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3 Jun 2015 - 11:15

Violência de cada dia - I

Agência da Noticia com Redação Onofre Ribeiro

 Recordo-me sempre do meu querido amigo coronel Leovaldo Sales, quando era comandante da Polícia Militar de Mato Grosso, lá por 2006. Um dia ele veio à minha casa logo cedinho pra trocarmos ideias, como de praxe. Era uma segunda-feira e ele me confidenciou que sentia um frio na barriga quando abria sites, jornais e assistia TV e rádio nesses dias, com medo da quantidade de mortes e de violência do fim de semana. Eram no máximo duas mortes, prisões mais ou menos corriqueiras.

Se ele fosse comandante da PM hoje, certamente teria cólicas de desespero com as notícias de cinco mortes em Cuiabá-Várzea Grande neste fim de semana, e cerca de 20 prisões por tentativas de homicídio, roubo de veículos, roubos de cargas, tráfico de drogas e brigas de rua ou em casas noturnas. Tudo com muita violência.

Recordo-me de naquela conversa com o Cel. Sales ter-lhe dito que a violência que tanto temia não era caso de polícia. Era caso de política. Como de hábito, filosofamos um pouco sobre o tema e ele foi embora se assustar com as modestas estatísticas daquela distante segunda-feira, tão diferente de hoje.

Trago outra memória mais recente, pra mexer nesse assunto proposto no título do artigo. Uma amiga estava sendo assaltada em casa por três bandidos, sendo uma mulher. Drogados. Ela tentando distrair a atenção deles porque seu filho estava no quarto dormindo e ela temia por ele. O telefone de um dos bandidos tocou e ele atendeu a sua namorada que lhe cobrava qualquer coisa. Tiveram uma conversa áspera ao telefone e ele lhe disse: "pô, meu tô trabalhando!". Assaltar é trabalhar!

Gostaria de situar essa violência descrita dentro de uma situação política, que começou há 45 anos e resultou nessa violência generalizada e sem causa, onde assaltar, traficar e matar é trabalho. Temos duas situações. A primeira, foi o "milagre econômico" da economia brasileira a partir de 1971, que abriu mercado de trabalho e tirou as mães para fora de casa e do seu papel histórico de educadoras dos filhos. O outro foi também a partir dali quando surgiu uma nova classe média, a exemplo do que aconteceu nos últimos 15 anos.

A classe média levou seus filhos pra escola privada. A escola pública tornou-se escola pra pobres. Como ninguém escuta pobres, a educação pública morreu ao longo dos últimos 45 anos até o caos de hoje quando a violência cresceu tanto e quem viola não tem consciência do convívio social. O assunto continua amanhã.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso. E-mail:onofreribeiro@terra.com.br www.onofreribeiro.com.br


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