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3 Mar 2016 - 14:44

R$ 3,60 resolvem os problemas?

O valor da tarifa foge a realidade em relação às distâncias e à qualidade da prestação dos serviços

Agência da Notícia com LUIS CLÁUDIO SODRÉ

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 No dia 1º deste mês, os mato-grossenses acordaram com a sensação de terem um dos direitos, o de ir e vir, sendo mais uma vez, afrontado com o aumento da passagem do transporte coletivo, na Capital e interior do Estado.

O reajuste já anunciado pelos órgãos competentes e empresas de ônibus coletivo foi para R$ 3,60. Antes, era R$ 3,10 e poderia atingir até R$ 3,80, conforme as primeiras negociações.

Qual foi o benefício para população usuária do sistema de transporte urbano?
Essa tão famosa planilha de custo foi discutida com os setores organizados da sociedade? A relação custo-benefício foi levada em consideração?

No dia seguinte, os problemas foram os mesmos, ônibus quebrados, sem ar, profissionais estressados e passageiros desrespeitados no seu direito de chegar ao trabalho ou em casa.

Assim como em Cuiabá, os passageiros de ônibus em Mato Grosso pagam por uma tarifa caríssima levando em consideração, os quilômetros rodados pelos coletivos.

Na maior distância entre o centro da cidade e os bairros cuiabanos, são no máximo de 19,5 quilômetros, que é o caso do Pedra 90, um bairro com mais de 22 mil habitantes, segundo Censo do IBGE, em 2010.

Fora os horários de pico, os passageiros desse bairro não levam mais que 20 minutos para chegarem ao local do trabalho, no centro de Cuiabá e, ainda assim, pagam R$ 3,60.

Nas maiores cidades do interior como Várzea Grande, Sinop, Barra do Garças e Rondonópolis, as distâncias não chegam a 15 quilômetros.

O valor da tarifa foge a realidade em relação às distâncias e, principalmente, à qualidade da prestação dos serviços feitos pelas empresas.

Num ato de ilusionismo, os promotores desse reajuste lançaram para a população, a aparente economia de 20 centavos, em relação aos R$ 3,80 que estavam previstos inicialmente.

E parece que os empresários do ramo, também foram iludidos na negociação se forem considerados os índices inflacionários, que atingirão futuramente, os preços dos produtos que fazem os ônibus rodarem pelas cidades mato-grossenses.

Até então, a luz no fim do túnel ainda não deu seu clarão e os reajustes de outros produtos vinculados aos transportes estão por vir.

Tendo ainda, os cálculos sobre as despesas com encargos sociais de um grande contingente de funcionários imprescindíveis ao movimento desse sistema tão fragilizado, incluído no oferecimento dos serviços públicos dos municípios.

Será que mesmo com a isenção estadual do ICMS para as empresas de transportes que passam a cobrar a tarifa de R$ 3,60, esse valor cobrirá todas as despesas previstas nas planilhas de custos?

Essa tão famosa planilha de custo foi discutida com os setores organizados da sociedade? A relação custo-benefício foi levada em consideração?

Será que essa cobrança no melhoramento das condições de transportes não deveria ter sido bem anterior à autorização do reajuste?

São perguntas que precedem a um conceito primordial dentro de um Estado Democrático de Direito: a transparência.

Isso porque, a população também vai apresentar seu preço no acordo feito para o reajuste da tarifa para R$ 3,60.

A justificativa do aumento envolveu centenas de itens reivindicados por ambas as partes patronais.

Mas foi condicionada a entrega de um produto de qualidade na prestação desse serviço.

A expectativa é que na contrapartida da população, as empresas cumpram com o combinado que é a renovação completa da frota a cada três anos, ônibus limpos com ar-condicionado, pontos de ônibus confortáveis e profissionais qualificados.

Será que o aumento vai resolver os problemas crônicos desse setor?

LUIS CLÁUDIO SODRÉ é servidor público em Cuiabá.

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