Agência da Notícia

Mato Grosso

Agência da Notícia, Sexta-feira 17 de Setembro de 2021

1 5
:
1 8
:
0 2

Últimas Noticias

Enquete

Como você pretende investir o seu dinheiro nos próximos anos?

Notícias / Artigos e Opinão

30 Mar 2015 - 16:15

"Dilma vai à ponta do abismo e não salta", diz José Arthur Giannotti

Para o filósofo, tendência é de "acordão" entre governo e PMDB para afastar impeachment e limitar alcance da Lava Jato

Agência da Noticia com Blog

 “A tendência é por um acordão. Se botar todo mundo na cadeia, o legislativo para de legislar, as empreiteiras param de funcionar e o salto pra frente de desenvolvimento, com obras de infraestrutura, não acontece”, disse o filósofo em entrevista ao iG. Ele diagnostica que as instituições padecem de uma “anemia geral” e prevê uma saída sem rupturas da crise, bem ao jeitinho brasileiro.

“A Dilma, teimosa, vai à ponta do abismo, mas não salta. E ela está fazendo o que? Se reaproximando do Lula _ com quem estava rompida _ e juntando-se ao PMDB. Provavelmente teremos um novo governo Sarney (José Sarney/1985-1990). Estamos fadados a mais quatro anos de pasmaceira”, prevê.

O cenário de um impeachment, segundo Giannotti, seria o pior dos mundos para a oposição: o vice-presidente, Michel Temer, não teria condições de “segurar” a crise, o governo passaria para as mãos do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que em três meses seria obrigado a marcar uma nova eleição.

“O Lula seria o grande beneficiário do impeachment e poderia vencer a eleição, ele ou alguém da esquerda”, afirma. O filósofo frisa que o ex-presidente ainda tem força e ficou praticamente à margem das críticas que partiram da megamanifestação de 15 de março em São Paulo. “Você viu Fora Dilma, Fora PT, mas não Fora Lula”, observou.

Segundo o filósofo, há mais uma questão importante envolvida no grande acordo político em curso, o acordão, que ele chamou de “trama lamacenta”: a restrição da Operação Lava Jato a seus efeitos judiciais e não mais como uma espécie de cruzada de depuração na política cujo alcance não deverá ir além dos grupos políticos conhecidos e nem produzirá abalo no sistema.

“A Lava Jato é fundamental, tende a avançar, mas na hora em que começar a julgar e as denúncias forem para a CPI, o acordão vai pegá-la, vai absorvê-la. Não creio que possamos ter no Brasil uma operação como foi a Mão Limpas, na Itália”, disse. Cético quanto a possibilidade de abalos no sistema político atual, diz que não vê motivos para rupturas.

“Eu não creio em impeachment. É um processo que pede base jurídica e política. Base jurídica dificilmente vai haver e mesmo havendo, a menos que tenhamos uma corrosão social, esse Congresso não vai votar impeachment”, diz, taxativo.

Giannotti disse que ficou assustado com a análise apressada de acadêmicos que, sem dados mínimos, pintaram a manifestação de 15 de março, na Avenida Paulista, como uma nova Marcha da Família e de características fascistas ou revolucionárias. Para ele, as manifestações têm motivações simples: quem protestou na sexta 13 (CUT, MST e UNE) pediu “não mexam nos nossos benefícios” e os que foram no domingo (universitários, na maioria) querem reforma política para serem representados. Os protestos, segundo ele, deveriam “empurrar pra frente” o sistema político, mas este, desgastado, só consegue reagir de forma aleatória e vagarosa, levando com a barriga.

Comentários no Facebook

Comentários no Site

0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião da Agência da Notícia. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Agência da Notícia poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.
Comentários com mais de 1300 caracteres serão cortados no limite.

Notícias Relacionadas

 
Sitevip Internet