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9 Mai 2014 - 15:07

Com retirada de Terminal Atacadista, moradores de rua prometem migrar para trincheira do Verdão

A curiosidade fez com que ela aprendesse a fumar o crack, na cidade de Aripuanã onde trabalhava como operadora de supermercado.

Olhar Direto

 'Destoando' da magnitude da Arena Pantanal, moradores de rua, boa parte deles dependentes químicos, povoam as imediações do palco dos jogos da Copa do Mundo 2014 e nos próximos dias devem ‘migrar da região’ com a transferência do Terminal Atacadista do Verdão. A 'alternativa' avaliada do grupo é uma possível mudança para a área da trincheira do Verdão ou para um terreno instalado ao lado de um posto de combustíveis às margens da avenida Miguel Sutil.

Hoje, o grupo com cerca de 30 pessoas está alojado em espaços anteriormente empregados por comerciantes e permanece abrigado em um perímetro de cerca de 500 metros que antes dava lugar a entrada do Terminal. Homens e mulheres dividem o espaço entre detritos, lonas, caixas de papelão, mas quase sempre permanecem invisíveis à vista da maioria. Os 'alojamentos' estão a menos de 500 metros do novo estádio erguido para o Mundial de 2014.

Histórias, sonhos, violência e abandono se confundem no espaço. Roubos, furtos e trabalhos de carga e descarga de caminhões fazem parte da rotina e rendem quantias módicas, mas suficientes para manter o prazer imediato garantido pelo uso do crack e pasta base. Cada 'pega' ou 'pedra' custa em média R$ 5. "Puruca", líder do grupo, afirma que a esperança é continuar no local.

Adriana, 31 anos, natural de Juína (730 quilômetros de Cuiabá) possui o ensino médio completo, tem bom domínio da língua portuguesa, e está nas ruas há três meses depois de fugir da Comunidade Terapêutica Lar Cristão onde permaneceu por três dias apenas. Usuária desde os 22, ela conta que perdeu seu casamento, sua moto, e hoje não têm mais coragem de voltar para casa. Não consegue nem calcular quantas pedras fuma por dia.

A curiosidade fez com que ela aprendesse a fumar o crack, na cidade de Aripuanã onde trabalhava como operadora de supermercado. “Tinha um barzinho e todo dia à noite eu ia assistir tevê e lá tinha umas meninas que apareciam com os olhos arregalados e depois sumiam. Um dia eu perguntei o que era. Fui lá e provei. Não senti nada. Voltei de novo e da segunda vez, deu. Fiquei três dias invernada”.

 
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