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11 Jul 2014 - 08:30

CEO da Match deixa hotel antes de polícia e é 'foragido', diz delegado

Ray Whelan era o único que estava solto e deixou o Copacabana Palace.

Agência da Notícia com Mídia News

 A Polícia Civil do Rio considera "foragido" o CEO da Match, Raymond Whelan, acusado de ligação com a máfia de venda ilegal de ingressos para a Copa do Mundo. O executivo inglês era o único dos 11 denunciados pelo Ministério Público do Rio que não estava preso e teve a prisão preventiva decretada nesta quinta-feira (10). De acordo com o delegado Fábio Barucke, responsável pelo inquérito, Whelan deixou o Copacabana Palace uma hora antes de a polícia chegar, por volta das 15h, ele saiu aparentando pressa.

"Saiu pela porta dos funcionários, vimos pelas imagens ele saindo apressado. Ele é considerado foragido", explicou o delegado.

Na segunda-feira (7) o inglês foi preso no mesmo hotel, onde está a delegação da Fifa, e levado para a 18ª Delegacia de Polícia, na Praça da Bandeira, Zona Norte, onde ficou por cerca de dez horas. Os advogados dele, no entanto, conseguiram habeas corpus e o executivo foi solto na madrugada de terça(8).

A Justiça do Rio decretou nesta quinta a prisão preventiva de 11 envolvidos na máfia da venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo. Equipes de policiais saíram da delegacia, por volta das 15h45, para prender Raymond Whelan, CEO da Match Services, única empresa autorizada a vender ingressos pela Fifa. Os 11 denunciados vão responder pelos crimes de cambismo, organização criminosa, desvio de ingresso e corrupção ativa.


Os outros 10 acusados, incluindo o argelino Mohamed Lamíne Fofana, apontado como chefe da quadrilha, estão no Complexo Peniténciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste, e terão a prisão temporária transformada em preventiva. Fofana teve o habeas corpus negado na noite de terça-feira.

O único dos 12 presos e indiciados na operação Jules Rimet, deflagrada em 1º de julho, que não teve a prisão preventiva pedida nem foi denunciado foi o advogado José Massih, por estar colaborando com as investigações. O prazo de cinco para a prisão temporária dele termina à 0h de sexta-feira (11).

Inquérito no MP
O inquérito foi entregue pelo delegado Fábio Barucke ao Ministério Público nesta quarta (9). Até as 16h30 desta quinta, a assessoria de imprensa do MP dizia que o promotor Marcos Kac não havia encaminhado o documento à Justiça, apesar de a juíza Joana Cardia Jardim Cortes, do Juizado Especial do Torcedor, ter dito à assessoria de imprensa do TJ que a denúncia estava com ela e foi aceita. Ainda de acordo com o MP, o caso corre em segredo de Justiça.

Whelan vai se descredenciar
Em nota divulgada nesta quarta, a Match Services informou que Whelan vai se descredenciar de forma voluntária da Copa e que, ao fazer isso, reafirma seu compromisso com a proteção dos interesses da empresa, da Fifa e do evento. Segundo a nota, o executivo reitera que toma esta decisão mesmo não tendo cometido qualquer ato ilegal e diz ainda que permanecerá colaborando com as investigações com a certeza de que será inocentado.

A Match Services voltou a criticar a forma como a investigação policial está sendo conduzida e afirmou que não há nada de inapropriado ou ilegal na conduta de Raymond Whelan.

O esquema
Deflagrada no dia 1º de julho, a operação da 18ª DP (Praça da Bandeira) no Rio de Janeiro prendeu 12 pessoas. No dia 1º, 11 suspeitos foram detidos no Rio e em São Paulo, entre eles o apontado como operador do esquema, o argelino Mohamed Lamíne Fofana. Na segunda (7), Raymond foi preso por suspeita de ser o facilitador da obtenção dos ingressos.

Com a listagem de celulares da Fifa em mãos, um dos agentes policiais digitou no aparelho celular apreendido do argelino Lamíne Fofana o prefixo 96201, que precedem os telefones da entidade. Apareceu, então, o nome "Ray Brazil", para qual havia 900 registros entre telefonemas e mensagens. Ao todo, a operação está lendo e escutando 50 mil registros telefônicos, dos quais mais de 50% já foram apurados.

Segundo as investigações, três empresas de turismo localizadas em Copacabana, interditadas pela polícia, faziam contato com agências de turismo que traziam turistas ao país e vendiam ingressos acima do preço.

Eram ingressos VIPs, fornecidos como cortesia a patrocinadores, a Organizações Não Governamentais (ONGs) e também destinados à comissão técnica da Seleção Brasileira – desde bilhetes de camarotes até entradas de assentos superiores. Uma entrada para a final da Copa no Maracanã chegava a custar R$ 35 mil e a quadrilha faturava mais de R$ 1 milhão por jogo.

Segundo a polícia, Fofana também conseguia entradas vendidas pelos agentes oficiais da categoria "hospitalidade", pacotes de luxo, controlados pela Match Hospitality. Até carro forte foi usado para abastecer a quadrilha que vendia entradas para todos os jogos da abertura à final do torneio.

Segundo o delegado Fábio Barucke, responsável pelo caso, os presos já atuaram em pelo menos quatro mundiais e estimativas apontam que a quadrilha poderia movimentar cerca de R$ 200 milhões por Copa do Mundo.

Presos
Além de Fofana, estão presos o policial militar reformado Oséas do Nascimento; Alexandre Marino Vieira; Antônio Henrique de Paula Jorge, um dos contatos de Fofana no Brasil (antes de ser preso, Henrique tentou retirar de um banco R$ 177 mil em dinheiro vivo); Marcelo Pavão da Costa Carvalho; Sérgio Antônio de Lima, que teria tentado subornar um dos agentes; Ernane Alves da Rocha Júnior; Júlio Soares da Costa filho e Fernanda Carrione Paulucci. Alexandre da Silva Borges e o advogado José Massih foram presos em São Paulo.

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