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16 Mar 2015 - 13:38

VEM PRO CIRCO???

Sargento da Polícia Militar Randalle Silva

Agência da Notícia/Reprodução

 (Crédito: Agência da Notícia/Reprodução)
Domingo quinze de Março de 2015, ligo minha Tv e todos os meios de comunicação só reportam as inúmeras pessoas que deixaram suas casas e estão nas ruas reivindicando mudanças na política brasileira, intervenção militar e alguns impeachment.

Eis que, surge um questionamento em minha cabeça: Ir às ruas é o meio correto de se protestar e conseguir o resultado almejado?
Não querendo ser pessimista, ou defensor de partido A ou B, mas vejo que alguns estão influenciados pela mídia ou estão indo no famoso “oba oba”.

Primeiramente, antes de adentrarmos em cada um dos clamores mais populares que estão ecoando nas ruas, é salutar enaltecer que lutar por aquilo que se acha justo e legitimo, é um dos direitos mais sublimes do brasileiro. Direito este insculpido na Constituição Federal de 88, e que nos anos da ditadura militar foi suspenso pela A.I 5.

Em falar em ditadura, alguns grupos defendem e uma “intervenção militar constitucional”. Porém, não existe nenhuma previsão em nosso ordenamento jurídico, a C.F/88 em seu artigo 142 deixa claro que as Forças Armadas são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. Ou seja, da leitura podemos extrair que as Forças Armadas estão sob subordinação do Governo, e qualquer ato subversivo e ilegal contra o Governo e os ditames da lei seria um golpe iniciando uma ruptura da ordem constitucional.

Outros defendem o impeachment da Presidenta, no entanto especialista brasileiro entrevistado pela BBC BRASIL Peter Hakim, presidente emérito do instituto de análise política Inter-American Dialogue, em Washington elencou cinco motivos que não dão força à um possível impeachment são eles: A) Não há um embasamento convincente e que ligue o Governo diretamente aos escândalos, assim é cedo para se cogitar um impeachment. B) Ainda não há uma ligação direta de Dilma e o escândalo da Petrobras. C) A oposição não tem um interesse no impeachment da Presidenta, pois preferem vê-la enfraquecida e fracassada que assumir um país em crise e levarem também a culpa. D) Diferente de Collor, a base governista de Dilma é forte, assim seus opositores estão em menor número. E) Os problemas enfrentados no Brasil, não um fato isolado, toda América Latina está em crise, Hakim menciona que se no Brasil a inflação está em 7,7%, na Argentina chega à 40% e na Venezuela beira 70%. Ou seja, apesar da crise instalada, não há forças suficiente para um Impeachment.

A Maioria dos grupos são uníssonos em clamar por reformas política, e o fim da corrupção. Drummond dizia: “uma eleição é feita para corrigir o erro da eleição anterior, mesmo que o agrave.” Será que a mudança iniciará com as reformas políticas ou a mudança só iniciará quando cada um de nós sermos consciente nas escolhas dos nossos representantes tanto no legislativo ou executivo?

Bem nobres leitores, Bertold Brecht falava sobre o analfabeto político que estufava o peito dizendo que tinha ódio da política. Enquanto houver pessoas que só se manifestam por osmose quando a mídia os incitam, e muitas vezes com uma ideologia comprada ou camuflada da real intenção, nunca iremos avançar.

Digo isso, pois, como citamos acima algum dos clamores das ruas não tem embasamento, só tem um proposito incipiente, que é gerar desgaste em nomes e legenda partidária.

Temos que ir às ruas e pedir reforma política, mas temos que compreender o cenário econômico atual, e não ficar sendo fantoches de grupos que nos apresentam uma ideologia, mas que camuflado à essa ideia há outra conotação.
O dia que não houver espaço para troca de voto por combustível, por dentadura, por emprego, ou fechamento de grupos políticos em troca de favores escusos, ou futuro apoio em uma eventual candidatura, estaremos iniciando a reforma política.

Agora, se tais vícios continuarem, apenas estaremos trocando os personagens, mas o roteiro continua um só: “Pão e Circo”.

Randalle Silva 3° SGT PM, Bacharel em Direito pela Fcarp – MT, e Pós Graduado em Gestão em Segurança Pública e Direitos Humanos.

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1 comentário

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  • por Leidy, em 22 Mar 2015 às 13:04

    Excelente artigo.

 
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