palavrinha cada vez mais usada para definir quando um produto recebeu alterações para se tornar individual, único, a cara de seu dono ou dona.

Já nas motos menores nem sempre mudanças têm como fim esse conceito bacana, mas sim a busca pela adequação ao uso prático. Isso ocorre geralmente nas motos empregadas no trabalho, onde é comum ver – especialmente nas motos usadas pelos motofretistas ou motoboys, como queiram – guidões mais estreitos que os originais e/ou as alavancas de freio dianteiro e embreagem viradas para cima. A razão? Fazer a moto passar melhor entre as frestas nos congestionamentos.

Resumidamente, modificações não são um pecado desde que não alterem excessivamente a dirigibilidade de cada moto. Porém, como às vezes os critérios de cada um são isso mesmo – de cada um – o melhor mesmo é não modificar o que veio de fábrica e foi exaustivamente estudado por gente do ramo. Enfim, mexa à vontade na parte estética, mas não altere exageradamente a posição de pilotagem.

Mexendo na suspensão

Por outro lado, o que poucos fazem (seja por desconhecimento ou descaso), é usar um recurso muito útil presente em quase todas as motos: regular a suspensão de acordo com o uso, peso do condutor ou condição de carga.

É raríssimo atualmente encontrar uma moto ou scooter que não ofereça ao menos a possibilidade de alterar a carga da mola dos amortecedores traseiros, operação simples e que em alguns casos exige o uso de uma chave específica sempre presente no jogo de ferramentas.

Esta possibilidade é sem dúvida uma grande vantagem das motos em relação aos carros, uma vez que a chance de intervenção no comportamento da suspensão de automóveis só é possível em modelos caros, tanto nos luxuosos como nos esportivos.

Qual a razão das motos serem dotadas de regulagem nas suspensões? Em linhas gerais, inclusive pela enorme facilidade de oferecer tal recurso, tendo em vista a acessibilidade do elemento elástico – leia-se o conjunto mola-amortecedor, que fica bem à vista.

Do lado do funcionamento, alterar a regulagem da mola em uma moto pequena significa adequá-la a condições de carga diferentes sem que seu comportamento dinâmico sofra exageradamente. E como sabemos, motocicletas são particularmente sensíveis à carga, seja sob a forma de pacotes ou passageiro.

Trocando em miúdos, é assim: uma pequena 125 ou 150 cc pesa algo em torno dos 110 kg em ordem de marcha. Sua suspensão traseira sai de fábrica com um acerto que prevê o uso por um cidadão padrão, o chamado “homem médio” que, de acordo com pesquisas entre usuários, é um cara de cerca 70-75 kg de peso.
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No entanto, existem os gordões, assim como os magrelos. Existem os gordões que andam com gordonas na garupa e os magrelos que levam magrelas.

E vice-versa, e ao contrário e... já viu, né? E para evitar que a dirigibilidade seja arrasada por uma suspensão arriada, que perde o poder de atuação (ou o oposto, dura como um pau), até as motos mais simples oferecem a chance de alterar a pressão da mola nos amortecedores coisa que, como mostra nossa experiência, é um recurso pouco utilizado pela maioria dos motociclistas.

Suspensão não é apenas conforto

Se nas pequenas motos, as chamadas utilitárias, é possível alterar o comportamento da suspensão traseira através das molas, nas motos maiores e/ou mais sofisticadas os recursos são infinitamente maiores e melhores.
Porém, antes de falar deles, vale um recado simples, óbvio mais importante: suspensão – seja de moto, carro, ônibus ou caminhão – não visa apenas oferecer conforto. É, isso sim, importante elemento de segurança, e em conjunto com pneus é responsável pela estabilidade e equilíbrio de nossas motos em momentos radicalmente opostos, mas que se sucedem a cada passeiozinho.

Na frenagem, a suspensão dianteira é fiel cúmplice da segurança, pois afundando aquele tantinho que parece uma besteirinha, se encarrega de reduzir a resposta brusca que levaria a roda dianteira ao travamento e, consequente, à perda de aderência. Já em curvas, as suspensões absorvem a imediata mudança de carga ocorrida pela ação da força centrífuga na passagem da linha reta para a inclinação, força esta que sempre quer nos levar para fora da trajetória. Sem suspensões, acreditem, a briga estaria quase perdida.

Neste trabalhoso cenário absorver as irregularidades – seja em linha reta, seja fazendo curvas – é apenas mais uma tarefa: engolir a buraqueira nos oferece conforto nos pés, mãos e “fundos”, mas também representa assimilar boa parte de fenômenos físicos que, sem amortecimento, gerariam trepidações e/ou oscilações capazes de nos jogar no chão.

Conjuntos mais sofisticados

Motos mais sofisticadas geralmente oferecem algo mais do que a chance da alterar a tensão na mola dos amortecedores. Em geral, tais modelos se valem de sistemas modernos nos quais o par de conjuntos mola/amortecedor da traseira é substituído por apenas um único amortecedor com mola e, acreditem: esse é um dos raros casos onde um é melhor do que dois.

Batizados de sistema monoamortecido, o elemento elástico (o amortecedor e mola) geralmente está ligado a um conjunto de bieletas, também chamados de “links”, que alteram o cinematismo da suspensão, tornando-a progressiva. Ou seja, na primeira fase o amortecimento é suave, macio, que passa a oferecer maior resistência de acordo com a pressão à qual está sendo submetido. Na prática, a mola e o amortecedor atuam de maneira mais intensa quando a carga é maior, e vice-versa.

Nem por isso o conjunto mola amortecedor dispensa regulagem, havendo em muitos casos não apenas a possibilidade de regular a tensão da mola como também a ação hidráulica do amortecedor, que pode ter sua resposta de funcionamento alterada na compressão como na extensão, ou em ambos.

E o mesmo pode se dar com relação à suspensão dianteira, onde as chamadas “bengalas” nada mais são do que conjuntos mola-amortecedor passíveis de intervenção na carga de suas molas e ajuste da parte hidráulica.

Complexo? Sim, sem dúvida, mas tenha certeza que um dos maiores diferenciais entre uma moto que você considera boa e outra que você julgará ótima estará no âmbito das suspensões. E saber que você mesmo, como certa paciência, poderá ajustar o sistema às suas preferências é uma grande vantagem, não?

 
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