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25 Jun 2014 - 09:15

Tese sobre agronegócio é apresentada nos Estados Unidos

Sociólogo afirma que modelo freia desenvolvimento de MT

Agência da Notícia com Mídia News

 Mais de mil presidentes de empresas, prefeitos, chefes de fundação, líderes de setores empresariais, governamentais e sem fins lucrativos, participam até amanhã (25) da quarta edição da Iniciativa Global Clinton América (Clinton Global Initiative America - CGIA), em Denver, Colorado, nos Estados Unidos.

Os debates buscam soluções para o crescimento da economia americana aliada ao desenvolvimento social e trazem entre os destaques desta nova rodada a política de exportações da maior commoditie mato-grossense: a soja.

A relação entre o agronegócio, a moeda chinesa, o yuan, e o dólar foi tema da exposição do sociólogo paulista Maurício Munhoz, radicado em Mato Grosso, Estado com a maior produção de soja no Brasil (milhões de toneladas na safra 2013/2014). O analista participou na manhã de hoje da dinâmica encabeçada pelo professor de Harvard Raj Chetty.

Munhoz observa que o principal produto que os chineses importam é o petróleo, aproximadamente 5 milhões de barris/dia, sendo ainda forte comprador de matérias-primas como a soja, algodão e minérios made in Brasil.


"Nessa relação comercial com a China, os EUA têm uma certa estabilidade, com o dólar servindo como moeda nas transações, apesar da pressão de grandes países petroleiros como Irã e Venezuela. No entanto, a China equilibra sua balança comercial, fazendo frente ao dólar, com a importação de minério de ferro, soja e algodão do Brasil", pontua o especialista.

Ele lembra que parte desses insumos originados no Brasil são consumidos pelo mercado chinês e outra parcela, já industrializada e transformada em produtos como aço e roupas, é exportada pela China a destinos como o próprio Brasil.

A tese do sociólogo foi baseada na dinâmica comercial de Mato Grosso que, por conta da maciça produção de soja, deixa de receber em torno de R$ 2 bilhões ao ano em impostos por conta da Lei Complementar nº 87, a chamada Lei Kandir, em vigor no Brasil desde 13 de setembro de 1996. A referida lei isenta do ICMS produtos primários como a soja e outros itens e serviços destinados à exportação.


De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Mato Grosso colheu 27 milhões de toneladas de soja nesta safra e exportou US$ 5,4 bilhões em produtos relacionados ao complexo soja. Do total vendido ao mercado externo, mais de 70% é destinado à China.
“Acabamos vendendo matéria prima para os chineses a preços competitivos para eles, claro, que nos vendem de tudo, industrializado, causando danos terríveis à indústria nacional. Além disso, os tributos e os empregos da soja ficam todos na China. Entendo que a soja, que é a maior riqueza de Mato Grosso, também é o maior empecilho para o desenvolvimento do Estado”, afirma o sociólogo.

A crítica ao modelo que pouco industrializa e, consequentemente, concentra renda, é o ponto de aproximação com os objetivos da Iniciativa Global Clinton América. Além disso, à política econômica americana interessa entender como funciona e como se fortalece a economia chinesa, uma das novas potências mundiais e que ameaçam a liderança mundial norte-americana.

Bolsa

A soja deixou de ser apenas uma matéria prima e funciona como câmbio no mercado financeiro internacional. Na Bolsa de Mercadorias e Futuro, no Brasil, ela tem pouca liquidez, já que as tradings operam quase tudo na bolsa de Chicago, por meio dos hedgs funds.

“Enquanto o produtor realmente trabalha muito, as tradings ganham através de movimentos especulativos em bolsas e captando dinheiro no exterior a juros muito baixos e emprestando por aqui, via adiantamento financeiro ou de insumos, a juros do mercado brasileiro. Pegam dinheiro lá fora a 1% e cobram aqui a 12%”, explica Maurício Munhoz. “A soja acaba sendo personagem importante na guerra fiscal e cambial pelo mundo, mas não provoca o desenvolvimento que poderia por aqui”, completa.

O evento

A Iniciativa Global Clinton América foi criada por Bill Clinton em 2005 como uma ação da Fundação Clinton, tendo como objetivo a convocação de “uma comunidade de líderes mundiais para forjar soluções para os desafios mais urgentes do mundo”.

Muitos grupos de trabalho estão reunidos na CGI América em Denver, Colorado. As discussões incluem temas como a eficiência energética residencial, fabricação, desenvolvimento de força de trabalho, educação, entre outros. Entre os participantes estão o clã Clinton: Chelsea Clinton , filha de Bill e Hillary Clinton e membro do conselho da Fundação Clinton, e os pais.

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