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22 Abr 2014 - 14:47 | Atualizado em 22 Abr 2014 - 14:55

Revista Época diz que Cuiabá é o "lamaçal do Pantanal"

Copa do Mundo começará em Cuiabá na sexta-feira, dia 13 de junho, com o jogo entre Chile e Austrália

Mídia News

A revista Época, das Organizações Globo, publicou uma reportagem crítica, em seu site, sobre as obras da Copa do Mundo em Cuiabá.

Intitulada "O lamaçal do Pantanal: Cuiabá é a sede mais problemática à espera da Copa", a reportagem afirma que o que foi feito, até agora, "dá a medida do fracasso": das 56 obras prometidas, apenas 14 serão inauguradas a tempo.

"Quem desembarca na cidade de Várzea Grande, onde fica o aeroporto internacional da região, encara uma paisagem lunar", diz outro trecho da matéria, assinada pela repórter Juliana Arini.

A Copa do Mundo começará em Cuiabá na sexta-feira, dia 13 de junho, com o jogo entre Chile e Austrália. O sorteio das chaves não foi camarada com a cidade. Ela receberá também Rússia x Coreia do Sul, Nigéria x Bósnia e Japão x Colômbia, partidas que não podem ser consideradas clássicos do futebol mundial.

O caos que Cuiabá vive às vésperas da Copa não pode, no entanto, ser creditado à falta de sorte. As expectativas eram imensas. Em 2009, o governador Blairo Maggi falava em avançar 40 anos em cinco. O projeto inicial parecia excelente. O estádio a construir, a Arena Pantanal, seria um dos mais baratos da Copa, a um custo de R$ 420 milhões.
"Às vésperas da Copa, o cotejo entre as intenções e o que foi realizado dá a medida do fracasso. Das 56 obras prometidas, apenas 14 serão inauguradas a tempo do Mundial"
Para sediar quatro jogos do Mundial, Cuiabá receberia investimentos de R$ 2,5 bilhões, parte deles na forma de empréstimos feitos ao governo estadual pela Caixa e pelo BNDES. Com o dinheiro, Cuiabá reformaria o aeroporto que serve a cidade, faria diversas obras viárias e resolveria os problemas da mobilidade urbana com um sistema de bondes – os VLT, os Veículos Leves sobre Trilhos.

Às vésperas da Copa, o cotejo entre as intenções e o que foi realizado dá a medida do fracasso. Das 56 obras prometidas, apenas 14 serão inauguradas a tempo do Mundial, segundo o relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE). As obras incompletas começam pelo aeroporto. Os trechos completos do sistema VLT só serão entregues em 2017.

O estádio está atrasado – deveria ter sido entregue em dezembro, e a nova data é 26 de abril, a um mês e meio da Copa. Todas as obras custarão mais caro que o previsto, e em todas as frentes pipocam denúncias dos órgãos de fiscalização.

Quem desembarca na cidade de Várzea Grande, onde fica o aeroporto internacional da região, encara uma paisagem lunar. O que se vê é uma imensa cratera cercada por materiais de construção.

Desembarcar é uma aventura, pois é necessário pular tapumes e atravessar poças de lama em pequenas pontes improvisadas de compensado – para, depois, mofar à espera dos poucos táxis que disputam os espaços entre as obras e o acesso ao terminal. Custeada com os recursos federais, a obra, orçada em R$ 100 milhões, já recebeu uma advertência do Tribunal de Contas da União por sobrepreço – R$ 11 milhões.

Pior: está longe de ser concluída. A empresa responsável, a Engeglobal, declarou há dois meses que o aeroporto não ficará pronto para a Copa do Mundo. Procurada na semana passada, a Engeglobal não atendeu aos pedidos de entrevista de ÉPOCA. Isso significa que os torcedores dos times que jogarão em Cuiabá continuarão se equilibrando nas pontes de compensado. Pobres nigerianos, bósnios, russos, japoneses...

Os torcedores também não poderão andar de bonde – ideia controversa desde o princípio pelo custo elevado, estimado em R$ 1,2 bilhão. O governador Blairo Maggi era contra os VLT. Preferia um sistema de ônibus em faixas exclusivas, o BRT (sigla de Bus Rapid Transit). Ele sairia bem mais barato – cerca de R$ 700 milhões.

De outro lado, o deputado José Riva, ex-presidente da Assembleia Legislativa, defendia os VLT. Riva venceu. Vários incidentes ocorreram no meio do caminho. Em 2011, houve a denúncia de adulteração de um laudo do Ministério das Cidades. Num primeiro momento, o ministério se dissera a favor do BRT.

De acordo com a denúncia que gerou um processo no Ministério Público Federal, a gerente de projeto do Ministério das Cidades, Cristina Maria Soja, alterou o laudo – e, em agosto de 2011, o novo parecer, favorável aos bondes, foi aprovado pela ministra do Planejamento Miriam Belchior. Riva, patrono do projeto, teve pouco tempo para comemorar. Ele foi afastado da Assembleia Legislativa de Mato Grosso em 2013, acusado de desvio de R$ 2,6 milhões dos cofres públicos.

 
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