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20 Dez 2019 - 14:49

MPE pede que empresários e empresas devolvam R$ 322 milhões

Promotores argumentam que decreto que beneficiou setor foi editado mediante pagamento de propina

Mídia News

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 (Crédito: Mídia News)
O Ministério Público Estadual ingressou com uma ação por ato de improbidade administrativa contra 22 pessoas físicas e jurídicas pelos danos causados ao Estado em razão do atraso na licitação do transporte intermunicipal, mediante pagamento de propina, durante o governo Silval Barbosa.
 
Ao todo o MPE pede a devolução de cerca de R$ 322 milhões.
 
Entre os alvos estão Silval, os empresários do ramo de transporte Éder Augusto Pinheiro e Júlio César Sales Lima, além de 13 empresas de transporte intermunicipal e o sindicato que as representa.
 
Com efeito, os empresários que atuavam precariamente, para se manter na exploração irregular dos serviços, sob a coordenação do Setromat e mediante elevada quantia financeira, subornaram o chefe do Executivo
 
Em relação a Éder Augusto Pinheiro, Júlio Cesar Sales Lima, o ex-procurador do Estado Francisco de Lima Andrade Filho e o Setromat (Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros do Estado de Mato Grosso), o MPE pediu que eles devolvam aos cofres públicos o total de R$ 161.294.235,35.
 
O mesmo valor é pedido em relação às empresas Verde Transporte (R$ 75.144.009,60), Viação Sol Nascente (R$ 1.397.725,46), Viação Eldorado (R$ 28.738.955), Empresa de Transportes Andorinha (R$ 8.862.855,15), Expresso Rubi (R$ 18.308.623,73), Transportes Jaó (R$ 7.087.250,87), Viação São Luiz (R$ 597.075,83), Viação Xavante (R$ 13.986.227,57), Rápido Chapadense (R$ 2.435.993) e Orion Turismo (R$ 4.735.518,51).
 
O valor foi calculado pelo que as empresas - que atuavam com contrato precário - deixaram de arrecadar em impostos estaduais e taxas no período em que atuaram mesmo sem licitação.
 
O esquema começou a ser desvendado com a Operação Rota Final, desencadeada em junho do ano passado para investigar a ação de empresários do setor para atrapalhar a licitação no transporte intermunicipal. A licitação era um compromisso
 
Segundo os promotores Ezequiel Borges e Arnaldo Justino da Silva - que assinam a ação -, a organização era integrada por empresários do segmento e agentes públicos lotados em diversos órgãos e setores da administração pública, estrategicamente posicionados para garantir a obtenção dos interesses do grupo.
 
Em um dos anexos de sua delação premiada, o ex-governador Silval Barbosa confessou que recebeu propina para editar um decreto, em 2014, que na prática inviabilizava a licitação do setor, que o Governo do Estado havia se comprometido a realizar ao assinar termo de ajustamento de conduta (TAC) com o Ministério Público Estadual.
 
Segundo o MPE, o decreto “era espúrio, gestado nas entranhas do Poder Executivo e que na prática invalidaria todo procedimento licitatório que havia sido realizado para regularizar o sistema de transporte coletivo intermunicipal de passageiros no território mato-grossense”.
 
“Com efeito, os empresários que atuavam precariamente, para se manter na exploração irregular dos serviços, sob a coordenação do Setromat e mediante elevada quantia financeira, subornaram o chefe do Executivo Estadual para que o referido ato normativo fosse editado”, consta na ação.
 
Ainda conforme o MPE, o decreto 2.499/2014,  embora tivesse como justificativa autorizar a delegação dos serviços por licitação, na prática prorrogava dezenas de contratos antigos até o dia 31 de dezembro de 2031.
 
“Dessa forma, ressai evidente que ao invés de dar continuidade à implementação do TAC firmado em 2007, às decisões judiciais proferidas nas ações civis públicas propostas em 1999 e concluir a Concorrência Pública nº 01/2013, o então Chefe do Poder Executivo, esmerando-se no desvio e abuso de poder, editou o Decreto nº 2.499/2014 com cognoscível propósito de favorecer as empresas precárias atuantes no segmento, prorrogando concessões da antiga divisão do sistema de transporte por linhas e ignorando solenemente tudo o que já havia sido realizado”, diz trecho da ação.
 
Ainda conforme as investigações, o empresário Éder Augusto Pinheiro, que é proprietário de empresas que integram o Grupo Verde e que sempre se apôs à licitação, teria ficado responsável pelo pagamento de R$ 6 milhões de propina em troca do decreto. Essa negociação teria envolvido Júlio Cesar de Lima, que era presidente do Setromat, e o ex-procurador Francisco Gomes de Andrade Lima Filho.
 
Parte deste dinheiro - R$ 992.961,43 – teria sido transferida para a esposa de Chico Lima e o filho de Chico Lima, que também são alvos da ação.
 
 

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