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21 Jun 2014 - 10:00

Após um ano, resultado do maior protesto da história de Cuiabá é nulo

Cerca de 45 mil pessoas foram às ruas de Cuiabá em 20 de junho de 2013. Para analista político, reivindicações tiveram efeitos nulos um ano depois.

Agência da Notícia com G1 MT

 O maior protesto da história de Cuiabá completa um ano nesta sexta-feira (20) sem ter provocado mudanças objetivas no panorama político e social alvo dos cerca de 45 mil manifestantes. A avaliação é dos articulistas e historiadores Alfredo da Mota Menezes e Pedro Félix. Segundo eles, a movimentação nas ruas no dia 20 de junho do ano passado se limitaram a expressar um sentimento generalizado de descontentamento, mas sem ter produzido mudanças desde então.
Os protestos em Cuiabá no dia 20 de junho de 2013 seguiram a mobilização nacional iniciada em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. O movimento nasceu nas grandes capitais do país reivindicando passe livre no transporte público, mas acabou tornando-se uma manifestação de caráter difuso, pelo fim da corrupção, contra os gastos com a Copa do Mundo de 2014, contra a Proposta de Emenda Constitucional 37 e outros.
Em Cuiabá, os manifestantes se reuniram na Praça Alencastro, centro da cidade e onde se localiza a sede da Prefeitura. A multidão seguiu em passeata até o prédio da Assembleia Legislativa. Inicialmente, a Polícia Militar estimou que 30 mil pessoas foram às ruas, mas em seguida o número foi revisto para 45 mil. Até então, a maior movimentação popular já vista na capital mato-grossense havia sido no comício de apoio à campanha 'Diretas Já', em 1984.
Resultados
“Foi um despertar da cidadania. Foi bonito? Foi. Foi espontâneo? Foi. Mas o que trouxe de resultado concreto? Nada. Modificou alguma coisa? Nada!”, criticou o articulista Alfredo da Mota Menezes. Para ele, a expressão de descontentamento não foi suficiente para provocar alterações objetivas nas instituições políticas, para forçar uma mudança de comportamento das autoridades ou para efetivamente elevar a qualidade dos serviços públicos.
E, além disso tudo, a sensação de descontentamento permanece. Segundo Menezes, as pessoas ainda guardam insatisfação com “tudo isso que está aí” (bordão que simbolizou o caráter difuso das manifestações do ano passado) e, um ano depois, ainda anseiam por serviços públicos “padrão Fifa”.
“O que mudou na educação? E na saúde ou no transporte público? Quem fez algo que possa ser lembrado? As pessoas continuam descontentes, como as pesquisas mais recentes vêm mostrando. Logo após os protestos houve a redução no preço da passagem de ônibus aqui em Cuiabá, o que foi um engodo. E o programa 'Mais Médicos'? Melhorou a situação? Hoje nem se ouve mais falar. O que se deduz é que não se fez nada. Objetivamente, não houve nada. A única coisa que ficou foi o termo 'Padrão Fifa'”, observou Menezes.
Mudanças
A avaliação é semelhante à do também historiador Pedro Félix, segundo o qual os protestos mais serviram para gerar um despertar momentâneo da população mato-grossense, cujo efeito hoje é apenas um grau levemente mais elevado de atenção por parte das pessoas com o que acontece no plano político. No mais, o “gigante” voltou a um estado “meio letárgico” - declarou o analista, fazendo referência ao bordão “o gigante acordou”, utilizado pelos manifestantes de junho.
Depois das passeatas e demonstrações nas ruas, para o historiador a classe política apenas “fez cara de paisagem” e a população do estado voltou ao silêncio sem ver nada de avanços nos serviços públicos em seu dia-a-dia. Para Pedro Félix, as esperadas mudanças políticas reivindicadas nos protestos agora devem ser esperadas num processo que culmina com as próximas eleições.
“Não vimos propostas concretas de mudanças políticas, mas o resgate histórico foi estupendo. Não podemos dizer que não houve ganhos políticos à população, que está mais atenta aos velhos discursos, mas os resultados disso a gente só vai ver no dia 5 de outubro”.

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